Inácio Alencar é o presidente de uma enorme rede de livrarias.
Ele gostava de ver as pessoas a entrar e sair com livros nas mãos.
A cada ano ele fazia o possível para recrutar novo pessoal para a sua empresa, e a formação era dada pessoalmente por ele.
Para variar, ele decidiu recrutar estudantes recém formados na área de Literatura. Fariam apenas estágio de 15 dias e os melhores seriam mantidos a trabalhar na sede, enquanto os outros seriam mandados para as filiais.
Com essa ideia, Inácio chamou Mário o seu irmão de criação e Advogado.
- Inácio! Queres falar contigo?
- Sim Mário. Entre por favor.
Preciso que me obtenhas a lista dos novos estudantes formados em Literatura.
- A Sério?
- Sim. Pensei muito e percebi que eles também merecem uma oportunidade.
- Tudo bem. Farei isso logo após a cerimônia de formatura.
- E quando vai ser?
- Amanhã. Eles enviaram o convite. Não o viste?
- Ainda não. Mas farei questão de estar lá. Talvez eu escolha alguns pessoalmente para a formação deste ano.
- Certo. Mesmo assim vais precisar da lista?
- Sim. E de preferência com a fotografia e dados pessoais de cada um.
- Tudo bem. Cuidarei disso pessoalmente. Vou agora almoçar com a Cátia.
- Que óptimo. Acertaram as coisas?
- Sim. Eu prometi passar mais tempo com ela e o Júnior.
- Faça isso irmão. A madrinha vai ficar feliz.
- Com certeza. Até logo.
Inácio chamou a sua assistente.
Ela era também o seu braço direito e trabalhou alguns anos com os seus pais.
- Chamou Inácio?
- Sim Fernanda. Eu preciso que você ligue para a Universidade de letras e confirme a minha presença na cerimônia de formatura.
- Tudo bem. Mais alguma coisa?
- Sim. Recebeste o meu convite?
- Sim. Já o trago. Daqui a duas horas tens a entrega de certificado aos que terminaram a formação de Editoria.
- Óptimo. Lá estarei.
Tenho muito para revisar. Podes por favor mandar vir o meu almoço.
- Com certeza. O que devo pedir?
- Um conjunto de salmão por favor. E para beber peça apenas duas Coca-Colas.Preciso estar concentrado.
- Tudo bem.Farei isso agora mesmo.
- Obrigado Nanda.
Inácio começou a trabalhar e tocou o seu celular.
Era Célia Regina. Uma famosa estilista que andava atrás dele a muito tempo, mas Inácio sempre a dispensava.
- Alô Célia?
- Olá Lindo.Estava com saudades.
- Sério? Não sei se acredito.
- Ora Inácio. Sabes que sou mulher de um homem só.
- E eu sou um homem muito ocupado Célia Regina.
- Tudo bem. Liguei apenas para te convidar a almoçar comigo.
- Não posso.Estou cheio de trabalho e vou almoçar aqui mesmo.
- Tudo bem.Já vi que não tenho nem como fazer sombra no teu coração.
- Sinto muito Célia. Sabes bem o motivo.
- Sim eu sei. Vou deixar você trabalhar. Até mais Inácio.
- Até mais Célia. Obrigado por seres tão boa amiga.
- Disponha sempre.
Inácio desligou e respirou fundo. Desde que tinha sido largado no altar, ele trancou o seu coração e se recusava a confiar novamente numa mulher.
Mas o destino tinha outros planos. E daria a ele o benefício da dúvida de suas próprias palavras.
Alissa estava nervosa. Tinha acabado de chegar o momento mais aguardado por ela, e Maria sua melhor e mais leal amiga.
Pronta para sair, ela desceu as escadas e encontrou o pai a esperando.
- Olá Papai. Como estou?


- Estás linda minha filha.
Vamos? Tenho uma surpresa para você lá fora.
Alissa seguiu e segurou no braço do pai.
Sua mãe também apareceu e estava linda, mas Larissa não deu sinal.
- Que surpresa é essa querido?
- Vocês vão ver.
Quando o pai abriu a porta, Alissa se surpreendeu ao ver uma limousine à sua espera.

- Uma limousine?
- Você merece princesa. Agora vamos pegar a Maria e os pais.
Não podemos nos atrasar.
Os 3 subiram no carro cuja porta foi aberta pelo motorista.
Após pegarem Maria e a sua família, seguiram para a cerimónia de formatura.
Estava tudo lindo e muito bem organizado.
Havia jovens por todos os lados e todos eles muito elegantes.
Via - se que alguns eram de famílias abastadas, e que não lhes faltava dinheiro na conta.
Inácio sentiu - se meio perdido naquele meio.
Também foi estudante e sabia como era estar ali, mas ainda assim foi preciso se acostumar novamente.
Meio - perdido, ele foi ter com uma mulher que parecia professora.
- Olá! Sou Inácio Alencar. Pode por favor dizer onde posso me sentar?
- Com certeza Sr. Alencar. Venha comigo por favor.
Inácio seguiu a mulher e foi levado até uma mesa que tinha lugar para mais 3 pessoas.
A cerimónia seria muito formal, e havia um número específico de lugares e pessoas.
Alissa e os pais chegaram e foram levados aos seus lugares.
Alissa e Maria foram se juntar à turma, e seus pais aos outros pais.
Inácio terminava o seu champanhe, quando a directora começou a falar.
Ela apresentou a estudante que faria o discurso de agradecimento em nome dos estudantes.
Alissa levantou-se, agradeceu a directora e foi ao lugar indicado.
Quando ela começou a falar, algo naquela voz chamou a atenção de Inácio.
Ele olhou para o palco e viu uma linda jovem falando. Ela era morena e tinha um lindo par de olhos azuis. Seu cabelo era longo e abaixo dos ombros e o seu sorriso luminoso.
Há muito tempo que Inácio não reparava tanto numa mulher.
Houve aplausos e Alissa voltou ao seu lugar.
Ao voltar para casa com o seu motorista e segurança particular, Inácio não conseguia tirar da cabeça a imagem daquele sorriso.
Inácio desejou voltar a ver aquela mulher.... Só não imaginava que o seu desejo estava perto de se realizar.
Alissa foi parabenizada pela forma como discursou. Ela tinha mesmo o dom da oratória, e com certeza tinha feito a formação adequada.
Soube por alto que o dono da Alencar esteve presente, mas não chegou à tempo de o ver.
- Ele esteve aqui Maria. Você acredita?
- Ele quem Alissa?
- Inácio Alencar. Ele veio para a cerimónia. Com certeza já deve ter decidido.
- Não sei do que falas amiga.
- Ele sempre recruta pessoas para fazer uma formacao e trabalhar nas Livrarias Alencar.
Se calhar este ano optou por recém formados.
- Se for isso, sei que serás escolhida amiga. Eu torço por isso.
Alissa sorriu e sonhou com este acontecimento. Será que vai mesmo ser possível realizar este sonho?