_ Bom dia, Srta Passion _ ouvi sua voz no telefone após atender.
_ Bom dia, Sr Dream. O que deseja?
_ Bem, o que eu desejo não vem ao caso, no momento. Mas eu preciso que a senhorita faça reservas no melhor restaurante da cidade, para o almoço. E peça para a floricultura entregar um buquê de rosas vermelhas na minha sala as onze da manhã.
_ Deve ter um bilhete, Sr Dream?
_ Não. Eu mesmo lhe entregarei as flores.
_ Mais alguma coisa, Sr Dream?
_ No momento é só. Obrigado.
_ Disponha, senhor.
Esperei que ele desligasse, para fazer o mesmo. Comecei as ligações para cumprir as suas ordens. Parecia que eu finalmente tinha a minha resposta. Existia uma mulher a quem Thomas Dream amava, ela estava vindo almoçar com ele hoje, e receberia rosas vermelhas de boas vindas. Como eu pude passar o meu final de semana inteiro me iludindo com o meu chefe?
A garota que eu vi entrar em sua sala, através da minha porta aberta, era linda. Não tinha mais que dezoito anos. Ruiva, uns dez centímetros a mais do que eu, e alegre. Ele a abraçou as gargalhadas, na porta da sua sala. Beijou o seu rosto. Estava realmente feliz por vê-la e isso era recíproco. Ela entrou, mas ficou pouco. Logo eles foram almoçar, ela levava o buquê. Não voltou com ele, do almoço. O Dream estava sozinho.
Fui chamada até a sua sala, quando um senhor chegou. Eles conversaram em Israelense. Perdi parte da conversa, mas entendi que o Thomas Dream negou algo ao senhor que lhe disse claramente "não se meta comigo, scottish", antes de sair bravo. O olhar verde veio para mim, e um sorriso de lado, nada irônico, surgiu no seu rosto.
_ Você pegou isso, eu sei que pegou.
_ Foi uma ameaça?
_ Claro que sim _ soou a descaso _ Nós vamos para Marrocos na próxima semana, Srta Passion. Providencie tudo, para nós dois. Quero uma suíte presidêncial dupla. Ficaremos juntos.
Mordi o lápis que levei a boca, enquanto analisava a última frase dita por ele.
_ Por que? _ não pude evitar a pergunta.
_ Ora, "por que"? Você é minha responsabilidade, Srta Passion.
_ Eu corro perigo?
_ Eu sei que você sabe a resposta para essa pergunta. _ afirmou uma vez, me olhando fixo. _ Se você ainda está aqui, é porque não importa.
Ele sabia!!! p**a merda! Ele sabia que eu decifrei os códigos. Sabia da minha descoberta sobre a empresa de faixada. Ele sabia, e não ligava. Se ele não ligava era porque estava me vigiando, sim ele estava. Mas porque ainda estou aqui? Por que ainda estou viva?
_ Por que ainda estou aqui, Sr Dream?
_ Boa pergunta, me diz você?
_ Eu não sei.
_ Sabe _ sorriu. _ A frase que acabou de dizer não combina com você. Garota esperta! Você sabe de tudo, e o que ainda não sabe, irá descobrir. É emocionante, não é?
_ Sr Dream, eu não o compreendo.
_ Eu confio em você, Alana _ olhou bem nos meus olhos _ E você, confia em mim?
Afirmei, estremecendo por perceber que era verdade. Eu confiava naquele desconhecido.
Continuou _ Eu protejo você... se me contar tudo. Você tem algo para me contar?
_ Um homem me atacou ontem _ desabafei.
Sorriu divertido e olhou para baixo, relembrando _ Acho que ele levou a pior.
_ Como sabe? Está me vigiando?
Levantou a camisa social me mostrando o roxo que o meu chute fez, no seu abdômen.
_ Eu precisava saber se você poderia se defender. E sim, estive te vigiando. Você sabe demais.
_ Vai parar.
_ Claro, quando for seguro para você. Ainda pode se demitir _ ofereceu.
Fiz um balanço rápido da situação. Eu estava correndo perigo, sendo vigiada, testada, analisada, aprimorada e só fazia dois meses que eu estava neste emprego.
_ Você se demitiria se estivesse no meu lugar?
_ Nem em um milhão de anos.
_ Por que não?
_ Porque eu gosto de você, Alana. E se eu estivesse no seu lugar, ficaria perto de quem gostasse de mim assim. E você gosta deste emprego, nasceu para isso. Está se esforçando para caber aqui. Eu vejo.
Sorri, ele tinha razão _ Posso te fazer uma pergunta? _ ele afirmou _ Por que você faz isso?
_ Por que eu gosto e pecúnia non olet. O dinheiro não cheira. Concorda?
_ Sim.
_ Ótimo. _ começou a sublinhar palavras num papel _ Então vou incluir um bônus pelo risco de vida no seu pagamento a partir de agora.
_ Vou ganhar mais?
O meu salário já era mais alto do que no meu antigo emprego.
_ Confiança é muito valiosa. _ parou o que fazia e me olhou.
_ Entendo.
No fim do dia, outra mulher veio encontrá-lo. Parece que a garota da tarde não era um romance afinal. Estou começando a concordar com os outros. O Thomas Dream é feito de ferro, não tem nada em seu peito, no lugar do coração.
A viagem na primeira classe foi maravilhosa. O carro onde eu estava com o senhor Dream, depois de desembarcar, era um quatro por quatro escoltado por seguranças fortemente armados. Usavam coletes a prova de balas. Já nós dois não, o que eu não entendia.
Estávamos no deserto, quando algo fez um barulho semelhante ao de um rojão seguido de uma explosão. O Thomas me forçou a abaixar junto com ele.
_ Alana, estamos sendo sequestrados, fique calma. Estou com você.
Houve outra explosão, e na confusão, uma arma caiu aos meus pés. Avancei para pegar e o Thomas a chutou para longe. No segundo seguinte, vi uma arma apontada entre os meus olhos. Se tivesse pego aquela arma, estaria morta agora.
Levantei às mãos e o olhar, e vi o ruivo rendido por dois caras que apontavam as armas para ele. Com um saco de estopa na cabeça. Fomos levados para uma caverna no deserto. Amarram as minhas mãos num tronco às minhas costas. Quando removeram o saco da minha cabeça vi o Thomas ao meu lado, igualmente amarrado.
Um cara bravo, falava com ele. Queria dados. Ele irritou o cara, rindo bem alto. O cara bateu na lateral do seu abdômen e eu gritei, no seu idioma, para que ele parasse. O cara se irritou comigo. Mulheres não falam se não são autorizadas. Quando o cara vinha na minha direção o Thomas deu um chute no queixo do homem, e o agarrou com as pernas em volta do seu pescoço. Foi diferente de como eu faria. Como um cruzar de pernas, uma sobre a outra. O cara desmaiou e o Thomas tinha se soltado das cordas. Havia um frasco de lubrificante na sua mão e ele jogou nas minhas mãos.
_ Recolhe o polegar para o meio da mão e desliza para se soltar.
_ Você carrega lubrificante por aí?
_ É muito útil, você nunca usou. Esse daqui, esquenta a região e a sensação é muito...
_ Me poupa destes detalhes embaraçosos.
_ Embaraçoso por que? Você é virgem?
Consegui me soltar e saímos numa boa. Os caras ainda não estavam preparados para a chegada do Thomas. A falta de organização deles foi crucial para nossa fuga. Nos escondemos numa pequena caverna e ficamos lá.
_ Por que nós não estamos fugindo? _ sussurrei.
_ Não podemos. Aqui é a casa deles. Nos pegariam fácil.
_ Qual é o seu plano?
_ Esperar.
_ Esperar? _ repeti decepcionada.
_ Tenho um chip subcutâneo que está informando para os meus homens aonde nós estamos, bem agora. O exercito virá nos buscar.
Suspirei aliviada.
Estando muito próximo de mim, por causa do pouco espaço que tínhamos no nosso esconderijo, ele me olhou bem de perto.
_ É sério que você é virgem?
_ Que tipo de pergunta é essa?
_ É bem mais inocente do que querer saber por que eu trago um lubrificante no bolso?
_ Eu não quero falar sobre isso.
_ Como você conseguiu? Não sente curiosidade?
Olhei em seus olhos com minhas bochechas vermelhas, eu as sentia.
Continuou _ Já sei. Você tem medo da dor, não é?
_ Está rindo de mim? Sou engraçada para você?
Constrangimento, vergonha, raiva, me tomavam. Qual era o problema de ter vinte e dois anos e ainda ser virgem, afinal?
Sorriu achando graça _ Não, Alana. Você só é surpreendente.
Ficamos ali abraçados e bem próximos até ouvir um assovio imitando uma cotovia. O Thomas sorriu para mim sem se mover.
_ Está pronta para ser livre de novo?
_ São eles?
_ Sim, querida. Eu não disse que te protegeria? Acredita em mim, agora?
_ Nunca duvidei. Mas porque nós não saímos?
_ Porque há uma possibilidade de ser uma emboscada. Os meus homens sabem onde estou. Virão até aqui.