Analu A madrugada tava silenciosa. O tipo de silêncio que só existe quando todo mundo dorme, quando o mundo parece pausado. Eu tava naquele sonho leve de grávida, meio acordada, meio dormindo, quando senti. Uma fisgada na barriga. Depois outra. Mais forte. Sentei na cama, a mão na barriga, a respiração acelerando. Esperei. Nada. Deitei de novo. Aí veio a terceira. Dessa vez foi um aperto que me fez gemer baixinho. — Cayo — chamei, a voz ainda sonolenta. — Cayo, acorda. Ele não acordou. Roncou mais alto. A quarta contração veio, forte, e eu não segurei o gemido. — CAYO! Ele acordou feito um louco, quase caindo da cama. — O que foi? Que que houve? — A Zaya — eu disse, ofegante. — Ela tá chegando. Ele olhou pra mim, os olhos arregalados, e por um segundo congelou. Depois pulou da

