1 - Casa de verão

1373 Palavras
ELOISE O sol aquece meu rosto através da janela do carro. É um dia quente, perfeito para férias. Não há uma nuvem no céu e já estamos tão longe de Nova York que estamos praticamente no meio do nada, em uma estrada de mão dupla. Nada de prédios altos, nada de arranha-céus, nada de trânsito, nada de aglomerações de pessoas. Olho rapidamente para a minha esquerda, para Liam, quando ele puxa minha mão até a boca e a beija. Ele sorri enquanto faz isso, seu rosto se ilumina, e eu sorrio de volta. — Eca! Eu rio de Sophie, que está sentada no banco de trás, e me viro para olhá-la. Ela sorri. — Você poderia ter ido com a mamãe e o papai, sabia? — diz Liam. — Prefiro ver vocês dois se beijando do que ouvir Caleb e Grace brigando o caminho todo. Você tem sorte de não ter irmãos mais novos, Eloise. Concordo com a cabeça. Não tenho irmãos, mais velhos ou mais novos. Mas Liam e Sophie, com apenas dois anos de diferença, têm uma diferença de dez anos em relação aos outros irmãos. Sophie brincou dizendo que ambos foram acidentes, e seu pai a repreendeu por isso. A ideia de ter irmãos mais novos é preocupante, porque sei que teria que criá-los. Minha mãe não fez muita coisa para me criar. O Liam não para de falar sobre o quanto eu vou gostar da casa. Tenho ficado preocupada que os pais dele não me queiram lá o verão inteiro. É muito tempo para ficar com pessoas que não são da família, mesmo que eu as conheça há anos. E estou namorando o Liam há quase seis meses. Não é muito tempo, na verdade, e não é como se estivéssemos fazendo planos para passar a vida juntos. Nenhum de nós disse “eu te amo” e eu não sinto isso por ele. Quando eu tinha dezessete anos e ele dezenove, tivemos nosso primeiro encontro. Estamos nos vendo desde então. Mas, como eu estava terminando meu último ano do ensino médio em Nova York e ele estava na faculdade na Pensilvânia, não nos víamos tanto quanto ele gostaria. Ele é bonito e divertido, e também meu primeiro namorado. Irmão da minha melhor amiga. Os pais dele são simpáticos, parecem se importar muito com ele e seus irmãos e têm um casamento estável e feliz. E acho que eles gostam de mim. Sei que gostavam quando eu era apenas amiga da Sophie. Embora eu não visse muito o pai deles porque ele estava sempre trabalhando. Ser neurocirurgião aparentemente é um trabalho muito movimentado. — Tem certeza de que eles não se importam que eu vá? Ele revira os olhos e beija minha mão novamente. — Eles não se importam, eu prometo. Eles gostam de você, você sabe disso. — É verdade, eles gostam de você. — Sophie acrescenta. Resmungo em resposta. Minha própria mãe parece não gostar de mim, então é difícil acreditar que os pais de outra pessoa gostariam. Por que eles gostariam de mim? Não falo muito, sou quieta, fico deprimida com frequência e sempre senti que não havia muita coisa em mim. Já me perguntei, ou presumi, que eles acreditavam que ele poderia ter uma namorada melhor do que eu. Eu sou pobre, enquanto eles são incrivelmente ricos. Eles têm boa educação, enquanto minha mãe não concluiu o ensino médio, e eu nem sei quem é meu pai. Eles moram em um prédio de arenito marrom perto do Central Park e eu moro em um apartamento de condomínio que m*l consigo pagar. E só consigo pagar porque meu avô me deixou uma pequena quantia de dinheiro depois de sua morte. Minha ansiedade me faz respirar com dificuldade e meu estômago dói ao mesmo tempo. Fui aceita na NYU com uma bolsa de estudos em artes e, se não tivesse sido, provavelmente estaria sem teto até o final deste verão. Preciso começar a pensar em que tipo de emprego vou conseguir para me sustentar. Liam não tem ideia disso, da minha situação financeira, pois nunca o deixei ver meu apartamento, nunca conheceu minha mãe, nem sequer conversei sobre isso com ele. Na verdade, não falo com ninguém, exceto com a Sophie. Quando ela conheceu minha mãe e viu as marcas de agulhas nos braços dela, o estado do nosso apartamento, ela me disse que ia perguntar aos pais dela se eu poderia morar com eles. Implorei para que ela não fizesse isso e nem contasse a eles. Ela fez o que eu pedi e não conversamos mais sobre isso desde então. — Ei, chegamos. Olho rapidamente e encaro, maravilhada, a casa enorme. Fica em uma entrada privativa, cercada por árvores que nos deixam na sombra e observo enquanto os portões se abrem. Não é de se surpreender que os pais dele sejam donos desta casa. Assim que saímos do carro, a porta da frente se abre. — Eles estão aqui! A mãe deles, Katherine, sai correndo depois de ser chamada de volta para dentro de casa aos gritos. Imagino que tenha sido para o Christian. Ela parece muito feliz e puxa Sophie para um abraço assim que ela sai do carro. Eu sorrio e hesito em retribuir o abraço quando ela de repente me puxa. Eu não sou de abraçar, nunca fui. — Como vai, Elô? É tão bom ter você aqui. — Ah, obrigada — digo baixinho. — E estou bem. Como você está? — Ótimo. Estou apenas preparando a casa para vocês. Ela me olha de cima a baixo e rapidamente se vira para Liam. Eles se abraçam e ela beija a bochecha dele, depois dá um passo para trás e o avalia. — Você está ótimo, querido. Caleb e Grace saem correndo de casa de repente. Parecem felizes ao ver Liam e Sophie, que os abraçam. De repente, me sinto uma intrusa, deslocada, e caminho rapidamente até o porta-malas do carro. Pego duas das bolsas e as seguro quando Liam olha para mim, e então começo a caminhar até a casa. Há um pequeno lance de escadas e uma varanda envolvente onde eu entro. A porta é de madeira, com uma guirlanda com tema praiano. O interior da casa é congelante comparado ao calor de fora, e igualmente silencioso. O piso é de madeira, as paredes são brancas, com quadros e fotos de família pendurados, e a primeira palavra que me vem à mente é frio. Parece frio, o que me surpreende, porque a casa deles no Brooklyn é tão quentinha. Paro quando chego ao final da entrada. Há uma escada em espiral, à minha direita, uma cozinha enorme, e Christian me olha. Ele está do lado de fora da cozinha, no pátio, caminhando lentamente pelas janelas com um telefone no ouvido. Há uma toalha em volta dos ombros, o cabelo úmido e penteado para trás, e m*l consigo ouvi-lo falar. Coloco as bolsas no chão e volto para fora, mas paro na porta e seguro a porta aberta. Eles estão subindo a calçada, cada um com uma bolsa em cada mão, e eu pego as das crianças. Fico surpresa quando Grace me abraça pela cintura e a abraço de volta. Christian está na cozinha agora, encostado no balcão, bebendo uma garrafa de cerveja. Ele está olhando para o celular em vez de falar, mas rapidamente levanta os olhos e sorri. Um sorriso se espalha por seu rosto e eu penso em como Liam se parece com ele, só que mais jovem. — Olá, filha. Sophie faz uma careta e ele a puxa para um abraço enquanto ri. — A viagem não foi ruïm? — Não. — diz Liam. — Chegamos em um bom tempo. Não tinha muito trânsito. Ele o abraça em seguida e depois olha para mim. — Estamos felizes em ter você aqui, Elô. Você já esteve em East Hampton? Eu balanço a cabeça. — Não. Ele levanta as sobrancelhas e sorri, o que me faz forçar um sorriso no rosto. — Bem... vamos ter que te mostrar o lugar. Tem muita coisa divertida para fazer aqui. Concordo e ele passa por mim, apertando meu ombro gentilmente enquanto faz isso, e pega as bolsas. — Venham, vou mostrar o quarto de vocês.
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