POV: Isadora Volkov
O som do despertador às cinco da manhã parecia um martelo golpeando minha têmpora, mas o silêncio que se seguia era pior. Era o silêncio de uma casa que eu sustentava sozinha, equilibrando o peso de ser o pilar de uma família que o destino insistia em derrubar.
Caminhei até o quarto dos gêmeos. Lucca e Antonella dormiam profundamente, alheios ao fato de que o leite estava no fim e que o aluguel era uma contagem regressiva para o despejo. Eles tinham dez anos agora. Dez anos de uma luta que começou quando eu tinha apenas quinze, a mesma idade em que o mundo me deu dois filhos e me tirou o chão sob os pés.
Naquele ano, enquanto eu aprendia a ser mãe, o sangue do meu tio Léo era derramado. Na época, eu era apenas uma menina assustada. Mas hoje, aos vinte e cinco, enquanto olho para as contas vencidas na mesa da cozinha, as peças começam a se encaixar de um jeito c***l.
Não foi apenas uma briga de rua. Foi uma emboscada.
O relógio na parede fazia um som seco, repetitivo, como se contasse os segundos de vida que restavam para o Oliver. Meu irmão, com apenas vinte e três anos, estava atrás das grades, cercado por lobos que temiam o sangue que corria em suas veias. Eles sabiam que, se o Oliver quisesse, ele poderia retomar o que era do Tio Léo. E, por medo desse poder, eles o trancafiaram no inferno.
O vibrar do celular na mesa interrompeu meus pensamentos. Era Ryan.
— Isadora? Estou passando aí no fim de semana para buscar os pequenos. Precisa de algo?
A voz dele era calma. Ryan era um pai presente, o único ponto de paz em meio ao caos, mas nem mesmo a ajuda dele era suficiente para deter a tempestade que se aproximava. Eu precisava de mais. Eu precisava de justiça.
Eu ainda não sabia, mas o sangue russo que eu carregava estava prestes a cobrar o seu preço. E eu estava disposta a pagar qualquer valor para tirar meu irmão daquele matadouro e dar aos meus filhos o império que nos foi roubado.