Eliza
Estou indo em direção a caverna mais funda do purgatório para fazer a conexão, estou ficando com um pouco de medo.
Cristian —relaxa um pouco.— diz me acompanhando, prefiro estar com ele do que com o Dante que só me trata m*l e com ignorância.
—eu posso de pedir algo antes de entrar nessa sala?— pergunto em frente a porta de pedra enorme.
Cristian —o que deseja rainha?— pergunta se virando para olhar para mim, sinto meu rosto avermelhar pois é um pedido completamente i****a.
—esquece, não é nada demais.— falo me afastando um pouco da porta para ele abrir.
Cristian —sabe que se eu puder fazer algo por você farei.— diz abrindo a porta somente com a força dos braços, nem parece ter feito esforço e olha que essa porta deve pesar toneladas.
Só respiro fundo e tento tomar coragem, vou na direção dele, quando estou na sua frente fico na ponta do pé e dou um selinho em seus lábios, automaticamente meu rosto fica vermelho e eu me afasto. Não costumo agir assim, mas preciso começar a tomar coragem.
Pelo menos antes de morrer vou saber que beijei os lábios do homem que tenho uma quentinha desde os 15 anos.
Dante —que fofo, nossa rainha é apaixonada pelo chefe de guarda.— quando escuto a voz dele dentro da sala a vergonha me invade e sinto que vou morrer.
Cristian —tem como parar te irritar nossa jovem rainha, é por isso que todos aqui te evitam e não gostam de você.— diz entrando na sala, até parece que o que eu fiz não aconteceu.
—tem como só começarem logo isso?!— falo e eles param e ficam me olhando.
Se eu morrer pelo menos pararei de sentir agonia e vergonha.
Só me sento em uma rocha enquanto fico a olhar o coração gigante que está bombeando sangue por veias enormes que nutrem o submundo, eu ficaria com medo desse lugar se não tivesse lido em um livro que Arina me deu.
Cristian —não quer esperar mais?— eu só quero que isso acabe logo.
—não.— falo decidida.
Vejo Dante pegar uma taça de ferro, ele vai até o coração gigante e encosta em uma parte que está caindo sangue, espero que não me faça beber isso, é extremamente nojento e asqueroso.
Dante —espero que não tenha nojo de sangue, pestinha, pois vai ter que beber isso até a última gota.— diz com um sorriso que para mim é bem maligno.
Só engulo seco quando ele me entrega a taça e fica olhando para mim esperando eu beber.
Respiro fundo tentando pensar que é suco de morango, fecho os olhos e bebo rapidamente tentando não prestar atenção no gosto que até que é bom.
Cristian —me desculpe rainha, mas não posso ver o resto dos passos.— diz saindo e eu fico sem entender.
—o que ele quis dizer com isso?— pergunto agora sentindo um pouco de medo.
Dante —eu vou precisar te afogar no lago de sangue até seu coração parar de bater, se o submundo te quiser de volta fará o sangue que bebeu fazer parte de você, assim voltará a vida.
—você não tinha me falado essa parte!— digo nervosa me afastando dele.
Dante —não venha querendo desistir, sabia que podia morrer.— diz caminhando calmamente na minha direção.
—não desse jeito!— falo indo para trás.
Dante —para de ser medrosa, foi você que falou que queria acabar logo com isso.— diz me prendendo contra a parede com o seu corpo.
Não tem jeito, se eu tentar resistir a isso ele ainda vai me matar afogada.
Dante —se negar a aceitar ser consumida pelo submundo diminui terrivelmente suas chances de ser aceita como rainha, medo ou confiança demais também fazem com que sua possibilidade de se conectar diminuem.— só respiro fundo tentando não ficar com medo disso, eu sabia que isso ia acontecer desde criança, mas aceitar ainda é difícil.
Vou até o lago de sangue ao lado do coração gigante, começo a entrar sujando minha roupa inteira de carmesim, chego na parte mais funda que consigo ir por ter medo. Não preciso ir para a parte funda de qualquer forma, Dante vai precisar me afogar mesmo, pode fazer isso na parte rasa.
Dante —quero que mergulhe e nade um pouco, inclusive beba o sangue, quero que se ligue e se torne um com esse lugar antes de eu precisar te afogar.— ele é muito "delicado" mesmo, eu estou sendo completamente irônica.
Só começo a nadar e beber um pouco do sangue, achei que isso seria r**m, mas tem um gosto viciante e bom.
Dante —esta pronta para morrer?— eu me pergunto como pude ser apaixonada por ele quando criança, é um completo cretino sem coração.
—sim.— falo cansada de nadar.
Fico olhando Dante entrar no lago de sangue e vir na minha direção, está na parte rasa me esperando. Nado até ele com meu coração acelerado, já estou próxima.
Dante —quero que fique de costas boiando, irei de afundar e de prender no fundo, vai entrar em agonia quando seu ar acabar, mas se abrir a boca e desistir de subir será menos doloroso.— ele está extremamente sério agora.
—eu ainda queria que fosse o Cristian comigo.— falo e ele olha na minha cara.
Dante —ele não mata criança inocente.— quem ele chamou de criança?
Só fico de barriga para cima na água boiando, sinto quando ele coloca a mão nos meus ombros e me afunda. Estar debaixo do sangue por enquanto está sendo tolerável, mas não estou mais aguentando prender o ar, começo a me debater sem parar por causa da agonia, sei que devo abrir a boca, mas estou com tanto medo....
Tento aguentar o máximo possível, mas acabo abrindo a boca deixando o ar sair, minha consciência começa a se apagar e tudo se desfaz.
(...)
Começo a nadar para cima por estar debaixo do líquido tenso, quando chego a superfície abro meus olhos e vou para fora do lago vermelho, me sinto estranha, quando consigo sair fico confusa ao ver a cena do Dante comigo nos braços...
Como ele está comigo nos braços se acabei de sair do lago? Isso não faz sentido.
—o que aconteceu?— pergunto confusa e sem entender.
Quando Dante olha para mim seu olhar desce do meu rosto e vai para meu corpo, fico sem entender até reparar que estou maior e com um corpo mais desenvolvido, meus s***s estão enormes, eu quase não tinha seios...
—para de olhar para mim!— acabo gritando sentindo vergonha, vejo que ele é tacado contra a parede.... Foi sem querer....
Dante —calma aí.— diz se apoiando em pé, parece que quase quebrei ele.
—o que aconteceu comigo?!— falo cobrindo meu corpo que nem sei se é meu.
Dante —acho que o purgatório quis te dar um corpo novo, melhor e mais forte, além disso, precisava disso para ser uma cidadã daqui, mas seu antigo corpo ainda respira, a única coisa que deve ter mudado é só seu tamanho e desenvolvimento corporal, com aquele seu corpinho de criança seria difícil ser respeitada.— eu tô ficando brava, ele me ofendeu de várias formas diferentes.
— o que vai acontecer com meu antigo corpo?— pergunto séria.
Dante —vamos deixar ele em um caixão de vidro, talvez um dia consiga usar ele para voltar ao seu mundo, será rainha então vai poder encontrar um jeito em algum momento.— diz tirando sua blusa me fazendo estranhar.
—o que está fazendo?— pergunto pensando mil coisas.
Dante —entregando algo para você vestir, rainha, não pode deixar os plebeus verem seu corpo puro e pecaminoso ao mesmo tempo.— diz com um tom sarcástico.
—seu i****a!— falo me virando para vestir a blusa.
Dante esta com meu antigo corpo nos braços, enquanto ainda estou a me acostumar com o tamanho e o peso dos s***s, é tão estranho ter um corpo tão diferente do meu, meu rosto e cabelo parecem o mesmo, mas minhas pernas estão um pouco mais grossas e minha b***a está maior.
(Tem um capítulo extra na história da Mia, só passando para avisar)