capítulo 2

641 Palavras
Ava Johnson não nasceu com medo. Ela aprendeu. Aprendeu cedo demais que certas portas, quando se abrem… nunca mais se fecham. O som de vidro quebrando ainda ecoava na mente dela. Sempre ecoaria. Aquela noite não tinha cheiro de chuva. Tinha cheiro de sangue. E de erro. Ava se lembrou de cada detalhe como se estivesse acontecendo de novo — o som de passos apressados, a voz alta no outro cômodo, o telefone caindo no chão, o instante exato em que tudo desmoronou. — Ava… fica onde você está! A voz do pai veio como um aviso. Mas já era tarde. Ela desceu o último degrau da escada e viu. Dois homens. No meio da sala. Um deles com o rosto conhecido. O outro… Desconhecido. Mas o medo que eles traziam… não precisava de apresentação. O pai dela estava de pé, imóvel, com os punhos fechados. Tentando manter controle. Tentando negociar. — Eu já disse… eu não devo nada a vocês. Um deles riu. Um som baixo. Seco. — Não, senhor Johnson… você deve. E muito. Ava sentiu o estômago revirar. O ar ficou difícil de respirar. Algo estava errado. Muito errado. Antes que pudesse se esconder novamente, o homem virou o rosto. E a viu. O silêncio mudou. Pesado. Diferente. Perigoso. — Quem é ela? — a pergunta foi feita com calma… calma demais. Ava não se mexeu. O pai dela deu um passo à frente. — Não é da sua conta. Mas já era. O homem deu um passo em direção a ela. E, naquele momento… Ava entendeu. Ela não estava mais apenas observando. Ela estava envolvida. — Chega. A voz veio do segundo homem. Mais firme. Mais fria. — Não complica. Mas o olhar… permaneceu nela. Por tempo demais. Gravou nela. Como se estivesse decidindo algo. E foi naquele instante… que ela soube. Eles não estavam ali por acaso. Eles já estavam procurando algo. Ou alguém. E ela… não era mais invisível. --- A lembrança mudou. Agora era mais recente. Mais c***l. Ava corria. De verdade. Pela primeira vez. Com medo real. Não de perder algo. Mas de perder a própria vida. Ela não podia voltar. Não podia ficar. Não depois do que viu. Não depois do que descobriu. Os arquivos. As conversas. Os nomes. Os três nomes que mudaram tudo. Dennis Ford. Daniel Ford. Douglas Ford. Três irmãos. Três homens que não apareciam em relatórios comuns. Três nomes ligados a negócios… ilegais. Controle. Poder. E desaparecimentos. Ava sentiu o coração acelerar ao lembrar do que encontrou. Aquilo não era coincidência. Era conexão. E, no momento em que ela começou a juntar as peças… alguém percebeu. Foi rápido. Silencioso. E definitivo. Uma mensagem. Sem número. Sem identificação. Só uma frase: > “Você viu o que não deveria.” Depois disso… tudo mudou. Telefone não funcionava mais. Endereço deixou de ser seguro. Pessoas começaram a desaparecer da vida dela. E, então… eles vieram atrás. --- De volta ao presente. Ava respirava com dificuldade. O corpo ainda tremia. Mas agora… não era só medo. Era reconhecimento. Porque ao olhar para aqueles três homens à sua frente… ela tinha certeza. Não eram apenas homens. Eram os mesmos nomes. Os mesmos que ela tentou evitar. Os mesmos que agora… a tinham encontrado. Dennis deu um passo à frente. Lento. Dominante. — Você correu. Ava ergueu o olhar. Sem perceber. — Eu não corro de vocês. Daniel inclinou levemente a cabeça. Um sorriso mínimo no canto da boca. — Corre sim. Douglas ficou em silêncio. Observando. Analisando. Perigoso. — E agora… — Dennis continuou, com a voz baixa — acabou. O mundo ao redor dela pareceu desaparecer. Restando apenas uma certeza. Ela não estava sendo caçada. Ela já tinha sido encontrada. E, naquele momento… Ava Johnson percebeu o pior de tudo. Ela não tinha sido pega por acaso. Ela tinha sido escolhida.
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