DIMITRI
Duas semanas depois…
Não saímos mais com o mesmo pessoal e foi a própria Flávia que deu uma enrolada neles, dizendo que tínhamos outras coisas para fazer.
No momento eu não posso encontrar o bosta do Ramon, porque se eu não matar eu deixo hospitalizado por um bom tempo. Já até avisei ao Leon que da próxima vez que quiser sair comigo, ele tem que ver bem quem ele vai convidar.
Durante essas últimas semanas, mesmo estando em Madrid, não deixei de pensar no meu pai e na minha boate.
Não entra na minha cabeça que foi um acidente. Que não há ninguém a quem culpar senão a mim mesmo, já que a boate era minha. Isso me deixa aflito. Não consigo me livrar da culpa.
Dei todo o apoio financeiro para a família do funcionário que perdeu a vida na boate naquele dia. Infelizmente não pude dar apoio psicológico, já que o meu psicológico ficou fodido, estou na mesma posição que eles. De alguém que perdeu um ente querido.
Estamos viajando e verei novamente a minha família.
Não vou dizer que esses últimos dias foram tão pesados quanto quando eu ainda estava perto deles, mas sei que quando reencontrar a minha mãe e meus irmãos, sentirei muito pela falta de nosso patriarca.
É o aniversário do Hernando e vamos para a mansão que ele herdou da sua outra família.
Flávia está empolgada. Na última vez que tivemos lá, criamos memórias muito boas. Quer dizer, o Damon ficou furioso com a gente, Flávia vivia brava comigo. Na época infernizamos a vida do meu irmão, porque eu e Hernando não tínhamos pretensão alguma de tomar algum prumo na vida.
Nessa época eu já era louco pela Flávia.
— Hernando vai fazer 28 anos com a idade mental de 13. — Flávia comentou sorrindo. — Aliás, ele reviveu o grupo dos Power Rangers e colocou a Cecília e o Thomas nele. Thomas nem é divertido.
Peguei meu celular e dei uma olhada enquanto esperamos o avião pousar.
Grupo dos Power Rangers.
Mensagem de Hernando: Atenção, bando de mafiosos desgraçados. Na minha festa só tem uma regra: não pode derrubar a casa. Eu comprei tanta bebida que vocês vão se entupir.
Mensagem de Thomas: Que p***a de grupo é esse?! Que nome i****a de grupo é esse? Tanta coisa que tenho para fazer e vocês me colocam numa coisa i****a dessas! Damon, até você está aqui?!
Meu irmão sabe ser chato, hein!
Mensagem de Damon: Estou aqui contra a minha vontade.
Mensagem de Cecília: Gostei do nome do grupo. Kkkkk
Mensagem de Olívia: A minha babá que se vire para cuidar dos fedelhos. Eu vou me esbaldar nessa festa.
Mensagem de Damon: Olívia?
Mensagem de Hernando: Essa é a Olívia que conheço!
Mensagem de Flávia: Já estamos no avião. Daqui a pouco chegamos.
Mensagem de Thomas: Afs. Vou voltar para casa.
Mensagem de Flávia: Vou fingir que isso não é comigo @Thomas. Porque você nunca deixa de ser um porre.
Mensagem de Damon: Vou levar uma caixa de charuto.
Mensagem de Flávia: @Damon kkkkkkk quem p***a vai querer fumar charuto?
Mensagem de Damon: Eu.
Mensagem de Olívia: @Damon o que conversamos sobre a p***a do charuto? Eu não gosto do cheiro dessa coisa!
Mensagem de Cecília: @Olivia também odeio.
Mensagem de Hernando: Tia Stefania disse que vem também.
Mensagem de Damon: Mentira!
Mensagem de Thomas: Não creio.
Mensagem de Flávia: @Olivia prepare a macoha para a sua sogra kkkkk.
Olhei para a minha namorada, que ri da mensagem.
Mensagem de Dimitri: Desde quando os Power Rangers se tornaram BTS? Acho que o humor do Thomas não cabe neste grupo. Agora que virou Dom, ele se acha bom demais para tudo.
Mensagem de Thomas: Lá vem o bebê da mamãe falar merda.
Mensagem de Hernando: O que traz de bom, Dimi?
Mensagem de Dimitri: Uma garrafa de Royal Salute 62.
Mensagem de Hernando: É desse jeito que eu gosto!
Mensagem de Olívia: Acho que estou tendo um déjà vu. Hernando, desta vez não invente de ouvir nossas conversas discretamente na piscina. Eu te afogo.
Mensagem de Flávia: Momentos inesquecíveis. Kkkkkk
[...estamos há 10 mil pés. o tempo hoje está bom. Céu limpo. 21°. Logo pousaremos].
Deixei o celular de lado. Flávia estava com um sorriso enorme no rosto.
— Estou animada para esse fim de semana. Acho que vai ser tudo de bom.
— Tenho medo quando você diz isso. Sempre arranjamos problemas.
— Mas é a nossa família. — deu de ombros.
— A minha mãe estará lá. — ri. Isso será interessante.
— Acho que ela não vai mais implicar comigo. Ela sabe que eu cuido muito bem do bebê dela. — apertou minha bochecha.
— Não entre nas brincadeiras de Thomas. Por favor. Você sabe que de bebê eu não tenho nada. — segurei seu braço e afastei do meu rosto.
Ela ri de mim.
Assim que o avião pousou, um motorista da família nos levou até a minha casa e de lá, pegamos o meu carro e viajamos para a propriedade do Hernando.
Flávia estava planejando antes de voltarmos a Madrid, visitar seu pai e sua família Callalto. Ela é muito apegada a eles. Tanto quanto a família Lucchesi. Não há um dia sequer que ela não fale com eles.
Eu concordei. Não estou louco de privá-la disso para ter dez ou mais pistolas apontadas em minha direção.
— Pelo visto tem mais gente do que imaginamos. — Comentei ao ver muitos carros parados em frente a mansão do nosso primo.
Estacionei ao lado do Jeep do Damon e saímos. Agora ele anda com carros maiores por causa da renca de filhos.
Entramos na mansão e cada um foi para um lado.
FLÁVIA
Olívia aparece desorientada. — CADÊ VOCÊ, ARES?! DAMON! — gritou e assim que me viu, veio me dar um abraço. — Tudo bem, Flávia?
— Estou ótima.
Damon apareceu com um drink na mão e veio logo me dar um abraço. — O que foi, amor?
— Onde está o exterminador do futuro?
— Eu não sei. — ele deu de ombros. — Cadê a babá?
— Ela está com a Árya.
— Você deveria estar de olho no menino!
— Eu? Só eu? Você é o pai!
Eita que a crise da paternidade chegou para os dois.
— Que gritaria é essa, hein?! — o metido apareceu. Agora que virou Dom, se acha a última bolacha do pacote. E anda de social até nos dias de descanso e piscina.
— Onde está a sua filha, Thomas? — Olívia virou-se para ele transtornada. — Aposto que está usando meu filho para suas maldades.
— A minha filha é uma santa.
Senti deboche nessa fala.
— Vamos tomar uma, Flávia. — Damon me puxou para longe da confusão.
Encontramos Hernando e mais algumas pessoas que desconheço na piscina.
— Flavinha! Depois do Dimitri, só quer saber dele! Esqueceu de mim?! — me abraçou forte e até me tirou do chão. Eu ri, com medo de cair junto com ele na piscina.
— Não tem como te esquecer, Hernando. Você é inesquecível.
— Achei que essa casa seria melhorzinha. Está precisando de uma reforma. — tia Stefania comentou e me soltei de Hernando para olhar para ela. Anda com a esposa do Thomas. — Flávia. Cadê o meu filho?
— Não sei, mas está vivo. — a cumprimentei com um beijo no rosto.
Ela falou no meu ouvido. — Olívia disse que trouxe algo para nós. Na cobertura.
Onde é que Olívia arranja essas coisas?
Fui até Cecília e a cumprimentei. — Tudo bem?
— Estou sim. E você?
— Mesmo com o terrível do Thomas? Sabe que eu achei que você fugiria no dia do casamento? Na hora do "fale agora ou cale-se para sempre” Eu pensei em gritar “FOGE! FOGE!”, mas eu seria expulsa de vez da família Lucchesi.
Ela não parava de rir. — Aquele xucro come na minha mão.
— Corajosa. — olhei para trás e Dimitri estava sendo sufocado pela mãe. Perdi meu namorado. Ela vai passar o dia grudada nele. Senão o fim de semana todo.
— Ares, volte aqui! — Olívia correu ao redor da piscina, atrás do terrorista de quatro anos, que ao chegar no fim da linha, foi resgatado pelo pai.
— Ares, o que conversamos antes de sair de casa? — Damon questionou.
Coitada da minha amiga.
— Tia Flávia. — uma pequena princesa de cabelos extremamente escuros segurou a minha mão.
— Oi, princesa! — me agachei rendida a sua fofura. Damon e Olívia estavam no auge do auge do vigor quando fizeram essa criatura linda. Eu a abracei. Tão cheirosa. — Senti saudades.
— Eu também.
Olhei para o Dimitri com minha alma gritando para levá-la conosco. Ele veio até nós e pegou a princesinha no colo.
— Sophia era assim antes de se tornar uma peste. — comentei com Cecília.
— Agora ela está melhorzinha, mas se Árya se torna uma agente do caos, só vai calar a boca do Damon. — comentou baixinho.
— Preciso de um minuto de paz. — Olívia passou por nós. — Vamos caçar um lugar para a gente.
— Eu já achei. — tia Stefania foi atrás dela e eu e Cecília também.
— Ela gosta de você? — perguntei baixinho. — Ou era encenação no casamento?
— Acho que ela gosta.
— p***a! Ela só me engole.
— Stefania é uma pessoa difícil.
— Eu que o diga.
Tia Stefania parou e olhou para trás. — Que demora é essa? Rápido!
Nos apressamos.
Subimos na sacada e sentamos em espreguiçadeiras estofadas super confortáveis. Tinha um guarda-sol branco enorme, que cobria os lugares onde nos acomodamos.
— É a única parte da casa que não precisa de uma reforma. — tia Stefania comentou. Como sempre, ela quer ditar a moda da casa de todo mundo. Ainda bem que ela ainda não teve na nossa casa perto daqui.
— Olha só o que eu arranjei. — Olívia abriu um embrulho cheio de baseados e eu me perdi nas risadas.
— Você se tornou o que mais temia: o filho do seu padrasto.
— Eu tenho contatos. — contou orgulhosa.
Abri uma garrafa de vinho e derramei dentro das taças.
— Você bebe, Cecília?
— Hoje não estou bebendo.
— Por que não? — lhe dei atenção e as outras também.
— Um baseadinho vai, não é? — Olívia levantou o cigarro. Tia Stefania ainda me chama de sem classe… Não consigo parar de rir da situação.
— Você está grávida, Cecília? — tia Stefania perguntou, por fim.
A cara de Cecília não escondeu o que seu silêncio pretendia.
— Grávida de outra cria do Thomas? — encarei bem o rosto dela.
— Ainda não sei, mas estou atrasada.
Caralho!
— Estou sem palavras.
— Mais um neto. — tia Stefania ficou emocionada. A mulher nem tem certeza ainda.
Olívia pegou uma taça. — Tomara que seja como você, porque se puxar para esses Lucchesi, você vai ficar acaba igual a mim. Esses dias pensei em deixar o Ares de castigo no sótão onde Damon treina, mas depois lembrei que lá tem armas e esse menino é tão inteligente, que pode muito bem sair atirando para qualquer lado.
Eu me divirto com o drama da minha amiga.
— Isso é uma notícia muito boa! —— tia Stefania continua reflexiva. — Esses dias eu cheguei a conclusão que precisamos crescer essa família. Quero no mínimo vinte netos.
Comecei a contar nos dedos. São dois do Damon, dois do Thomas mais um provável a caminho.
— Nem a p*u que terei seis ou sete filhos! — Olívia pulou. Muito menos eu.
Tomei um pouco de vinho e a nossa sogra acendeu um cigarro.
— Vamos mudar de assunto? — sugeri, desconfortável com as ideias.
— Como é morar em Madrid? — Olívia perguntou.
— É muito bom. Eu gosto.
— E no início?
— No início tentamos nos adaptar com a ajuda dos amigos, mas não deu muito certo não. O amigo babaca do Dimitri levou outro merda que fiquei há muito tempo atrás e depois que o Dimitri soube, ficou muito bravo. Agora estamos menos sociáveis. Fugindo de problemas.
— Uma vez, o Giuseppe bateu num cara por minha causa. Achei aquilo tão sexy. — tia Stefânia fumou o cigarro. Olhei para Olívia e rimos.
— E por que ele bateu? Qual o motivo? — Cecília deu corda.
— Naquela época não se negava uma dança. Era uma ofensa. E como eu ainda estava de cortejo com o Giuseppe, não saímos juntos, mas estávamos no mesmo baile. Usei um espartilho rendado vermelho. ainda me recordo. A minha mãe quem me deu. E eu sempre fui muito bonita. Quando o rapaz me viu, tomou coragem e veio me chamar para dançar. Comprometida com Giuseppe, eu disse que não. Lembro que olhei para os Lucchesi e Pablo cutucou Giuseppe, que olhou em nossa direção e jogou o copo de bebida contra o chão. Ele puxou o revólver de cano longo que carregava no quadril e encostou na cabeça do homem. Rúbia morreu de medo. Me puxou pelo braço para correr. Alba estava se agarrando nos fundos do salão com um fulano qualquer, como sempre, a vergonha da família. Aí eu disse: Giuseppe, não faça isso. Não vale a pena. — contou a última parte orgulhosa. — E Giuseppe abaixou a arma, guardou e desceu na porrada no rapaz. Giuseppe era muito parecido com o Damon na impaciência, mas de vez em quando ele parava para pensar nas coisas, como o Thomas.
— Dimitri puxou o que para ele? — perguntei curiosa.
— Aprontava e não era pouco.
A fama do Dimitri.
[...]
DIMITRI
Sentei ao lado do Damon e ficamos conversando.
Comentei com ele sobre o que aconteceu em Madrid.
— Você não pode culpar a Flávia pela babaquice dos outros.
— Eu sei que não. E não a culpei. Quer dizer, fiquei chateado por ela ter se entregado a um tipo como aquele, mas eu sei que foi erro dele ficar dizendo o que fez com ela.
— Tem todo tipo de gente r**m por aí e quem não aprontou no passado? Eu mesmo… — ele riu.
— Eu também, mas não saio falando intimidades para difamar as mulheres.
— E faz o mínimo.
Quando a noite caiu, enchemos a cara. As únicas pessoas que não vi bebadas foram a Cecília e a babá dos filhos do Damon.
Hugo trouxe um grupo de garotas novinhas que descaradamente deram em cima da gente. Os amigos do Hernando e o próprio ainda aproveitaram, e mesmo sem fazer nada, sobrou para a gente.
— Dimitri. — Flávia chegou perto de mim com as narinas dilatadas. Preferia que fosse por drogas, mas ela brava mesmo.
— Que foi, Amor da minha vida? — puxei sua coxa e ela sentou no meu corpo.
— Vocês acham bonito ficar dando mole para esse bando de putas?
— Eu não fiz nada. — Damon levantou tombando. — Olívia!... Vamos fazer mais um Damonzinho? — puxou a bêbada pelo braço.
— Não me apavore!
— Amor, eu não fiz nada. Nem falei com elas! — me expliquei com a mulher furiosa.
— Aham. Vou fingir que acredito. Eu não sou cega!
Ela está bêbada. Segurei seu queixo e beijei a sua boca. — Eu só tenho olhos para uma loira que olhos rápidos como de águia. Conhece?
— Hum… — desviou o olhar.
— Que mulher valente!