Clara sentia o peso da ameaça se espalhar pelo ar como uma sombra sufocante.
O nome de Gabriel agora era um fantasma entre ela e Lucas, um lembrete de que eles estavam sendo observados, caçados.
Lucas não soltou o rosto dela. Seu olhar era uma mistura de desejo e fúria.
— Você entende o que isso significa, não é? — Sua voz saiu baixa, mas carregada de intensidade.
Clara assentiu devagar.
— Ele não está brincando.
Lucas aproximou-se ainda mais, seu polegar roçando o lábio inferior dela.
— E eu também não.
Antes que ela pudesse reagir, os lábios dele tomaram os dela em um beijo intenso, cheio de posse e necessidade.
Não era apenas desejo, era um aviso.
Um juramento silencioso de que ele a protegeria a qualquer custo.
Quando se separaram, ambos estavam ofegantes.
Mas não havia tempo para se perder um no outro agora.
O telefone de Lucas vibrou novamente.
Ele pegou o aparelho e estreitou os olhos ao ler a mensagem.
Vamos brincar?
Eu já comecei.
Olhe para fora.
Lucas foi até a janela e sentiu o sangue ferver.
Lá embaixo, encostado em um carro preto, Gabriel Monteiro estava parado, sorrindo.
— Filho da p**a — Lucas rosnou, cerrando os punhos.
Clara se aproximou, e o coração dela disparou ao ver aquele homem.
Alto, vestido com um terno escuro, cabelo loiro bem alinhado e um olhar afiado como lâminas.
Ele parecia perigoso, mas o que a fez estremecer foi o sorriso.
Um sorriso de quem sabia que estava no controle do jogo.
Gabriel ergueu a mão e fez um gesto tranquilo de aceno, como se estivesse cumprimentando velhos amigos.
Em seguida, pegou o celular e digitou algo.
O telefone de Lucas vibrou novamente.
Espero que esteja pronto.
Porque eu estou apenas começando.
Clara sentia o coração martelar contra o peito enquanto olhava pela janela.
Gabriel Monteiro estava ali, observando-os com aquele sorriso calculado, como se soubesse exatamente quais botões apertar para desestabilizar Lucas.
Lucas segurava o celular com força, os nós dos dedos brancos de tanta tensão.
O silêncio entre eles era pesado, até que Clara finalmente quebrou:
— Você precisa me contar a verdade, Lucas. Toda a verdade.
Ele virou-se para ela lentamente, o olhar tempestuoso.
— Eu já te disse o que importa.
Clara cruzou os braços, sem desviar o olhar.
— Você me disse o que queria que eu soubesse.
Mas isso, isso é mais do que um problema do seu passado.
É o nosso presente agora.
Lucas passou a mão pelo rosto, visivelmente irritado.
— Gabriel e eu crescemos juntos. Mas ele escolheu um caminho que eu não podia seguir.
— O que isso significa? — Clara insistiu.
Lucas hesitou. Então, desviou o olhar.
— Significa que ele fez coisas, coisas que eu não podia ignorar. Coisas que me forçaram a cortar laços com ele.
Clara estreitou os olhos.
— E o que ele fez?
O silêncio de Lucas foi suficiente para fazê-la entender. Ele não ia contar tudo. Não agora.
Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Você ainda está me escondendo algo.
Lucas se aproximou rapidamente, segurando o rosto dela entre as mãos.
— Eu estou protegendo você, Clara. Isso é tudo o que importa.
Ela queria acreditar Queria confiar nele cegamente.
Mas algo lhe dizia que Lucas estava segurando partes importantes dessa história.
E com Gabriel agora na jogada, cada mentira ou meia verdade poderia custar caro.
Lá embaixo, Gabriel pegou um cigarro e acendeu calmamente, como se estivesse esperando.
Jogando a cabeça levemente para trás, ele soprou a fumaça no ar e pegou o celular novamente.
Logo depois, o telefone de Clara vibrou.
Seu sangue gelou ao ver a mensagem.
Ele te contou a parte em que me traiu? Ou continua escondendo os detalhes mais sórdidos?