A Verdade para Lin

1144 Palavras
Selene olhou triste pra Lin e disse que ele estava certo, ela foi até ali por que precisava de ajuda e Jihoon disse que sua antiga matilha era a única que podia fazer isso, então contou toda sua vida desde as circunstâncias do seu nascimento até como conseguiu chegar ali, assim como o plano que tinha em mente, não podia contar que tinha voltado no tempo e nem que tinha estado com a própria Deusa Luna, não perante todos, Lin escutava tudo sorvendo o chá, sem expressar nada, então quando Selene terminou de falar, ele ficou calado, olhando pro nada e depois olhando pra Jihoon, falou: _Eu sabia que você seria o primeiro de algum alpha, a benção da Deusa Luna para que o alpha pudesse liderar seu povo, criar uma própria matilha- virou-se para Selene e continuou- Alpha, eu e minha matilha vamos prepará-la pra essa guerra e você será vitoriosa, mas tenho que prevení-la que aqui nada será fácil. Selene disse que já sabia que nada seria fácil pra ela, mas estava disposta a enfrentar, Lin sorriu olhando pra ela até que o humano que serviu o chá, entrou na sala com uma bandeja com vários pratos de sopa, acompanhado de um lobo que trazia mais chá, agora de limão e também uma jarra de água, depois que eles saíram o alpha, falou: _Amanhã começaremos o seu treinamento e explicarei como tudo aqui funciona, conversaremos muito ainda, mas por enquanto vamos comer e vocês vão descansar depois. Todos concordaram e agradeceram, depois da refeição, os cinco saíram da sala, já era noite, Selene gostava de admirar o lugar, era bonito e bem cuidado, era como uma vila, com várias casinhas de teto baixo, todas pintadas de branco com detalhes vermelhos, o local era todo arborizado e limpo, havia balões vermelhos e brancos iluminando todos os locais, não havia nenhum lobo a vista e Selene, Jihoon, Jorge e Juliette foram conduzidos, pelo alpha, cada um pra uma dessas casinha que na verdade era um quarto não muito pequeno, Selene disfarçava que conhecia tudo aquilo, porém tudo que via lhe lembrava Joshua, seus olhos se encheram de emoção, uma dor aguda dilacerava seu coração saudoso e com custo conteve o que sentia, isso não passou despercebido pra Lin que ficou desconfiado e falou: _Pela manhã, quando o astro rei estiver nascendo, venho buscá-la e iniciaremos seu treinamento, pedi pra deixar sobre a cama roupas adequadas pra você e se precisar de mais qualquer coisa, só precisa sacudir o sino sobre a mesa e um humano ou lobo virá atender. Selene assentiu e se despediram, a alpha se lavou numa tina com água que tinha num canto do quarto e deixou lágrimas silenciosas descerem pelo seu rosto, aquele lugar iria fazê-la lembrar do filho amado o tempo todo, depois vestiu roupas limpas, se deitou, mas o sono não veio, rezou à Deusa Luna, contou a ela o que se passava em seu coração como se ela fosse sua melhor amiga, agradeceu por ter chego até ali, depois ficou deitada, sem conseguir ainda dormir, resolveu que iria meditar e assim que se concentrou e começou a ouvir as vozes, ouviu a voz de Romeu e o pedido dele, Ayla lembrou do buquê de flores da lua que recebeu de Luíza na presença dele, sabia que ele apreciava aquelas flores e usou seu poder da bênção para que a matilha daquele alpha se enchesse com aquelas flores, depois conversou com Lucian e falou com ele da dificuldade em dormir, o obsessor disse que aquilo era um efeito colateral da viagem no tempo, a mente ficava em alerta a todo tempo, que ela teria que aprender a viver naquela condição até a data em que o tempo se encontrava, mas que pedisse ajuda ao bruxo e ao alpha Lin, que contasse logo tudo ao alpha, ele estava desconfiado, pois sentiu o magnetismo dela balançar o dele, a força da presença dela já diziam que ela era incomum até mesmo pra uma alpha fêmea, Selene assentiu e se despediu do obsessor no exato momento em que Lin abria a porta do quarto, Selene sorriu e se levantou, disse que tinha perdido o sono e resolveu meditar, já fora do quarto eles começaram a andar devagar e a alpha olhou pro horizonte, o sol estava nascendo, era lindo de ver naquele lugar, parecia estar em outro planeta, lembrou novamente de Joshua, de todas as vezes que viram o pôr do sol abraçados e fechou os olhos espremendo os lábios, uma saudade profunda esmagava seu coração, queria estar com seu filho e sentia certo desespero em pensar se não o veria de novo, Lin percebeu o sofrimento dela, pensou que poderia ser o vínculo, mas seu instinto lhe disse que era por outra coisa e disse: _Sua dor não me parece a dor do vínculo, seu pranto tem uma tristeza incomum pras lobas. Selene abriu os olhos e viu que Lin a olhava com desconfiança e resolveu contar a ele tudo: _Sim, há algo que não lhe contei por estar na presença dos meus e eles não podem saber, mas me foi confiado a lhe contar. Lin respirou fundo desviando o olhar de Selene e disse: _Nesse caso, adiarei seu primeiro treinamento pra depois do almoço, vamos andar pela matilha e conversaremos. Lin começou a andar na frente de Selene, mas parou ao escutar: _Acho melhor que adie até depois do jantar. Ele se virou levemente pra ela, pensativo e afirmando com a cabeça voltou a andar, ela o acompanhou e começou: _Você tem razão quando disse que meu espírito reconheceu esse lugar, mas não foi de outra reencarnação, não desta vez, foi desta vida mesmo - Lin parou e a olhou como se já tivesse entendido e ela continuou- já conheço tudo aqui, a rotina, o treinamento, cada lobo e canto dessa matilha, estou revivendo o passado... _Você voltou no tempo- disse ele com um brilho nos olhos. _Sim e o que vou lhe contar, ninguém, além de nós dois, Emir, um bruxo que virá pra cá e Vitória, a madre que ajudou a me criar, sabem, pois a Deusa Luna me pediu que fosse assim, inclusive há o feitiço do oculto que impedirá qualquer um de saber a não ser por mim. Os olhos de Lin se arregalaram e perguntou: _Esteve na presença da Deusa? _Sim, eu morri e me encontrei com ela. Lin a olhou espantado, voltou a andar com Selene ao lado dele e ela contou tudo a ele, desde o dia que chegou a primeira vez ali, Lin escutou tudo quieto, sem fazer qualquer pergunta ou esboçar qualquer expressão, apenas vez ou outra a olhava para que ela continuasse a narrativa, andaram pra um acampado afastado e estavam nesse lugar quando já era de tarde e ela contou o encontro que teve com a Deusa Luna.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR