SOFIA - FUGA

1509 Palavras

Eu achava que quando finalmente fugisse daquela casa, quando rompesse as correntes invisíveis que me aprisionaram por tanto tempo, eu sentiria alívio. A sensação de respirar, de ser livre, de poder existir sem pedir permissão. Eu imaginei que seria como abrir a janela depois de anos trancada em um quarto escuro. Mas não foi assim. A verdade é que, enquanto eu estava encolhida no banco de trás do carro da Renata, coberta por um casaco que cheirava a perfume barato e amaciante, tudo que eu sentia era pânico. Medo puro, pegajoso, que atravessava minha garganta como se fosse me sufocar. Eu tremia tanto que achei que o carro sacudiria junto comigo. Eu devia estar aliviada. Eu devia estar feliz por reencontrar minha prima depois de tanto tempo, por escapar das mãos de Otávio, por finalmente

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR