Henrique Muniz
Passo pelo portão da casa dos meus digníssimos e estaciono meu carro. Assim que me veem sorriem alegremente. São lindos de ver e viver .
Meu bebê!-Mamãe como sempre com esse apelido que me causava vergonha na escola.Pelo amor,eu a amo,mas é meio estranho isso. Melhor nem falar nada,vai que ela se zanga. Vem em minha direção e nos abraçamos apertado.
-Filho!-Eu e meu pai nos cumprimentamos também. Ele é um pouco mais seco,normal porque também sou. Aí já viu. O famoso tal pai tal filho ou filho de peixe,peixinho é. Tipo isso.
-Vamos entrar,querido. —Convida-me—Já vai servir o jantar. —Avisa feliz e radiante como sempre. Uma mulher definitivamente admirável.
Entramos na casa deles que é grande demais para duas pessoas apegadas às lembranças passadas.
Nós moramos aqui desde crianças. Claro que eles reformaram a casa e a deixaram mais bela e confortável ainda.
Lembro que passei muitos momentos alegres aqui com minha pequena irmã e família,até que uma grande sem vergonha e noção acabou com tudo isso.
-Jéssica não vem,ela está toda enrolada lá-Meu pai comenta se referindo ao seu trabalho que toma muito tempo também.
-Bem estilo da Jessica-Minha mãe sorri diante disso. Jéssica sempre foi querida demais por todos nós. Seu jeito cativa todos ao seu redor. Impossível alguém não se encantar com ela.
-Jessica é louca,isso sim-Emendo a fala dela sorrindo ao lembrar da minha irmã querida.
Jantamos e rimos muito. Era bom ter seus pais por perto. Minha mãe continua linda, e o tempo só faz bem a ela que hoje conta com os seus cinquenta e cinco anos. Meu pai está beirando seus praticamente sessenta. Na minha concepção,eles foram pais muito novos,porém os dois dizem que isso foi a maior felicidade da vida deles,e não serei eu a discutir com isso. Cada pessoa sabe o melhor para si. É aquilo, todos nós temos o direito de fazer escolhas e arcar com as consequências que vêm delas.
Só acho engraçado que hoje as pessoas pensam em ter filhos lá pelos trinta anos,havendo exceções. Penso que o melhor é ter estabilidade financeira e emocional para lidar com a chega de crianças,pois são totalmente dependentes dos pais até pelo menos os dezoito anos. Isso sem contar que crianças precisam de coisas materiais mas também das emocionais.
Admiro o amor que meus pais construíram ao longo do tempo,e isso me faz pensar no fato de que eu era um homem aberto a relacionamentos. Hoje não mais,pois amei para nunca mais. Foi a maior decepção da minha vida.
—Henrique,nós temos que falar com você e dessa vez é muito sério-Começou meu pai adotando outra postura. Completamente diferente do que era há minutos atrás.
Pronto,acabou o clima de alegria. É,ele sabe ser estraga prazeres,credo!
-Filho,você não é mais um garoto de vinte anos.—Tinha que ser a defensora do marido.
-E está na hora de seguir a sua vida em frente. -Afirma—Você é um homem do bem e por isso tem que se abrir para a vida de novo- O meu pai fala como se fosse dono da razão. Talvez ele seja,mas só talvez mesmo.
-E quem disse que não segui em frente?-Não sou um bebê manipulável para que façam o que bem entendam e opinem sobre a minha vida desse jeito.
-Não dessa forma,Henrique. Você vive uma felicidade superficial e sua alegria não chega aos olhos. -Retruca mamãe.
-Quero ver quem é feliz com essa vida de ficar só saindo e pegando,como vocês dizem hoje em dia -seu Rogério emenda a fala da esposa.
-Eu sou feliz e gostaria que parassem com isso. -Peço quase encarecidamente.
-Nós sabemos o que é melhor pra você,meu filho. Ouça-nos-dona Marta acha que sabe de tudo.
-Você vai sentar aí e ouvir,Henrique. Não é mais um molequinho não,já está na hora de você acordar para a vida,meu filho. Esqueça o que já passou,forme uma família. Sabe que quem vive de passado é museu.-Ele fala com segundas intenções.
-Nós queremos que você traga uma namorada para conhecermos -Pronto!Lá vem minha mãe com ideias absurdas.
-E queremos que dê-nos um neto ou neta- Meu pai fala como se fosse a coisa mais fácil e simples do mundo. É,ele realmente não está bem da cabeça.
-Eu sou dono de minhas ações e vocês não podem fazer isso. Falam como se isso fosse super simples e não dependo mais assim de vocês. -Relembro-os,que nem se abalam com isso.
-Exijo respeito,porque ainda sou sua mãe- Irrita-se.
-Não depende hoje,porque já dependeu muito,e outra:há coisas que têm seu nome porque eu passei,principalmente a empresa. -Nisso ele pode até ter razão. Joga mais na cara,pai.
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-Eu já superei.-Explodo. —Isso que vocês pedem é muito s*******o. O maior absurdo que já ouvi.
-Garoto,entenda que eu sou seu pai,e não seus amigos bajuladores. Não me faça dar a surra que nunca te dei,aliás,sabe muito bem que precisa superar o que a Paula fez com você no passado, ou você quer ela se achando?! Sabe que ela vai se casar com o Ícaro, e nós já vimos você sofrer muito, Henrique. Está na hora de você abanar esse sofrimento e se abrir de novo para viver. Você não está vivendo,você pensa que está.
-Você tem três meses pra encontrar alguém,entendeu? Não quero mais essa situação. Basta porque já são oito malditos anos que você vive dessa forma. E isso me mata por dentro.-Avisa-me minha mãe praticamente soletrando.
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-Eu estou nem aí para isso. -Digo como quem não quer nada.
-Sei que sim. Mas você não quer ser humilhado,e nem nos não queremos que seja. -Fala com pesar.
-Três meses e não discuta mais-Meu pai está irritadíssimo mas não olha para o meu lado.
-Uma namorada e um neto ou neta-reafirma ele, dessa vez mais sério ainda.
-Não quero filhos-Aviso para que eles se toquem do absurdo que me disseram.
-Você sempre sonhou em ser pai-Rebate.
-Não destrua seus sonhos por aquela lá,porque ela não merece nada além do desprezo. Sei que se eu não te pressionar,você não o fará nunca. Por isso,pressiono-te agora antes que seja tarde.
-Você já sabe o que tem que fazer,filho.
Dito isso eles saem e eu fico um pouco até pegar no sono e dormir na sala deles sem entender nada do que se passou ali.