Capítulo 15

1273 Palavras
Lily Fico um tempo em choque tentando absorver o que acaba de acontecer. Meu pai me olha decepcionado por minha mentira, mas não é o seu olhar bravo que me deixa desorientada e sim o que Ben disse a alguns segundos atrás. Isso porque as suas palavras fizeram minha mente dá um pequeno estalo e, de repente e sem aviso, tomo consciência de que tudo o que sentia por Ben também era mais do que amizade e que sempre reprimia. _ Reage, Lilica. - Elle diz me dando um leve empurrão. - Vai atrás do seu namorado antes que ele vá embora. _ Como assim? Eles acabaram de assumir que estavam mentindo. - Papai fala confuso. _ É que eles fingiram tão bem que eram namorados que acabaram esquecendo que era uma mentira. - Minha irmã fala em tom de brincadeira. _ Está tentando dizer que sua irmã e o Ben no final estavam namorando de verdade? - Pergunta coçando a cabeça. _ Não. Mas vou corrigir esse erro agora mesmo. - Digo me enchendo de coragem antes de entrar. Ao passar pela sala mamãe tenta me parar para perguntar o que está acontecendo, mas a ignoro e sigo direto para o andar de cima. Encontro com Ben deixando o meu quarto com a sua mala assim que alcanço o último degrau. _ Onde está indo? - Pergunto parando diante dele. _ Estou voltando para Nova York. - Suspira deixando a mala no chão. _ Mas e o natal? - Pergunto dando um passo em sua direção e reduzindo a distância entre nós. _ Vou passá-lo sozinho como sempre foi. - Diz dando de ombros. - A menos que você me dê uma razão para ficar. - Seus o olhos estão vidrados nos meus enquanto também dá um passo em minha direção. - Basta me dizer que não preciso ir que eu fico. - Dá mais um passo ficando agora a poucos centímetros de mim. Me fazendo engolir em seco. _ Não posso te impedir de sair dessa casa. Se realmente for isso que quer fazer. - Falo vendo os seus ombros caírem um pouco. - Mas não vou te deixar ir embora sozinho. Seus olhos brilham tanto quando os enfeites da árvore de natal e um lindo sorriso começa a se formar em seus lábios. O sorriso que sempre espero receber quando estamos juntos e que amo quando acontece quase me deixando sem fôlego. Como agora. _ O que quer dizer com isso? _ Que somos dois idiotas que estamos perdendo tempo conversando quando tudo o que queremos é nos beijar. _ Concordo com você. - Diz antes de me puxar pela nuca e me beija. Me entrego completamente ao momento sem o menor receio. Quando nós afastamos estamos ofegantes, mas risonhos. Ele se curva um pouco sobre mim colando sua testa a minha. _ Acho que agora somos namorados de verdade. - Brinco com um sorriso de lado. _ Não quero mais ser seu namorado. - Diz e me afasto dele chocada. _ Mas eu pensei... _ Quero ser mais o que isso. - Toca em meu rosto. - Quero me casar com você. Quero ter filhos com você. E quero vir até a casa dos seus pais todos os finais de ano para passar as festas. _ Está me pedindo em casamento? - Assente com um leve balançar de cabeça. - Então faça isso direito. _ Como quiser. Antes que consiga reagir ele entrelaça nossas mãos e me puxa em direção a escada. A sala está uma completa bagunça de pessoas falando ao mesmo tempo e exigindo uma explicação sobre a minha mentira. Apenas Jenny e Gen estão quietas observando tudo e tenho a leve impressão de que estão gostando. _ Querem fazer o favor de explicar o que está acontecendo aqui? - Mamãe pergunta com as mãos apoiadas na cintura. _ Nós mentimos sobre sermos namorados. - Começa sem rodeios. - Sei que foi uma atitude infantil de nossa parte, mas creio que foi uma experiência que ambos precisavam viver. _ A experiência de enganar toda a família? - Tia Maggie diz em seu drama exagerado. _ A experiência de olharmos um para o outro com amor. - Ele rebate sem abaixar a cabeça e gosto de ver que não se intimida fácil. - Sempre amei a filha de vocês. - Diz voltando sua atenção para os meus pais. - Começou com uma amizade e isso meio que nublou a nossa visão para o que esteve todo o tempo diante dos nossos olhos. - Faz uma breve pausa para me olhar antes de tornar a atenção para eles. - Amo a filha de vocês. Isso é a mais pura verdade. _ E por que todo esse discurso? - Papai pergunta cruzando os braços. _ Porque quero pedir que me concedam a mão da filha de vocês em casamento e que não duvidem que o que sinto por ela é real. Meu pai coça o queixo pensativo. Sei que faz isso para brincar com Ben.Ele fez o mesmo com Jordan quando ele veio oficializar o pedido de casamento com Eleonor. Depois de um minuto inteiro de silêncio e suspense ele sorri acalmando a todos. _ Se realmente se amam e se for o que minha filha deseja vocês tem a minha benção. - Diz passando o braço por sobre os ombros da minha mãe. - É para ela que você deve perguntar. _ Claro. - Ben se volta para mim e seus olhos brilham pela emoção. - Você aceita casar comigo? _ Sim. - Digo me atirando em seus braços. E a plateia festeja a nossa volta. Depois de muitos abraços e beijos de toda a família taças de um espumante são servidas para os adultos e suco para as crianças e fazemos um brinde. _ Esse foi o melhor Natal de todos. - Ele sussurra em meu ouvido. _ O meu Também. - Respondo no mesmo tom antes de beijá-lo. DOIS ANOS DEPOIS... Sorrio olhando Jenny e Gen brincarem com Max no jardim. Gosto de vê-las agindo como crianças, principalmente Gen. A minha filha mais velha teve dificuldade em se adaptar no começo, mas aos poucos foi se soltando. Óbvio que seus traumas ainda existem, mas o psicológico que a acompanha a está ajudando a superar cada um deles. _ Admirando a família, mamãe? - Ben pergunta me abraçando por trás repousando a mão sobre a minha barriga enorme de oito meses que abriga o nossos menininho. _ Sempre. - Me recosto nele com um suspiro. - Falou com meus pais? _ Sim. Eles estavam prestes a embarcar no avião. Logo essa casa vai estar aquela bagunça. _ Que você ama. - Digo me virando para ficar de frente para ele. _ Amo. Sabe o que amo também? - Cola sua testa a minha. - Você e a família que me deu. - Sorri quando nosso filho se mexe em meu ventre. - Obrigado por esse presente. _ Foi um trabalho em equipe. - Brinco o fazendo rir e me beijar de leve os lábios. - Vamos colocar aqueles três para dentro que está frio e não quero ninguém doente nesse natal. As meninas são boazinhas e entram sem muitos problemas. O teimoso é Max que precisa de muita barganha para colocá-lo para dentro. As próximas duas horas passam com as meninas agitadas ansiosas para reverem os avós, os tios e os primos. E quando todos chegam a festa está completa. Nunca pensei que o natal se tornaria a minha festa preferida. E pensar que isso só aconteceu porque eu e meu melhor amigo decidimos mentir que estávamos juntos.
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