Alissa organizou a sua documentação para a entrevista.
Ela não sabia do programa especial de recrutamento dos recém formados, e foi apenas para uma entrevista formal de emprego.
Usando uma roupa adequada, ela saiu de casa com o carro do pai, poos ainda não tinha o seu.
Ao chegar na imponente Editora Alencar, foi ter com a recepcionista, que a indicou o andar onde seria a entrevista.
Maria Rosa uma mulher de meia idade foi ter com ela.
- Bom dia. Tu és a Alissa Mendes?
- Bom dia senhora. Sou eu mesma.
- Meu nome é Maria Rosa.
Venha comigo por favor.
O Senhor Alencar vai falar pessoalmente com você.
Alissa sorriu e agradeceu.
- Obrigada.
Foi levada até ao que era uma sala de reuniões.
- Ele vem num minuto. Sente-se por favor.
Alissa sentou-se e observou a linda vista à sua frente.
Inácio entrou em seguida.
- Bom dia Senhorita Mendes.
Seja bem vinda e.... - Então ele a reconheceu. Tinha sido ela a fazer o discurso, e isto o deixou feliz.
- Senhor Alencar.. Bom dia...
- Sente-se por favor.
- Obrigada.
- Veio por causa do nosso programa de recrutamento?
- Não eu... Eu recebi um email para uma entrevista.
- Ah claro. Me desculpe.
Acho que não foi informada.
- Não entendo Senhor.
- Nós temos um programa de recrutamento de estudantes recém formados para um estado inicial de 15 dias.
- A sério!?
- Sim. Seleccionamos por meio de uma lista.Qual é mesmo o seu nome completo? Só para confirmar...
- Alissa Isabel Mendes.
Inácio verificou a lista e o nome dela era o primeiro. Ele sabia disso, mas apenas quis ouvir a voz dela.
- Senhor Alencar? Está tudo bem?
- Ah sim Alissa! Parabéns. Você está na nossa lista. Estás disposta a tentar?
- Sim. É claro que sim. Ser editora é o meu sonho.
- Então seja bem - vinda.. Por favor dê seus documentos a Maria Rosa....- Inácio estendeu a mão para ela...
Alissa fez o mesmo e então aconteceu. A eletricidade surgiu e tomou conta da sala.
Alissa sentiu e Inácio também... Ela soltou a mão e sorriu timidamente.
- Muito obrigada pela oportunidade Sr Alencar.
- Aproveite Alissa... Podes começar na segunda-feira?
- Sim claro que posso.
- Óptimo. Maria Rosa vai explicar tudo.
- Está bem....- Alissa saiu e foi ter com a mulher que a esperava no corredor.
- Correu tudo bem menina?
- Sim Senhora. O senhor Alencar mandou lhe entregar os documentos.
- Venha comigo. Seja bem - vinda.
São muitos escolhidos, mas poucos conseguem uma vaga.
- Eu vou me dedicar bastante..
Trabalho não é problema para mim.
- Excelente.. Serei a tua supervisora. Não hesite em falar comigo caso aconteça alguma coisa.
- Pode deixar. Obrigada.
Alissa cumpriu as formalidades.
Recebeu um cartão credenciado e depois de assinar algumas coisas foi para casa.
Estava ansiosa para contar as novidades aos seus pais e para Maria também..... Era o começo de uma nova fase da sua vida.
Agora tinha a certeza que o seu sonho começava a ser realizado.
Poderia viver sozinha, ter o seu carro e ainda ajudaria os pais, e não aceitaria uma resposta negativa.
Alissa tinha só mais dois dias livres. Com o início do seu estágio, ela não poderia mais trabalhar com Priscila como antes.
Para isso resolveu ir até lá e ter uma conversa.
- Bom dia Cila.
- Bom dia Alissa. Como foi lá na Editora?
- Foi óptimo. Conheci pessoalmente o Sr. Alencar.
- A sério?
- Sim. Ele é sério mas muito legal.
- E conseguiste a vaga?
- Bem! Eles têm um programa especial de recrutamento.
E eu tive a sorte de ser seleccionada para participar.
Se me sair bem, terei um emprego definitivo.
- Que óptimo. Só lamento não ter você mais aqui. E a Maria também não vai mais poder me ajudar.
- Eu pensei muito nisso Cila.
O estágio será de segunda à sexta-feira por meio período.
Eu posso vir a partir das 14 horas e trabalho até às 18.
- Mas, não será demais para ti querida?
- Claro que não. Cila sabes que eu viveria aqui se fosse possível.
Posso descansar em alguns finais de semana, mas venho fazer a habitual leitura para as crianças.
- Nossa Alissa. Você é mesmo muito especial.
- Eu adoro trabalhar aqui Cila.
Um emprego novo não vai mudar isso.
- Está bem. Aceito a tua proposta com uma condição.
- Qual é?
- Vou assinar a tua carteira de trabalho e aumento o teu salário.
- Mas Cila...
- Não podes dizer não.
- Está bem.. E quando começa a reforma?
- Daqui a duas semanas. Teremos muito trabalho. O espaço será maior, isto significa que poderei contratar mais pessoas.
- É óptimo Cila. E podes sempre contar comigo. Vou para casa me trocar e volto em meia - hora. Pode ser?
- Claro. Eu estarei aqui.
Alissa foi para casa. Melissa olhou para a sua livraria e soube o que tinha de fazer.
Ela estava com 50 anos e não tinha filhos. Via Alissa como sua filha, e decidiu fazer dela a sua herdeira legítima, mas não revelou nada.
Sempre muito discreta sobre a sua vida, Priscila tinha muito mais do que demonstrava.
Tinha herdado uma fortuna de seus pais além da livraria.
Ela manteve tudo na mesma por eles, mas com a proposta da Alencar, ela percebeu que realmente tinha que mudar.
O seu advogado já tinha feito as alterações necessárias no testamento.
Ela deixaria tudo para Alissa.
Sabia que o seu tempo estava no fim, por ter descoberto que tem um tumor.
Pouca gente percebia que o seu cabelo era na verdade uma peruca, e que ela estava cada vez mais magra.
Os remédios ajudavam, mas ela estava cada vez mais fraca e cansada, e não sabia se poderia suportar as dores por muito mais tempo.
Apesar disso, ela ia trabalhar e mantinha o seu sorriso sempre presente. Lamentava não poder contar à Alissa sobre a sua doença, pois sabia que ela sofreria demais.
- Cilla!? Você me ouviu?
- Sim querida. Me desculpe. Pensava no quanto este lugar vai ficar ainda mais bonito e especial com a reforma. Será moderno.
- Eu estou ansiosa. E vai ser óptimo termos cartões para todos. m*l posso esperar para ver tudo isso Cilla. E daremos uma enorme festa de inauguração.
- Claro que sim. Vai ser uma linda festa.
A reforma seria feita por partes. Cila não acreditava mais que estaria viva quando terminasse na totalidade, mas as surpresas para Alissa não seriam poucas.