Ayla não quis ir no carro com os outros até Granada, quis ir pilotando a moto, corria na estrada sem pensar em nada, apenas concentrada em seu caminho, isso a acalmou e quando chegaram na matilha de Romeu, ela entendeu porque os lobos gostavam de correr em alguns momentos, aquilo distraia a mente, acalmava e assim que todos estacionaram, ela pediu permissão a Romeu pra correr na matilha dele, o alpha autorizou e indicou o melhor caminho a ela, de onde mandaria seus lobos se afastarem, Ayla já se livrando dos coldres, mochila, takanas e botas, fingia escutar, conhecia a matilha, mas Romeu não sabia disso, agradeceu e saiu, Estevão vendo ela se afastar, perguntou ao bruxo:
_Não acha que ela ficará aborrecida quando souber que planejou a vinda dela pra cá pra acasalar com o alpha? E se ela não quiser?
Emir fez um gesto com a boca, olhou pro caçador colocando as mãos pra trás, olhou pra onde a alpha tinha ido e respondeu:
_Não, ela pode ficar aborrecida num primeiro momento, mas é o que ela quer, vai entender que se soubesse de tudo, teria matado Bianca, lobos não podem matar parentes, é uma ofensa a Deusa Luna, disso ela se arrependeria depois e se permanecesse na matilha, os outros alphas tentariam impedir ela e o alpha de acasalarem, não dariam paz a eles.
_E como ficará a guerra agora que o vampiro está fora de combate? Podemos agir e evitar que Magnus se levante novamente- perguntou e concluiu Estevão saindo com todos pra casa da matilha.
_Não conseguiremos, o vampiro tem uma amante bruxa que está apaixonada por ele, vai protegê-lo até ele se recuperar, vai mudar a história dele, outras tentaram impedí-la de dominar o vampiro, mas não vão conseguir impedir essa bruxa, isso nos dará vantagem, Magnus poderá não ser mais uma ameaça ao mundo sobrenatural, mas isso também dependerá da escolha dele no futuro, entretanto outros inimigos surgirão contra a alpha e o meio sobrenatural- respondeu o bruxo pensativo
_Do que está falando? Que inimigos?- perguntou Serafine ansiosa.
_Ora não finja que já não percebeu a reação dos alphas pela alpha, acha que eu e Romeu os convocamos apenas pra nos ajudar a combater os vampiros? Sem terem que combater vampiros, os alphas começarão a mostrar seus reais interesses, quem são realmente e acreditem, um alpha m*l pode ser ainda mais perigoso que vários vampiros juntos.
Serafine suspirou alto chamando a atenção de todos e falou:
_Me preocupo com a alpha tendo um companheiro como o alpha Henry, um descontrolado obsessivo, ela terá grandes batalhas com ele...
_Sim, mas essas serão entre quatro paredes e a alpha o subjugará facilmente.
_Sim, ele é um transformado dela- concluiu Serafine.
Emir riu e disse:
_A obsessão dele já venceu o chamado do sangue, ela é uma alpha, companheira dele, o alpha Henry vai ficar ainda mais enlouquecido, ainda pior do que já é por ela, mas ela já sabe como o subjugar facilmente com o que só ela pode dar a ele.
Estevão gargalhou enquanto Serafine olhava constrangida pro bruxo dizendo que Henry era um tarado, o bruxo não deu atenção, mas Romeu disse que se tratando de Henry por Ayla, ele era mesmo, chegaram em frente a casa da matilha onde Fernandez e John os aguardavam, esse último se adiantou até Romeu e ambos se abraçaram e beijaram num aperto cheio de saudades que todos admiraram, Serafine ao ser apresentada a Fernandez notou que o beta olhou todo o rosto dela com um brilho diferente no olhar, ela o cumprimentou, notou que ele arfou ao responder o cumprimento dela e ouviu Estevão e Emir conterem um riso, o beta estava encantado por ela, ficou envergonhada, sentiu que ele deu um passo até ela, a devorando com os olhos e pensou que os lobos não tinham pudor quando queriam flertar, fingiu não notar e entrou com os outros, sentindo o beta as costas dela, ele indicou pra se sentarem à mesa, logo serviriam uma refeição e sentou ao lado de Serafine, ela então reparou nele, era alto e forte, parecia jovem e era bonito, como a maioria dos lobos, emanava certa virilidade e se sentiu atraída por ele, sorriu pra Fernandez que lambeu os lábios olhando o sorriso dela, trocaram um olhar lascívo sem perceberem, algo instintivo, pareceram hipnotizados até que os demais, notando a interação deles, coçaram alto a garganta, os fazendo mudarem o olhar, Serafine não sentia cheiros como os lobos, mas se sentisse teria ficado constrangida e logo o assunto foi pra todos os preparativos pra chegada do alpha.
Henry chegou na Matilha Lua de Rosas e já era esperado, os lobos da fronteira o orientaram onde deveria estacionar, era ainda a certa distância da casa da matilha, entendeu o motivo ao ver Romeu e Estevão o aguardando, desceu do carro já perguntando onde estava Ayla, sem cumprimentar ninguém e Romeu, cumprimentando todos os recém chegados, falou que ela tinha ido correr na matilha, ainda não sabia que ele estava vindo, Henry disse que iria atrás dela, mas Romeu tomou a frente dele dizendo que aquilo a deixaria zangada, que tinham um plano preparado para que se encontrassem sozinhos, o instinto de Henry o alertou a confiar e se deixou conduzir por Romeu enquanto Estevão falava com Jorge, Juliette e Oliver o que eles fariam, havia todo um plano pra Henry e Ayla se encontrarem, a matilha estava silenciosa, apenas a vibração parecia mais intensa e todos sabiam que era por causa da presença da alpha, o magnetismo dela era sentido aonde fosse.
Ayla correu por horas, parou diversas vezes sentindo o vínculo a torturar, sua loba raivosa clamava pelo companheiro e pela matilha, era a natureza de um alpha, seus pensamentos ainda eram tristes e revoltados, lamentava a morte de seus lobos, de não tê-los salvo, chorou tentando colocar sua própria frustração pra fora do peito, pensava em como tudo seria dali pra frente, pensou em Henry, Bianca, em Adrian, pensou no próprio futuro e em tudo que sabia até ali, quis meditar, mas não conseguiria, não queria conversar com Lucian ainda, queria ficar sozinha e silenciosa, precisava botar pra fora toda a angústia que sentia, se livrar de todo aquele sentimento que a oprimia e quando o pôr do sol se anunciava, ela parou pra apreciar de cima de um morro, fechou os olhos no final como se quisesse anunciar a si mesma que com o fim daquele dia, também seria o fim daquele sofrimento por aquilo que não podia mudar e tomou a decisão de que se resignaria a cumprir seu propósito, era sua missão, um dia tudo aquilo que estava vivendo seria só passado, pois não haveria bem que durasse pra sempre e nem m*l que perpetuasse eternamente, tudo passava, tudo mudava o tempo todo e isso era a vida, uma balança de perdas e ganhos, uma escola para o espírito que precisava aprender a superar seus próprios defeitos, sentiu uma energia a envolver novamente, a mesma energia quando esteve sozinha antes de encontrar Hans e uma calma conformação envolveu seu ser, abriu os olhos e viu a lua cheia sob a penumbra, então entendeu, era a Deusa Luna emanando sua energia pra ela, fez uma silenciosa oração, sem lamentos ou reclamações, apenas gratidão por tudo que tinha, por tudo que era e por todos que estavam ao lado dela, chorou de emoção e quando decidiu que era hora de voltar, já não havia tristeza ou revolta em seu coração.