Lucas não desviou o olhar nem por um segundo.
Mas algo mudou nele naquele momento.
O sorriso presunçoso sumiu.
O brilho de divertimento deu lugar a uma intensidade mais perigosa.
Ele não esperava que Clara o desafiasse.
E agora, ele queria puni-la por isso.
Clara sentiu o ar ao redor deles ficar mais denso.
O olhar de Lucas queimava sua pele de uma forma intensa.
Ele a avaliava como um predador que acabara de perceber que sua presa queria lutar.
— Você quer jogar comigo, pequena? — a voz dele veio baixa, rouca.
Clara manteve a postura firme.
— Você acha que sou tão fácil de dobrar assim?
Lucas riu, mas seus olhos não tinham mais traços de humor.
— Vamos ver até onde você aguenta.
Antes que Clara pudesse reagir, ele se levantou da poltrona e caminhou até ela. Lento, preciso, calculado.
Ela deveria recuar, Mas não o fez.
Lucas se inclinou, apoiando uma mão no encosto da cadeira dela, fechando o espaço entre os dois.
Ele não a tocava, Mas a prendia ali.
— Você gosta de testar meus limites, não é? — sussurrou contra seu ouvido.
O coração de Clara martelava no peito. Ela estava perdendo o controle da situação.
— Talvez eu goste de testar os seus limites.
Lucas sorriu contra sua pele.
— Má ideia, pequena.
Antes que Clara pudesse responder, ele se afastou, pronto para a nova Jogada.
Sem aviso, Lucas pegou o telefone e fez um único gesto, Chamando alguém.
Clara franziu a testa, O que ele estava fazendo?
Minutos depois, uma mulher se aproximou da mesa. Linda, alta, segura de si.
Ela sorriu para Lucas e ele retribuiu mas sem desviar o olhar de Clara.
— Espero que não se importe, pequena — ele disse, pegando a mão da mulher e deslizando os dedos pelo pulso dela.
Exatamente como fizera com Clara antes.
Foi nesse momento que Clara entendeu.
Ele queria provocá-la.
Queria ver até onde ela aguentaria.
Seus dedos apertaram a taça à sua frente. Seu corpo inteiro queimava, mas não de desejo. De raiva.
Lucas continuava encarando-a, esperando uma reação sua.
Clara não daria o gostinho a ele.
Ela queria jogar? Então jogaria com ele.
Clara se inclinou, pegando o telefone. Dois podiam jogar esse jogo.
Em poucos segundos, um dos garçons veio até ela. Um homem alto, bonito, claramente interessado.
Ela sorriu.
— Me traga um drinque. Mas só se me fizer companhia por um momento.
O garçom pareceu surpreso mas aceitou.
Lucas não sorriu mais.
Clara pegou a taça e tomou um gole, segurando o olhar de Lucas enquanto conversava casualmente com o outro homem.
Ela viu quando os ombros de Lucas ficaram tensos.
Quando seus dedos se fecharam no copo.
Ele estava furioso.
Ótimo.
A vingança tinha um gosto doce.
Mas então Lucas se levantou abruptamente e fez algo que Clara jamais esperava.
Ele segurou o pulso da mulher ao seu lado e a puxou para um beijo.
Bem na frente de Clara.
O mundo dela congelou, ela ficou estética sem reação alguma.
Foi quando percebeu que ela tinha testado os limites errados.
E Lucas estava pronto para mostrar a ela o que acontecia quando alguém brincava com fogo.