DIMITRI
Eu estava esperando esse dia ansiosamente.
Demorei para conquistar a mulher e quando conquistei eu nem pude ficar com ela!
Eu e a Flávia fomos um casal complicado. Talvez ainda sejamos. Bem, eu já descobri como tem que ser para agradá-la. Tem que fazer tudo o que ela quer. E, eita mulherzinha exigente! Mas eu a amo e nada do que eu faça é sacrifício. Faço com o maior prazer.
Anos namorando no sofá. O meu sogro não tem um pingo de confiança em mim!
Tudo bem que eu sou um Lucchesi, ele é um Callalto, mas me falaram que ele era o melhorzinho entre eles!
Só se for pra outras pessoas. Ele sempre está de olho em mim. Acha que eu vou sequestrar a filha dele.
Bem que eu queria, mas resolvi andar dentro da lei depois de terminar tantas vezes com a Flávia por motivos fúteis.
Ainda bem que acabamos com os Petrov. Que desculpa meu sogro vai inventar? Nenhuma.
Estamos viajando para um lugar que é quase um paraíso e vamos aproveitar muito juntos.
Ela estava olhando a rua enquanto eu dirigia.
— Passe devagar naquele trecho ali. — ela apontou. — Tem muitos buracos.
— Quem é o prefeito desta cidade? Nunca consertam esse buraco. É algum parente seu?
— Sim. A sua mãe. Você adora criticar a minha família paterna, né?
Eu ri. — Não posso deixar os bons costumes de lado.
— Por isso o meu pai não confia em você. E pra o seu governo, o prefeito não é um Callalto. Os Callalto mandam nas leis da cidade, mas não tem nada a ver com a prefeitura.
— Se fosse na minha cidade, ou ele consertava do dia pra noite ou ele seria enterrado no mesmo buraco que fode o meu carro.
Sofremos um tranco com o carro.
— Olha aí. Conversa demais e não vê a estrada! Não é falando que os buracos vão sumir. Tem que ter muita prática pra dirigir aqui. O Fred às vezes sofre pra passar aqui.
— Não me compare àquele viadinho. — dirigi devagar.
Ela balançou a cabeça em negação e olhou para a janela do carro.
Eu não gosto da amizade dela com o Frederico Callalto. Eles já tiveram um caso quando o o****o até já sabia que ela era parente.
Imagine se ele respeita alguém?
Não respeita ninguém.
No dia em que eu pegar aquele sacana se esfregando na minha namorada, a coisa não vai dar boa pra ele não.
— Como estão as coisas no reino Lucchesi?
— Bem. Damon e Olívia estão fodidos com os filhos destrutivos deles, que vão para a escola e arranjam cinco brigas por semana, para Thomas não está diferente. Hugo continua um endemoniado rebelde. Aliás, Thomas já o proibiu de ir para a minha boate. Pagou para os meus seguranças não o deixarem entrar e se entrar, ele deu a ordem para darem uma surra. Semana passada ele pegou o jatinho do Thomas e foi parar em Vegas com os amigos. Quem contou foi o Silas, que é o agente do caos. E falando em agente do caos, só a Sophia está quieta esses dias. Parece que Cecília conseguiu colocar rédeas nela.
— Ainda estou traumatizada com o que aquela peste fez comigo. Passou a minha prancha nos cabelos da boneca e o mais assustador: queria que eu fosse a sua mãe. Eu preferiria procurar um bruxo e ressuscitar a Andréia, mas não aceitaria uma coisa dessas!
— Não me lembre daquele estresse. Dormir com o Thomas, Flávia! — olhei para ela de relance, e esfreguei meu rosto.
— Eu já disse que foi ele quem entrou no quarto. Não aconteceu nada. Absolutamente nada. Nem nunca vai acontecer. Agora ele arranjou aquela desavisada, vai cair na cama deles.
— Cecília é legal.
— Claro. Você vira o melhor amigo de todas as suas cunhadas. Você é muito carente.
— Sou mesmo. — a encarei carente. — Você tem uma semana para matar a minha carência.
— Uma semana, DIMITRI?! Eu achei que eram dois meses! — ela berrou.
— Era pra ser mesmo dois meses, mas eu não posso abandonar a boate por dois meses, Flávia. Meus irmãos se recusaram a ficar no meu lugar. A princípio Damon ficou empolgado com a ideia, mas na segunda conversa já disse que não iria. Na certa a Olívia não deixou. Thomas é outro sem futuro. Meu pai aceitou a empreitada, mas não posso deixar tudo nas mãos dele por tanto tempo. Primeiro que ele não tem tanto tempo livre e segundo que ele vai começar a fazer mudanças e querer ser o dono. E ninguém manda nas minhas coisas. Esta semana serão só o início. Depois a gente vai ter tempo pra se divertir juntos. Você pode ir para a minha casa... Pode ficar lá mais sete ou oito semanas para completar os dois meses.
De qualquer forma eu vou ficar satisfeito. Independentemente de onde estaremos, desde que estejamos juntos pra mim está tudo bem.
— Eu arrumei uma mala para dois meses. — ela explicou desapontada.
E esse decote... tem que ter controle.
— Desnecessário. Mesmo que fossemos ficar dois meses lá, você não usaria tudo isso. Nem vai precisar de roupa, na verdade. — meus olhos só paravam no decote.
Ela riu olhando para o lado, de braços cruzados. — Você é descarado, né! Não sei por que ainda te dou a ousadia.
— Porque você me ama. — segurei o seu queixo. — Me dê um beijo.
— Não. Preste atenção na direção. Vamos chegar atrasados no aeroporto, Dimitri!
Soltei seu rosto e foquei na direção. — Eu acabo com essa sua brutalidade quando chegar no hotel.