Um mês passou. Três meses completos de recuperação. Davina já estava melhor. Muito melhor. Andava com mais firmeza, a tala tinha sido substituída por uma bota ortopédica mais leve, os pontos da barriga finalmente fechados — ainda sensíveis, ainda exigindo cuidado, mas sem sangrar. O corpo ainda pedia calma… o coração, nem tanto. Naquela noite, a casa estava silenciosa. Os filhos dormiam. A luz do quarto estava baixa. Robert estava deitado, lendo no tablet, quando ouviu o leve estalo atrás do closet. Ele ergueu os olhos. Davina tinha aberto a porta camuflada do quarto secreto, o cantinho que só os dois conheciam. Um espaço deles, íntimo, intenso, onde não existiam regras, nem limites — só conexão. Ela apoiou a mão no batente, respirou fundo e falou baixinho, com um sorriso tímido: —

