O Jantar

1313 Palavras
Os devaneios de Manuela foram embora quando se ouviu batidas na porta. Ao permitir a entrada, ela viu seu namorado entrando. Ela suspirou fundo e colocou sua taça em cima da mesa. -Olha só, meu namorado resolveu aparecer! - ela falou com ironia. -Quanta graciosidade! Também estava com saudades, meu amor. -Não vem com gracinhas, você sumiu. -Eu te disse que estaria na Alemanha. E olha só, vim com novidades. - ele colocou alguns papéis em cima da mesa da mulher. -Essas são as políticas para podermos participar, está em alemão, eu posso traduzir pra você se quiser. - ele sentou a sua frente. -Eu sei ler alemão! -Claro, você é rica! Deve ter feito cursinho. O que mais sabe? Francês? Chinês? Italiano? -Não que te interesse, mas para sua informação aprendi tudo na faculdade. Só troca o Chinês pelo Russo. - nesse momento o homem ficou perplexo. -É sério? - a pergunta foi sincera. - Que faculdade você fez? -Sim! Relações Internacionais. - agora a mulher tirou a atenção do homem e pegou os papéis para ler. -Agradeço por isso. Fico encantada como você está se colocando muito bem no personagem. Devo me preocupar? -Não vamos misturar as coisas. - ele semicerrou os olhos - Temos um acordo e eu só estou tentando cumprir com ele. -Ótimo! Eu vou tentar marcar um jantar na minha casa, você precisa conhecer minha mãe antes de tornar isso público e precisamos fazer isso para ontem, até porque a notícia já está se espalhando. -Se espalhando? Eu posso saber? -Ainda não! - eles trocaram olhares -Você tem algo para fazer agora? -Não exatamente! Do que precisa? -Que busque o Matteo para mim! - ela jogou as chaves para ele. -Pega ele na escola e traz ele aqui para a empresa. -Sim, senhora! - ele pegou as chaves e saiu. Matteo já havia conhecido o Stefan, em uma das idas do mais velho a sala de sua irmã, o garoto o conheceu e gostou bastante dele. Contudo, ele não sabia do contrato de ambos. Os dois homens foram para onde Manuela havia mandado, sua sala. Eles ainda trocaram algumas conversas e logo depois saíram para almoçar, a felicidade de Manuela estava estampada em sua cara ao ver os dois homens se dando tão bem. Fazia tempo que ela não via o Matteo sorrindo daquela forma. -Sabe, eu gostei dele! - Matteo falou assim que Stefan saiu para ir ao banheiro. -Fico feliz que se deem bem. Ele vai passar um bom tempo na família. -Então é sério? Quer dizer que já estão namorando? -Sim! -Engraçado, não estou vendo anel no seu dedo. - esse momento ele parou para observar e o Stefan chegou. -Nem no dele. - Manuela por um milésimo de segundo paralisou e começou a pensar em uma história. -O que eu perdi? -Ah querido, nosso anel de compromisso. O Matteo está cobrando ele. - ela sorriu de lado para tentar levar o assunto numa boa. -Claro! Eu ainda vou comprar, sabe, eu a pedi num momento bem íntimo. Na verdade achei que ela não ia aceitar, você sabe como sua irmã é independente e não quer ficar com ninguém, pois é autossuficiente. -Olha só, alguém que já te conhece tão bem quanto eu. -Matteo comentou rindo e o casal trocou olhares, enquanto Stefan sorria, Manuela o olhava fuzilando. -É, ele é cheio de gracinhas! -ela deu um leve t**a no braço do namorado e voltaram a almoçar em boa harmonia. Uma semana depois o jantar foi marcado. Stefan já havia comprado os anéis de compromisso e os dois usavam uma aliança prateada finas, mais brilhantes que os normais. E claro que o pai dela não poderia deixar de soltar gracinhas enquanto aguardavam as mulheres descerem. -Olha só quem diria, o cara da TI! - foi a primeira coisa que o Victor falou ao ver o homem entrando em sua sala sendo acompanhado por Matteo. -Senhor, Victor! É uma honra poder estar na sua casa. - eles apertaram as mãos. -Para um cara de TI, você até que se veste bem. - o homem olhou bem para Stefan que continha uma camisa polo cinza e uma calça caqui segurada por um cinto preto. -Papai, por favor, ele tem nome. - Manuela chegou no alto da escada chamando atenção dos rapazes. -Oi, querido!- eles se abraçaram e ele deu um beijo na cabeça dela. -Você está linda! - a fala dele fez com que ela o olhasse e sorrisse. -Você deve ser o Stefan! - a voz da mulher mais velha se fez presente na sala chamando a atenção de todos. Então Helena chegou até mais perto, vindo de um dos corredores do andar de baixo. -Sim! Senhora, Helena Cesarini, correto? - com toda sua cordialidade, Stefan a reverenciou. -Exatamente! Senhor Heiden? - a mulher esticou sua mão e ele a pegou para beijar. -Podem me chamar de Stefan. - aquele sorriso galanteador apareceu. -Fico feliz em finalmente te conhecer. Ouvi boatos sobre você e minha filha. -Sinto muito pelos boatos, por isso estou aqui, vim esclarecer quaisquer dúvida que houver. - nesse momento todos estavam se encaminhando para a mesa de jantar. Stefan ficou ao lado de Manuela, em frente a Matteo. Nas pontas, estavam os anfitriões, a mesa era de seis lugares, onde sempre foi perfeito para eles. Após algumas conversas sobre a família de Stefan e o jantar regado a indiretas soltadas pelo homem mais velho ali presente, a sobremesa foi tomada na varanda da casa. Manuela e Stefan comiam uns pães com Chimia. -Nossa, eu sabia que eles queriam te agradar, mas dessa forma…- Manuela falou assim que viu a geléia de Chimia. -Parece que estou em casa! - Stefan sorria enquanto comia. Chimia era uma geleia alemã que pode ser feita com as mais diversas frutas, como goiaba, uva, maçã, figo, morango, abóbora, entre outras. -Preciso agradecer aos meus sogros! - Stefan fez menção de se levantar, mas logo foi parado por Manuela. -Deixa de graça! - ela o segurou pelo braço. -Não se acostume com isso, que tem prazo de validade. -Então deixa eu me aproveitar um pouquinho, vai! - Stefan começou a fazer cócegas na mais nova e então começaram a rir na varanda, sendo atrapalhados somente pela mãe de Manuela. Ela pigarreou para chamar atenção dos dois. -Hã, Senhora Cesarini desculpe. Eu queria agradecer pela sobremesa, está uma delícia e pela lembrança também, é claro. -Fico feliz que tenha gostado, Sr. Heiden. Acredito que já esteja ficando tarde e é melhor o senhor seguir seu caminho, estou correta? - os mais novos se olharam e Manuela deu de ombros. -Claro que sim! - ele colocou o bowl que continha a geleia em cima da mesinha. -Eu te acompanho até a saída! - Manuela fez o mesmo que ele. Stefan se despediu de todos e os dois foram até a porta. -Me desculpa pela minha família! -Eles são sempre assim? - ela ficou esperando o resto da frase -Certinhos e chatos? -São! - os dois riram. -É por isso que eu preciso sair daqui e preciso de você para isso. -Seus pais são de que ano? 50? -Quase isso! Somos uma família com muito dinheiro, então, quanto mais próximos, melhor. Não para mim, para eles. -E você me quer para sair desse palácio? -Com um tempo você se cansa e quer viver sua própria vida. Agora anda, vai! Nos falamos depois. -Posso abraçar minha namorada? -Ninguém está vendo, não precisa! Só vai! -Doce como uma mula. Até mais! - ele se despediu, entrou no carro que havia alugado e saiu dali. A menina entrou novamente na casa e quando ia subindo as escadas, foi chamada pela sua mãe. -Manuela! - ela parou no meio e se virou. -Gostei dele! - ela permitiu respirar fundo. A mulher assentiu e seguiu seu caminho. O começo do seu plano, estava dando certo.
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