4- Liberdade cantou

1027 Palavras
Capítulo 4 3 anos depois : Henrique narrando : Mano, vou resumir a merda que eu fiz mais uma vez. Três anos já que eu tô aqui nessa desgraça. É f**a, mas eu não aprendo, né? Gosto da adrenalina, do perigo, e mais uma vez me meti num assalto. Deu r**m, lógico. Nem deu tempo de aproveitar a vida ou chegar na loira gata, aquela advogada que eu tava na mira. Mandei mensagem nela direto e a mina nem ideia dava pra mim. Pelo menos, uma coisa boa, aqui dentro eu fiquei mais perto dela. Ela cuida do meu caso, então, na moral, eu não sou b***a. Sempre arrumo um drama qualquer pra ela vir me ver, nem que seja uma vez por semana. Só pra trocar ideia, sentir o perfume dela, tá ligado? Dá aquela renovada no meu dia. Quem disse que bandido não tem coração? Sei lá, mano, essa mina mexe comigo de um jeito que eu nem sei explicar. Parece que ela me vira do avesso, tá ligado. Já intimei ela várias vezes, mas a mulher é fria, não dá ideia nenhuma. Sempre arruma uma desculpa, fala que não mistura as coisas e aquelas fitas. Só que eu sou insistente, parceiro, uma hora eu ganho ela, nem que seja pelo cansaço. Minha coroa, mano, tá aqui toda quinzena me vendo. É f**a, porque eu sei que ela não deveria passar por isso. Já falei pra ela que não precisa vir, que eu tô de boa, mas mãe é mãe, né? Não adianta. Ela vem com aquele olhar de preocupação, aquele jeito de querer carregar o peso que é meu. Isso dói, tá ligado? É uma mistura de orgulho e culpa que não me larga. Toda semana meu irmão manda uma p*****a diferente aqui pra mim, mais nenhuma chega aos pés da doutora. Eu preciso pegar essa mina, se não eu vou pirar. Três anos aqui nesse inferno, mano, e eu só vendo a vida passar lá fora, perdendo tudo o que tá rolando. Meu irmão Gabriel já teve duas meninas, a Lua tá com três, o Luan tem um moleque, e a Emily já botou dois no mundo. É f**a, parceiro. Eu só conheço as crianças por foto. Só imagino a bagunça que deve ser lá no barraco dos meus coroas com essa molecada toda, correndo pra lá e pra cá, fazendo a maior festa. Até a Matilde e o Adolfo se foram, mano. E eu aqui, trancado, sem nem poder me despedir deles. Isso pesa, tá ligado. É um vazio que fica, como se eu tivesse perdido uma parte minha. Aqui dentro o tempo parece que não passa, mas lá fora ele não para, e eu tô ficando pra trás. É f**a. Finalmente, mano, a advogada conseguiu desenrolar com o juiz. Meu coroa já pagou o que tinha que pagar, agora é só esperar a liberdade. Não vejo a hora de sair dessa merda. Lá fora tem um morro me esperando, e eu tô ligado que meu coroa fez isso pra eu tomar jeito, pra eu criar compromisso, tá ligado. Ele não merece que eu vacile de novo. Esse bagulho que ele tá fazendo por mim é coisa de pai que acredita no filho, mesmo depois de tanta cagada. Eu vou fazer valer a pena, mano, vou honrar o que ele tá me dando. Cansado dessa vida aqui dentro, não quero nunca mais voltar. Essa é a última chance, e eu vou agarrar. Já era de tarde, e eu tava jogado na cama, tirando um cochilo, quando ouvi o barulho da grade sendo batida e o grito de um agente. – Acorda aí, bandido! Tua advogada tá aí! – ele manda, e eu já abro um sorriso, só de lembrar dela. – Já é! Tô indo – respondi, levantando da jega e seguindo ele. O cara nem perdeu tempo, já mandou as algemas. Fui andando no ritmo dele, sem pressa. Só que, em vez de irmos pra sala de visita, ele me leva pra sala do delegado. Aí fiquei bolado. Que p***a tá rolando aqui, nessa p***a? – E aí? – pergunto olhando pra ela, ainda tentando entender. Ela tava lá, com aquele sorrisinho que me desmonta. – Seu alvará, Henrique. Hoje tu sai daqui. – ela solta, e eu fiquei sem reação por uns segundos. Caralho, era isso mesmo? Hoje eu tô livre? O coração bateu a milhão, irmão. O delegado começou a assinar os papéis, e eu fiquei ali, meio travado, só olhando. Parecia que minha ficha não caía, tá ligado? Depois de tanto tempo nessa merda, ouvir que eu tava saindo era surreal. – Aqui, Henrique. Assina aqui pra oficializar tua liberação. – o delegado falou, me empurrando o papel e a caneta. Peguei com calma, mas a mão tava tremendo. Assinei, tentando não transparecer o turbilhão que eu tava sentindo por dentro. O delegado deu mais umas carimbadas e finalmente disse: – Tá liberado. Vai logo e vê se não volta, porque da próxima tu não sai tão cedo. A advogada sorriu pra mim, aquele sorriso que parecia iluminar até o canto mais escuro do lugar. O agente tirou as algemas, e eu me senti mais leve do que nunca. Ela já foi pegando as coisas dela, me olhando como quem diz, Bora logo. Saímos dali juntos. Ela tava com aquele andar confiante, enquanto eu, por dentro, tava gritando de alegria. Quando chegamos na porta, o sol bateu na minha cara. Depois de tanto tempo, sentir a liberdade era surreal. – E aí, doutora, vai me levar pro meu morro? – perguntei, meio de zoas, meio sério. Ela riu de canto. – Vou te deixar na contenção e nada mais, Henrique. Não esquece que agora é tua vez de fazer valer. Não quero te ver aqui de novo. O jeito que ela falou me fez refletir. Aquilo não era só um conselho, era quase um aviso. E, pela primeira vez, eu tava decidido, eu não ia vacilar de novo. – Minha família tá sabendo que tu voltando ? – eu pergunto e ela concorda. –Sim, já estão nos esperando – ela diz e eu sorrio . Continua .....
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR