Viver no morro para Helena era como estar em uma montanha-russa emocional. Cada dia trazia uma nova situação, um novo desafio, e ela ainda estava se adaptando à rotina ali. Acordar com os sons do morro, viver sob as regras de um lugar tão diferente de tudo que conhecia, e lidar com as dinâmicas de poder que pareciam estar em constante ebulição eram experiências que a tiravam de sua zona de conforto. Ela sentia falta da zona sul, da tranquilidade das ruas arborizadas e dos pequenos luxos que antes pareciam tão banais. O chuveiro quente e potente, a cama macia e as janelas de vidro que isolavam os sons externos. Ali, no morro, o banho era de água fria na maior parte do tempo, a cama rangia a cada movimento, e as vozes, risadas e barulhos das vielas eram constantes. Mas não era só isso que

