Clara nunca achou que o veria de novo, depois de tantos anos em que ele esteve fora.
Durante anos, tentou de todas as formas possíveis enterrar o desejo proibido, sufocando a lembrança dos olhos escuros de Lucas e da forma como ele sempre parecia distante de tudo e todos.
Ele era o melhor amigo de seu irmão desde sempre, o homem que sempre esteve ali—perto o bastante para fazê-la sonhar alto, mas longe o suficiente para tornar esses sonhos impossíveis.
Mas naquela noite em concreto, tudo mudou, não só para ela, mas para ele também.
A faísca do desejo voltou como se eles nunca estivessem distantes, a vontade quase que desesperada para estar perto um do outro.
A festa de aniversário de seu irmão estava cheia de pessoas conhecidas, amigos, familiares, colegas e algumas pessoas próximas aí da vizinhança.
Risadas e música preenchiam o ar, mas foi um simples murmúrio entre os convidados que fez as o seu corpo congelar.
— Ele está aqui… Lucas Ferraz voltou. Está palavra a fez não só congelar como também ter lembranças dolorosas.
O coração de Clara martelou no peito como se fosse um também. Suas mãos apertaram involuntariamente a borda da taça de vinho enquanto tentava se convencer de que aquilo não significava nada.
Anos haviam se passado, mas na verdade nada tinha mudado. Ele não era mais o garoto rebelde e inatingível que ela lembrava. Agora, ele era um homem feito.
Respirando fundo, Clara ergueu o olhar—e então o viu. Foi tudo em câmera lenta, ela perdeu o fôlego com a imagem a sua frente.
Agora simplesmente ele não só mudou na aparência mas também a forma de vestir, o seu corpo mais desenvolvido e forte devido a horas de academia, está mais bonito que antes, não que não fosse antes.
Lucas estava encostado na varanda, vestido de preto, a camisa perfeitamente ajustada a seu corpo forte. O tempo só o tornara mais lindo, perigoso, mais letal. Seus olhos percorreram a festa como se não pertencesse àquele lugar, até que finalmente pousaram nela.
Um choque elétrico percorreu Clara. Ela pensou que iria cair pela intensidade que percorreu o seu corpo.
Lucas olhou para Clara por mais tempo que o necessário, como se o tempo não tivesse significado. Como se ainda fosse aquele homem proibido para ela, e ela a garota que nunca deveria ter desejado de forma alguma.
E naquele instante, Clara soube: esse reencontro não terminaria bem.
Os olhos de Lucas queimavam sobre Clara, como se pudessem despir sua alma.
O ar ao redor dela ficou pesado, como se todas as outras vozes e risadas da festa tivessem se dissipado. Tudo o que restava era ele—a presença dominante dele que sempre a fez se sentir pequena e vulnerável.
Mas Clara não era mais a garotinha que se escondia atrás da porta para espiar Lucas e seu irmão. Agora, era uma mulher. E se ele achava que ainda poderia afetá-la daquela maneira… bem, estava certo, mas não iria admitir em voz alta.
Ela não desviou o olhar.
Lucas arqueou a sobrancelha, um meio sorriso arrogante surgindo em seus lábios. Ele sabia o que estava fazendo com ela. Sempre soube.
— Clara. — Sua voz era grave, carregada de algo que fez um arrepio percorrer sua espinha novamente, porque ele me afeta tanto ainda.
— Lucas. — Ela tentou manter a compostura, mas a forma como ele a olhava, com uma intensidade quase predatória, como se ela fosse uma presa, e isso a fez se contorcer por dentro.
Ele deu um passo à frente. Ela sentiu o cheiro amadeirado do perfume dele forte, misturado a algo puramente masculino, viciante. Isso a fez suspirar.
O coração de Clara batia descompassado, em uma mistura de ansiedade e expectativa, que nem ela sabe explicar.
— Faz tempo — ele murmurou, a voz baixa, rouca.
— É, faz tempo. — A palavra saiu fraca demais. Ele notou.
Lucas inclinou a cabeça, os olhos escuros explorando cada detalhe dela.
— Você cresceu.
Clara sentiu um calor subir pelo corpo, vergonha era o que sentia naquele momento. Ele não estava falando de forma inocente.
— E você continua o mesmo de sempre. — A provocação saiu antes mesmo que ela pudesse se segurar.
Lucas sorriu de lado, mas havia algo perigoso naquele olhar.
— Não, Clara. — Ele deu mais um passo, reduzindo a distância entre eles. — Eu mudei, e muito.
A respiração dela ficou irregular. Lucas não era mais o garoto que conhecia. Ele era um homem agora. E um homem que parecia estar decidido a bagunçar tudo ao redor dela.
E Clara temeu que, dessa vez, não tivesse forças para resistir.