Rafaela narrando O pagode já estava daquele jeito que eu gosto, cheio, barulhento, com o povo cantando alto e o chão vibrando com o grave do paredão, quando tudo mudou de uma hora pra outra. Eu ainda estava dançando com a Mirela, tentando manter a cabeça ocupada na música e na bebida pra não pensar no fantasma, na cena ridícula que ele tinha feito mais cedo e em tudo que ele tinha jogado na minha cara dentro daquele carro. Eu me forçava a focar no ritmo do samba, no jeito que o meu corpo acompanhava o pandeiro e o tantã, deixando o quadril solto na batida enquanto o grupo puxava mais um refrão que a galera gritava junto. Por alguns minutos parecia que eu tinha conseguido realmente me distrair, esquecer aquele caos todo que estava dentro da minha cabeça, até que o primeiro estrondo corto

