6 - Suba na minha armadilha mortal

1383 Palavras
ELOISE É uma cidade litorânea, com certeza. Muitos carros que passam pelo pátio do restaurante onde estamos sentados têm pranchas de surfe presas no teto. As ruas estão cheias de pessoas caminhando, fazendo compras, muitas famílias e crianças. Se não estivéssemos sob um toldo, o sol estaria nos castigando. Está um dia muito quente, sem brisa nem vento, e estou suando. Tomo goles de água e encaro Grace e Caleb. Christian e Katherine já lhes disseram inúmeras vezes para se sentarem, mas eles continuaram a correr pelo pátio. Continuo olhando para Christian, que está claramente irritado com os filhos. Sua testa está franzida e seu maxilar está cerrado. É um olhar muito sério que ele lhes lança enquanto fala em voz baixa e severa e os manda sentarem. Quando a comida chega, eles finalmente se sentam, mas ainda fazem muito barulho. Percebo o jeito como nossa garçonete, uma jovem provavelmente não muito mais velha que Sophie e eu, encara Christian cada vez que vem à nossa mesa. Fico surpresa que Katherine pareça não notar. Ou isso, ou não a incomoda. Não consigo decidir se me incomodaria se fosse meu marido, mas acho que sim. Ela deve se sentir muito segura no casamento. Todos nós já pedimos rolinhos de lagosta com fritas. Nunca tinha comido lagosta antes e acabei devorando. Estava com mais fome do que imaginava. Depois, peço licença, dou uma volta rápida pela rua e fumo um cigarro. Tem um monte de lojas que eu acho que gostaria. Roupas, discos e livros. Vou ter que dizer ao Liam que quero voltar aqui em breve e passar o dia explorando. Ao me aproximar do pátio, vejo nossa mesa vazia e a garçonete tirando os pratos. Ela está conversando com outra garçonete, e eu a ouço enquanto passo em direção ao estacionamento. — … ele era tão gato, não era? Pena que ele é casado e tem todos aqueles filhos. Contenho uma risada e paro quando chego ao estacionamento. Christian está parado ao lado de sua moto, estacionada ao lado do SUV deles e do carro de Liam. Não o vi dirigindo porque ele saiu sozinho antes de nós. Não preciso ser especialista em motocicletas para saber que deve ter custado uma fortuna. Não é uma moto de corrida e não é uma Harley, os únicos dois tipos que conheço. Tem guidão baixo e também é rente ao chão, preta e elegante. Gosto da aparência dela. Entro no meio da conversa enquanto Liam me puxa para o lado dele e beija meu cabelo. — Alguém interessado? — pergunta Christian. — Não. — diz Katherine. — Você não vai levar nossos filhos nessa armadilha mortal. Eu já te disse isso mil vezes. E queria que você usasse capacete. Ele meio que sorri. — Liam? Vamos. Você quer cavalgar? — É… não, obrigado. — E você, filha? Sophie ri. — Prefiro não morrer hoje, então não, obrigado. — Bem, eu sei que a resposta para os pequenos é não. — Com certeza. — diz Katherine. Ele fixa os olhos em mim. — Elô? Quer dar uma volta? Pisco, atordoada por ele ter me convidado. Estou prestes a dizer que não, que estou bem em voltar com Liam, quando ele diz: — Vamos, vai ser divertido. Suba na minha armadilha mortal. Katherine revira os olhos e eu tento não sorrir, depois aceno com a cabeça. Como posso recusar isso? — Ok. Depois que cheguei até ele, ele subiu, enquanto Liam me ajudou a subir na garupa. — Não dirija como um louco, pai. Traga minha namorada de volta inteira. Christian sorri para ele e depois olha para mim. — Coloque os braços em volta da minha cintura. Assim. Ele agarra meus pulsos, puxa meus braços para a frente e pressiona minhas mãos contra sua barriga. Eu entrelaço os dedos e me acomodo no assento, com o corpo encostado nas costas dele. — Nos vemos em casa, ok? — diz Katherine. Ela beija sua bochecha e o empurra de brincadeira antes que ele se vire para mim novamente. — Preparada? — Sim. Ele acelera o motor, e eu fico boquiaberta com a rapidez com que ele sai do estacionamento. Ele nem está indo tão rápido assim, estamos em uma rua pequena com um número razoável de outros carros, mas parece anormal. Eu o agarro com força, como se estivesse me segurando com medo da vida, e por cima do ronco do motor, consigo ouvi-lo rir. Fico atordoada novamente quando sua mão cobre as minhas e as aperta. — Não vou deixar você se machucar. Você está bem. Eu relaxo um pouco, suas palavras me confortam, e respiro fundo. Mas assim que ele sai da cidade e entra numa estrada perto da praia, ele voa. O vento me atinge com tanta força que m*l consigo manter os olhos abertos. Descanso o rosto em suas costas enquanto o ar quente sopra em meus cabelos, meus olhos se estreitam e encaro a praia borrada enquanto passamos por ela. Quando ele começa a diminuir a velocidade, eu me ajeito e observo enquanto entramos em uma área perto da praia. Ele para, desliga a moto e olha para mim. — Você quer dirigir? Eu rio instantaneamente e o encaro como se ele fosse louco. — Sem chance. — Por quê? — Por quê? Eu nunca dirigi uma moto. Mäl consigo dirigir um carro. Você quer que a gente morra? Ele também ri. É sincero e genuíno, e me faz rir de novo. Eu rio muito com ele e, de repente, percebo isso naquele momento. Mais do que já ri com qualquer outra pessoa além da Sophie. — O que foi? Percebo que estou em transe e olhando para o rosto dele. Fico vermelha e balanço a cabeça. — Nada. Vocês se parecem tanto com o Liam. — digo rapidamente, sem pensar. — Eu sou o pai dele, então isso era de se esperar. Vamos para casa. Um momento depois, estamos de volta à estrada. Continuo agarrada a ele. Ele não está nem perto de ir tão rápido quanto antes, e consigo me sentar ereta, olhar ao redor e apreciar a vista. Sinto o cheiro do oceano. Como algo aparentemente tão perigoso pode ser tão relaxante e agradável? Não sei, mas é… libertador. De repente, sinto vontade de soltá-lo e levantar as mãos no ar. Talvez até gritar. Para me sentir ainda mais livre, mas sou tímida demais para fazer isso na frente dele, então não grito. De qualquer forma, estamos perto da casa deles, na estrada sinuosa que leva até lá, e meu corpo inteiro está vibrando mesmo depois que ele desliga o motor. Ele me ajuda a descer e ficamos parados ao lado da casa. — Que tipo de moto é essa? — É um Speedster. Você gosta? Não posso deixar de sorrir. — Gosto. É divertido. — Eu continuo tentando dizer isso à minha família. Eles não me ouvem. — Bem, eu adorei. — É? Vou te levar de novo um dia desses. Ninguém mais quer ir comigo. — Eu realmente gostaria disso, Christian. Ele sorri lentamente e suspira. — Você tem um sorriso tão bonito, Elô. Não vejo você assim com frequência. Eu coro. Ele tem razão. Então me pergunto se ele notou que eu pareço sorrir e rir mais quando estou perto dele. Quando estamos sozinhos. Não é minha intenção, não é de propósito, só tem algo nele que... enfim, não consigo entender direito. Talvez seja porque eu não tive pai e ele é muito bom para os filhos. Há uma sensação de segurança que vem com a presença dele. — Acho que não sou de sorrir. — Depois do que você me disse ontem à noite, não estou surpreso. É só bom ver você sorrir, só isso. Penso em dizer a ele que desenhei os olhos dele mais cedo e que continuo pensando no nosso passeio de ontem à noite. Mas, no silêncio entre nós, simplesmente não consigo fazer as palavras saírem. Não acho que seria apropriado e ainda não tenho certeza de como ele reagiria. — Eu… eu vou ver o que o Liam está fazendo. Ele acena novamente e, enquanto me afasto, o rubor no meu rosto desce pelo peito. Isso faz meu coração apertar e eu respiro lentamente, tentando fazer com que pare. Não funciona.
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