Henrique Muniz
Agora cá estou eu pensando em algum jeito sinistro de tê-la,mas não preciso me esforçar muito,pois é só dar uma enganadinha que todas elas caem. Ou pelo menos a maioria delas.
-Chamou-me, boneca? -Outro apelido que não curto muito. Talvez eu seja aquela pessoa que gosta de apelidos mais bajuladores,não que somente isso seja bacana.
Então eis que entra Lucas,meu melhor e único amigo neste mundo. Ele é um cara que confio de olhos fechados, uma espécie de braço direito. Ele hoje namora minha irmã Jéssica. Nós fomos criados juntos, tendo em consideração que nossas famílias são bem amigas. Lucas é empresário também,advogado como o seu pai,filho único e órfã por parte de mãe,pois a mesma morreu há alguns anos.
Dei quase a ficha completa dele. Não mandem currículos para namorá-lo,caso contrário terão uma Jéssica muito zangada. Detalhe que ele é comprometido. Tudo bem,ela confia no taco dela,mas o que tem gente s*******o que dá em cima de homem comprometido... E cabe a ele tomar suas decisões e cortar as investidas quando está em um relacionamento. Melhor forma de proceder,acredito eu pelo menos. Não que eu seja um exemplo a ser seguido ou copiado. Quem sabe um dia?!
-Lucas,você acredita que a Paula vai se casar com o Ícaro?-Pergunto indignado,como se isso mudasse muita coisa na minha vida. Ok,fofoca é f**o. Mas eu conto mesmo,é difícil segurar.
-Não me diga que não superou ainda-Fala tirando onda da minha da minha face.
-Está me estranhando? -Questiono sua petulância- Você não sabe da maior. Os meus pais querem que eu arrume um filho e uma mulher em três meses. A noção passou correndo ali. —Conto repleto de indignação a exigência absurda dos meus pais.
-Henrique, não sei se você parou para pensar que sua vida ficou praticamente estagnada,e isso já faz muito tempo. —Começa parecendo concordar com dona Marta e seu Rogério. — Você sabe que essa daí não merece que você fique assim por ela. —Afirma e concordo com a cabeça. Eu estou bem perdido com essa confusão toda na minha cabeça. —E outra,você sempre quis ser pai. -Argumenta o que de fato é,ou era,verdade. Há um tempo era meu maior sonho ter uma família e filhos,os quais amaria incondicionalmente.
-Mas ter uma namorada? -Ironizo a exigência proposta,ou melhor,imposta. - Eles estão me obrigando como se eu não soubesse tomar decisões. E outra,nunca na minha vida eu vi isso. —Falo e ele acena.
-Faça isso para agradar eles-Incentiva-me e fico perplexo com essa resposta vinda dele. Como assim? Era para ele concordar comigo. Isso realmente não é exigência a se fazer a alguém. Cada um tem o seu tempo. —Você não vê? -Indaga—Faz tempo que procuro a mulher que meu pai é apaixonado e até hoje nunca achei. As coisas são assim,aproveite enquanto há tempo. —Deixa seu recado e filosofia de vida.
-E onde eu vou arrumar uma namorada falsa disposta a ter um filho?-Pergunto sem nem saber porque fiz essa pergunta,sendo que não tenho tal intenção.
-Já sei um lugar. -Diz misterioso,como se não fosse eu o maior envolvido nisso tudo.
E lá fomos nós, atrás de alguém disposto a fingir me amar e entre outras coisas. A situação é bem estranha e complicada. Se eu contasse isso a alguém,a pessoa certamente iria rir da minha cara. E com toda a razão deste mundo.
-Olha aquela loira ali-Aponta para uma mulher na foto dos "relatórios" que ele estava me mostrando.
Bonita,mas prefiro uma tal de Safira que conheci e acabei me encantando. Julguem-me,se quiserem.
-Respeite a minha irmã-Repreendo-o bem atento aos seus olhares. Lucas ama muito Jéssica,mas não custa nada eu ficar de olho. Num mundo onde está tudo tão caro, isso é de graça pelo menos
-Calma aí,você sabe que amo a sua irmã e já até pedi ela em casamento. —Diz a verdade. —O problema é que a bicha é difícil. —Confessa. Ele é romântico enquanto ela é toda "não me toque". Os opostos se atraíram nesse caso. Lucas quer casamento e tudo mais,já Jéssica não. No fundo,vejo que ela tem muito medo de não dar certo. Se bem que temos o exemplo em casa,com nossos pais que se amam mais que tudo.
-Mulher é só decepção. -Falo desesperançoso.
-Devo concordar. -Emenda minha fala—Mas vem cá,você decidiu se vai agradar aos seus pais achando a tal mulher ou não?-Ele é muito curioso. Não devo julgar,porque também sou assim.
-Como vou ter um filho?—Faço o questionamento e ele acaba ficando quieto diante disso. —Eles são doidos, e o pior é que querem me obrigar a algo. Isso é uma loucura, além disso,eu não sou um playboyzinho que depende deles para exatamente tudo. Eu sempre busquei a minha independência,para justamente dar descanso a eles,enquanto muitos filhos preferem extorquir.
-Sei lá. —Dá de ombros. — Eu só acho que eles não querem te ver sofrer, e eu penso o mesmo. —Arregalo os olhos,descrente nisso que estou ouvindo. —Já até te falei que você nunca amou a cretina da Paula porque aquilo era uma paixão adolescente. —Completa. Acabo ficando um pouco pensativo.
-Eu não sei de mais nada,pois nem sei se já cheguei realmente a amar ela ou outra. Ah,só sei que nada sei. —Falei muito "sei". Credo,que repetitivo
-Contrate alguém então.—Ele dá uma ideia louca,do nada literalmente.
-Preciso de alguém ideal. —Aviso o óbvio a ele.
-Falando nisso,ontem vi uma moça muito bonita lá no elevador. -Diz de novo do nada. Lá vem.
-Qual?-Pergunto agora sendo o bastante curioso da história e conversa.
-Sa"alguma coisa. —Diz. —Acho que é Safira...-Tenta lembrar-se da dita cuja.
-Pode ficar longe!-Aconselho-o mais que rapidamente. O flash perdeu para mim.
-Eu sou comprometido.-Rebate o óbvio. Como se eu não soubesse disso.
Apenas resmungo. É meu amigo,mas é cada uma.
-Vamos fazer uma proposta pada alguém. —Diz —Porque você vai ter que contar de onde conheceu e como para os seus pais. Será uma longa explicação.
-A noite é uma criança. —Pisco—Vou marcar com essa morena -Escolho uma para disfarçar a situação embaraçosa na qual me meti sem nem querer.
Só penso naquela que começa com S e termina com A. E não é seara,nem sadia!