Analu Eu tô parada na frente da porta da sala de estar da casa dos meus pais, o coração batendo tão forte que parece que vai sair pela boca. O jantar de ontem ainda tá fresco na memória: o silêncio depois que o Cayo levantou da mesa, o olhar do meu pai como se ele tivesse levado um tapa na cara, a mão da minha mãe tremendo segurando o guardanapo. Eu saí dali com o Zyon no colo do Cayo e o orgulho dele me segurando pela cintura. Mas hoje eu voltei. Sozinha. Porque algumas coisas precisam ser ditas cara a cara, sem plateia, sem o Humberto no canto da mesa sorrindo como se tivesse ganhado. A Clara abre a porta, me reconhece, me dá um sorriso pequeno. — Bom dia, senhorita Ana Luísa. Seus pais estão na segunda sala. Eu entro. O cheiro de café fresco e perfume caro me atinge como uma lemb

