Yasmin 🌝
Chegamos no baile e o barulho era mega alto. Fiquei foi nervosa e com medo, eu grávida no meio de várias meninas lindas e bem arrumadas, e eu apenas com um pó na cara, cabelo solto, um perfume doce e uma blusa que parece mais um vestido. Bia tava com blusa rosa do Flamengo e um short, uma chinela que sei lá de onde ela tirou.
Beatriz: E aí, vamos? — Falou destrancando o carro. Só concordei, peguei meu celular e saímos do carro. O lugar tava cheio, vários carros de luxo e outros normais. — Vamos ali com aquele maluco — Falou rindo e acenando pros homens.
Yasmin: Seus irmãos? — Ela riu.
Beatriz: Meus irmãos são lindos, pô. — Chegou perto dos meninos. — Esses aqui são na média.
X: Média é, Biazinha? — Abraçou ela, e ela saiu abraçando eles tudo.
Beatriz: Que saudade que tava de vocês, mané. — Fiquei sem jeito pelos olhares deles em mim. — Tira o olho, p***a — Falou com eles, que riram. — Meninos, essa aqui é a Yasmin, minha amiga. Yasmin, esses são o Menor, AN, JV e o Marginal — Apontou pra cada um e eu só faltei ir quando ela falou o último.
Yasmin: Prazer, meninos — Peguei na mão deles.
Menor: Prazer é só na cama, novinha, aqui é satisfação.
AN: Às vezes só queria não ter conhecido vocês, credo. A mina é nova aqui, p***a. — Eu ri. — Prazer, mina — Peguei na mão dele.
JV: Casada, novinha? — Neguei. — Veio a passeio?
Beatriz: Cadastrou por bolsa família, é? Ela veio pra ficar, e vamos parar, né? A mina não gosta de vocês não.
Marginal: Ela não falou nada, né novinha? — Eu só ri.
Beatriz: Vocês são chatos, minha Nossa Senhora. Vamos, amiga — Pegou na minha mão. — AN, me leva até meus irmãos, por favor — Ele concordou e eu dei tchau pros outros que ficaram ali. O AN passou na nossa frente, tirou a arma grande das costas e levantou pra cima. Eu fiquei sem saber o que fazer. — Ele só tá abrindo caminho, amiga.
Yasmin: Tá bom. — Não e mais fácil pedi com licença e eles vão abrir caminho ou não?
Entramos no baile e aqui tava o fuzuê todo, várias pessoas dançando, meninas com uns vestidos que mostravam tudo, homens armados. Fomos passando e várias pessoas olharam e falavam com a Bia. Uns ela falava e sorria, outros ela só balançava a cabeça, e pra outros ela m*l olhava. As meninas olhavam com nojo e cochichavam alguma coisa pras amigas quando me olhavam. Fui ao lado da Bia, ela parecia uma deputada, era abraçada, falando, dando tchau. Me senti tão estranha. Olhei pra cima, onde eram os camarotes, e tava cheio, uns homens na grade olhando pra baixo.
Subimos uma escadinha e fomos pro camarote. O homem olhou pra mim e depois pra Bia, que só balançou a cabeça e nós entramos. O camarote tava sem muita gente. Ela pegou na minha mão e fomos até onde tavam uns homens que até o momento não tinham visto ela.
Beatriz: c*****o, festinha e ninguém me chamou nesse c*****o — Falou alto e todos olharam pra ela.
X: c*****o, MENORZINHA — Pulou nela fazendo os dois caírem no chão.
X: EU NÃO ACREDITO, c*****o — Pulou neles e eu ri. Os outros dois fizeram a mesma coisa e ela gritava pra eles saírem de cima dela. Eles saíram de cima e ela levantou com cara nada boa.
Beatriz: Seus filhos da p**a do c*****o, seus cornos, seus arrombados, seus... — Um menino colocou a mão na boca dela.
X: Que boca feia é essa, Beatriz? — Falou sério.
Beatriz: Deixa só a mãe aparecer pra vocês verem.
X: E falando em mãe, onde a mãe tá, p***a? — Eles olharam o camarote todo e eu só fiquei observando.
Beatriz: Deve ter ido no banheiro — Pegou no meu ombro. — Meninos, deixa eu apresentar, essa aqui é minha amiga.
X: A famosa amiga, que nós não sabemos o nome nem nada?
Beatriz: Essa mesmo — Eu ri com vergonha. — Agora se apresenta aí pra ela, que vou fazer meu copão que tô com sede — Olhei pra ela séria e ela mandou um relaxa. Se essa doida fica bêbada, como eu fico?
Yasmin: Então, pra... satisfação — Lembrei o que o menino falou.
X: Ia falar prazer, né?
Yasmin: Sim, o menino ali falou que aqui é satisfação — Eles riram.
X: Satisfação aí, gravidinha — Sorri. — Pode me chamar de NJ — Ele é um moreno, cabelo na régua, piercing no nariz, os braços cheios de tatuagem. — Esse é o KA.
KA: Satisfação, Menor — Sorri pra ele. — Pode me chamar de KA e tô aí pra qualquer coisa se precisar — Ele é um branquinho dos olhos bem castanhos, cabelo com luzes, piercing no canto da boca, várias tatuagens pequenas no braço direito. — Esse aí é o DN.
DN: Satisfação, novinha — Sorriu, ele tá bêbado. — Me chama DN, seja bem-vinda ao nosso mundo — Ele é um moreno, cabelo com luzes, um risquinho na sobrancelha, o braço esquerdo fechado de tatuagem. — Esse aí é o HG.
HG: Satisfação, linda, você deve tá cansada, né? — Ele veio me abraçar e foi um abraço tão bom. Só concordei, eu tô morta de cansada. — Me chama HG, se precisar de alguma coisa eu tô por aí — Concordei sorrindo. Ele é moreno, cabelo com luzes, um piercing no nariz e, diferente dos outros, ele não tem tatuagem, eu não tô vendo nenhuma no meu campo de visão.
Yasmin: Satisfação, meninos, mas lembro que a Bia falou que tem 5 irmãos.
Beatriz: Sim, mas ele deve tá por aí — Ela revirou os olhos. — Olha quem tá vindo ali — Ela correu e se jogou em cima de uma mulher, que vendo daqui é a Dona Fátima.
Fátima: Meu Deus — Falou olhando pra ela, vindo na nossa direção. — Minha filha, por que não falou que tava voltando?
Beatriz: Mãe, longa história, depois eu explico direitinho pra vocês, mas olha aí — Apontou pra mim e ela abriu a boca e eu sorri.
Fátima: Meu amor, você veio — Me abraçou e senti um conforto que só sentia com a Bia. — E ainda mais linda pessoalmente, e essa barriguinha.
Yasmin: Barrigona, né Dona Fátima? — Sorri. — Satisfação conhecer a senhora.
Fátima: Dona tá na casa do c*****o — Olhei pra ela sem jeito. — E tu já ensinou a menina a falar desse jeito, Beatriz?
Beatriz: Oxi, ela aprendeu assim que chegou, o Menor que falou isso pra ela — Ela riu e se jogou no sofá que tinha ali e tomou com tudo o líquido do copo.
Fátima: Esses meninos, meu Deus. E você, minha filha, como tá? — Falou pra mim.
Yasmin: Um pouco cansada, muita dor nas costas e fome — Falei envergonhada, mas o cheirinho de churrasco vindo lá de fora tá muito bom.
Beatriz: E por que tu não falou que tava com fome, menina? — Dei de ombro.
Fátima: Quer comer o quê, minha filha?
Yasmin: Esse cheirinho de churrasco tá muito bom.
Fátima: HG, vai buscar um churrasco pra ela — Ele levantou, pegou a arma que tava em cima da mesinha.
Yasmin: E quanto, HG? — Falei pegando minha carteira.
HG: Menor, vou nem ter responder — Ele saiu andando e eu não entendi e olhei pra Bia.
Beatriz: Ele vai pagar, amiga, não se preocupa.
Yasmin: Mas não precisa, amiga, eu pago.
Fátima: Não precisa, menina, eles têm dinheiro e é pra isso mesmo — Ela sorriu e me sentei com elas. Dona Fátima tava toda animada, não tirava a mão da minha barriga. Os meninos tavam conversando com nós também e ficaram todos assustados quando falei que eram dois bebês. Tiraram sarro da minha cara e a Dona Fátima só brigava com eles. E eu me senti bem. Há tanto tempo não me sentia assim e hoje eu senti. Eles falando o quanto amam a irmã e eu no meio disso, me sentindo meio assim. Nunca tive alguém pra falar essas coisas pra mim.
HG: Aqui, Menor — Me entregou 4 espetinhos, eu me assustei.
Yasmin: Pra que tudo isso, menino? — Ri.
HG: Não quero que o meu sobrinho nasça com cara de churrasco — Olhei pra ele sem jeito, o jeitinho que ele falou sobrinho.
NJ: E sobrinhos — Ele falou por HG, que ficou assustado. — É, parceiro, são dois.
HG: c*****o, Menor, bênçãos em dobro, né não? — Concordei. — E já sabe o que é?
Beatriz: Não, vamos fazer um chá revelação pra isso.
Yasmin: Bia.
Fátima: Bia nada, vamos fazer sim.
HG: Vamos fazer no quintal da nossa casa, conheço uma pessoa que faz essas coisas aí.
Beatriz: Boa, maninho, me passa o contato e vamos tentar fazer no próximo final de semana.
Eu nem falei mais nada. Bia já é doida e a família dela é igual. Ficamos ali conversando, eles são divertidos, já fazendo altos planos porque Bia voltou, e eu me senti em outro planeta, sabe? Como se eu tivesse encontrado paz.