Henry ficou calado, olhando pra Romeu, estava descrente de tudo, não havia motivos pra reagir, pra lutar, mas continuou a escutar:
_Não sabemos como será o futuro, mas sabemos como foi o passado e as consequências dele vivemos agora, temos a lição e procuramos a redenção, a alpha lhe deu um poder, ela tinha um propósito que é seu também, combater os vampiros e seus aliados que querem nos extinguir, honre o que ela lhe deu, procure ver que tem uma benção também, não só uma maldição.
Henry abaixou o olhar, não sentia que houvesse qualquer perspectiva pra sua vida, era só remorso e saudades, não havia pensado em tudo que tinha mudado, o que Romeu falava tinha coerência, porém disse:
_Sinto que minha vida perdeu o sentido, tudo que podia esperar da minha existência acabou.
_Já foi condenado, é amaldiçoado, quero ajudá-lo com seu fardo, para que se perdoe, acabe com a infelicidade de seus lobos, você não use seu poder de maneira equivocada e não exigirei nada em troca.
Henry se surpreendeu, pois desde que tudo aconteceu, muitos alphas o procuraram, mas nenhum ofereceu ajuda ou apoio desinteressado, convidou Romeu a se sentar, tiveram uma longa conversa que fez Romeu mudar o que pensava sobre Henry e depois desse dia, Romeu se aproximou de Henry, o apoiou e orientou como Selene havia pedido, o alpha precisava se perdoar pelo que havia feito e procurar a redenção dos seus erros ou acabaria amargando a ilusão de que seu poder era pra fazer guerra, extinguir vampiros sem piedade, se tornaria c***l, um tirano que usaria o que tem pra comandar outras matilhas indiretamente, Henry era o mais forte entre os alphas e já pagava por seus erros, nas noites de lua cheia, Romeu ia pra matilha dele e ficava como interino para que Martin pudesse acompanhar o flagelo do seu alpha, depois da atitude de Romeu, outros alphas ofereceram ajuda, perceberam que o queriam como aliado, ainda mais que começaram a surgir notícias de ataques de vampiros em várias partes do mundo, o único alpha que não aceitou e ficou revoltado com a atitude de Romeu foi Adrian, esse odiava Henry com toda a força do seu ser, Romeu tentou várias vezes fazê-lo ponderar, entender que Henry já era castigado e também tinha perdido a loba que amava, mas Adrian rebatia sempre com o mesmo argumento:
_Ele nunca a amou, a estuprou, traiu e aprisionou, ele é quem devia ter sido queimado vivo.
Mas Romeu não desistia, sabia qual era o problema dele, certo dia estava saindo da matilha de Adrian, iria direto pra matilha de Henry, a noite do próximo dia seria lua cheia, quando soube que o alpha Cristian tinha chego na matilha, o cumprimentou na presença de Adrian, sabia que eles tinham negócios, mas não sabia que eram cúmplices em muitos feitos, então se despediu de Adrian que falou:
_Alpha Romeu, se um dia quiser fazer um bem ao mundo sobrenatural, procure um jeito de quebrar a maldição daquele alpha maldito.
Romeu entendeu onde ele queria chegar, se virou pra ele e viu nos olhos de Adrian, por uma fração de segundo, a sombra da loucura, sentiu um arrepio e replicou:
_Talvez um dia ele seja perdoado pela Deusa e deixe de ser amaldiçoado.
_Então terei a esperança de fazer com ele o que ele fez à alpha, matá-lo.
_Você não sabe o que diz, a morte seria a libertação para o alpha Henry, ele não sofreria mais a terrível tortura de dor, agonia e desespero que ouço em toda lua cheia que estou lá e encontraria a companheira dele- disse Romeu seriamente.
Os olhos de Adrian ficaram sombrios de ódio que disse cuspindo:
_Então que ele viva eternamente e viva assim, que jamais reencontre a alpha.
Romeu sentiu pesar por Adrian, ele era realmente louco, teve certeza e foi embora sem rebater, chegou na matilha de Henry logo após o almoço, mas foi servida uma refeição a ele mesmo assim, Henry e Martin apesar de já terem feito a refeição, se sentaram com ele e conversavam sobre negócios, Henry sabia que Romeu tinha passado na matilha de Adrian, mas nunca perguntava a ele sobre aquele alpha, sabia que Adrian o odiava e era apaixonado por Ayla, sofria com a morte dela, isso o fazia se corroer de ciúmes e odiar Adrian, seu instinto o alertava de que se Ayla fosse viva, Adrian seria um rival perigoso, um inimigo a ser cauteloso, então Romeu perguntou a Martin quando Helena iria parir o lobinho e esse respondeu que poderia ser a qualquer momento, estava a termo, Romeu notou certa tristeza na voz do beta, sabia que era a parte da maldição que cabia a ele, o remorso, a falta de alegria até mesmo com a expectativa do nascimento do filho, mudou de assunto, perguntou por Luíza e o beta respirando fundo, disse:
_Ela apesar de ser ainda muito jovem, demonstra revolta para com todos pelo o que aconteceu com a alpha, nos culpa, Luíza seria a beta da alpha e sente o que todo beta sente quando perde seu alpha, revolta e desalinho...
Nesse momento o beta parou de falar e olhou fixamente pra Henry que devolveu o olhar na mesma intensidade, Romeu perguntou o que era e Henry se virando pra ele, respondeu:
_A madre da Fortaleza da Fé, a bruxa Vitória está na fronteira da matilha e pede pra ser recebida por mim.
Romeu perguntou o que ele faria e já se levantando, respondeu que a receberia, Romeu parou de comer e junto com Martin seguiu o alpha, logo Vitória desceu de um automóvel na companhia de outras duas bruxas e diante da casa da matilha, cumprimentou os alphas e o beta, Henry disse que ela era bem vinda, mas perguntou o que a trazia a matilha dele e ela respondeu que trazia o perdão que ele tanto ansiava, Henry agradeceu que ela o perdoava, mas Vitória negou com a cabeça e disse:
_Não, não é o meu perdão que trago e gostaria que conversassemos sobre isso.
Henry entendeu sem acreditar, seu instinto gritava que ela trazia notícias muito importantes e sem cerimônia a convidou com as bruxas pra irem ao escritório dele, Romeu e Martin disse que iriam juntos, nem Henry e nem Vitória se opuseram, Romeu já sabia o que era e trocou um olhar rápido com a bruxa sem que ninguém percebesse, tão logo entraram no escritório, Henry convidou todos a se sentarem no sofá e notando a ansiedade do alpha, a bruxa disse:
_Alpha Henry, o perdão que trago é da sua companheira- Vitória notou que o alpha prendeu a respiração e continuou- ela acredita que já sofreu muito por tudo que fez, aceitou ajuda, se arrependeu de todos os erros.
_Sim, mas nada pode mudar o que aconteceu e minha dor será eterna, o espírito dela falou com você?- disse emocionado.
Vitória não podia mentir ou o alpha saberia, tampouco usar o feitiço da mentira, então pontuou as palavras:
_Sou uma bruxa, falamos com espíritos e vim a pedido da alpha lhe devolver um objeto.
Vitória tirou do bolso uma caixinha de veludo roxo e entregou ao alpha que já sabia o que era, quando abriu e viu o anel, a luz do teto piscou três vezes, um vento estranho passou pelo ambiente fechado e um cheiro de mirra tomou o ambiente, era a quebra da maldição.