Passei a noite chorando dentro desse porão, eu não posso deixar ele me manipular mais assim, eu sei que ele não tentaria nada contra mim, por que senão ele já tinha me matado muito antes, por algum motivo ele me poupa, mas machuca quem eu amo.
Sai daquele porão sem dizer um a, fui no quarto, tomei banho e fui pro hospital, hoje eu não trabalho, vou passar um tempo com meu irmão, depois vou na praia, preciso respirar, sair desse meio estressante que eu vivo com o WL.
- bom dia melissa, temos uma novidade - a enfermeira vem sorrindo me encontra
- aconteceu algo?
- seu irmão acordou de madrugada - sinto um peso saindo de dentro de mim
- então ele está fora de risco? - pergunto e ela sorri confirmando.
- pode ficar tranquila, ele vai ficar em observação hoje e amanhã, se tudo der certo nos exames e ele não apresentar nenhum sintoma preocupante, ele vai ganhar alta - ela fala e eu confirmo
- posso ir ver ele? - ela confirma e eu saio indo pro quarto.
- mel - ele me chama com a voz baixa
- Mateus, me perdoa - vou até ele dando um abraço
- não quero você com ele mel, você não merece isso - ele fala e eu o encaro
- você sabe que não é fácil Mateus, sabe que ele fere as pessoas ao meu redor
- nem que eu tenha que virar essa favela de cabeça pra baixo mel, com ele você não vai ficar mais, ele tá acabando com a sua vida mel, você tem 22 anos, é jovem, tem tanta coisa pra viver, tantas pessoas pra conhecer, eu vou te tirar do lado dele, custe o que custar
- não preocupa comigo, você tem que ficar calmo pra sair daqui bem, você me deu um susto, eu não sei o que eu faria sem você meu irmão.
- fica tranquila mel, vaso r**m não quebra fácil não - ele fala e dá um sorriso fraco - a Ana cadê ela?
- tá com BK eu acho - ele confirma
- vou pedir pra ele botar uns seguranças pra ela, por que aquele filho da p**a do WL é capaz de te ameaçar usando ela agora - ele fala puto e eu fico sem graça - vai me dizer que ele já te ameaçou
- fica tranquilo, ele não vai mais mexer com nenhum de vocês, eu prometo - falo passando a mão no seu rosto - se recupere e fiquei bem logo, o tigre dono do morro já voltou, então você tem que ficar bem pra poder da conta do serviço, e eu quero que você tome conta da Ana, não deixa o BK ou qualquer outra pessoa fazer m*l a ela - falo e ele me encara sério
- tá pensando em fugir de novo? - sua voz sai seria e eu n**o
- não vou fugir, não se preocupa, vou ter que sair agora, mas qualquer coisa me liga tá bom?
- se liga na sua caminhada mel, quero tu bem e se ele encostar em você eu juro que esqueço que ele é meu superior e mato aquele babaca - ele fala e eu sorrio
- ele não vai, fica tranquilo - vou até ele e dou um beijo em sua testa e saio dali.
vou descendo a favela e vejo a Ana o BK e o tigre juntos, ela me olha e já me chama
- ruiva, vem aqui - ela me chama toda sorridente, tenho a Ana como irmã, crescemos juntas aqui, ela sempre teve mais contato com os envolvidos, já eu vivia longe deles.
- oi Ana - dou um abraço nela - Mateus acordou - dou a notícia e ela sorri me abraçando
- eu disse garota que ele ia sair dessa, aquilo dali tem sangue forte - eu confirmo
- oi - comprimento os dois e já olho pra Ana - eu preciso ir - dou um abraço forte nela - Ana - ela me olha atenta - se cuida, não anda sozinha nunca por favor - ela me encara seria
- o que ele te falou - eu nego
- nada, é só um pressentimento
- WL te ameaçou? - tigre pergunta sério e eu n**o
- não é assunto de vocês, com todo o respeito não se mete - falo e olho pra Ana - depois a gente se vê - falo já saindo dali
- que mina abusada - escuto o tigre falando e o BK rindo
vou a pé até a praia, sento ali e fico olhando pro mar, eu tinha costume de vir aqui com a minha mãe e o meu pai, quando era mais nova, tinha uns 6 anos Mateus tinha 8 anos, lembro que fazia piquenique com a Ana, eu amava ficar fazendo os castelos enquanto o Mateus amava destruir tudo, era bons tempos, mas aí nossos pais começaram a ficar esquisitos, quase não ficava em casa, sempre de segredos, e um dia nós acordamos e só tinha uma carta que eles tinha deixado pro Mateus, não sei o que estava escrito, Mateus nunca me contou, enfim fomos abandonados, mas por incrível que pareça nunca nos faltou nada, Mateus entrou pro crime com 13 anos dois anos depois que nossos pais foi embora, eu nunca concordei com isso, mas respeitei a decisão dele, no dia que teve a invasão que o tigre tomou conta da favela, todos os vapores que estavam no comando do antigo dono foi morto, eu tinha 15 anos e o Mateus 17 lembro que eu fiquei em desespero sem saber nada do meu irmão, passei o dia angustiada, mas quando foi a noite ele chegou em casa eu nunca entendi do por que pouparam ele, mas
também nunca questionei nada, Mateus é forte, se tornou um homem de valor, por mais que seja envolvido com o crime ele não é como muitos, que só quer saber de p*****a e bebida, Mateus entrou no crime pra dar conta das despesas de casa, eu continuei os estudos e trabalhava meio período, para ajudar, nossa vida era até tranquila, até o William se meter no meio dela.
Eu sei que o que eu vou fazer é errado, e que talvez eu nunca seja perdoada pelo Mateus e pela a Ana, mas é a única solução pra que eles possam viver em paz.
Já são 19:00 da noite, começou a chuviscar, estou subindo o morro, parece que tudo está sendo uma despedida pra mim, conversei com meu irmão vi a Ana, vi o mar, e agora a chuva, sorrio fraco por que sei que vou ter que ter coragem.
chego no topo do morro, o lugar mais alto, vejo as luzes do Rio de janeiro brilharem aqui de cima, a árvore que muitos amam vir ficar de baixo dela está vazia, minhas lágrimas se misturam com a chuva, abro a minha bolsa, pegando a corda que coloquei nela, e subo na árvore amarro ela firme no galho resistente, em um tamanho que eu sei que não vou conseguir me arrepender pra voltar atrás, faço um laço na ponta e coloco envolta do meu pescoço.
- me perdoa Mateus, me perdoa Ana, mas é só assim pra ele não machucar nenhum de vocês - falo pra mim mesma com a voz embargada, mas escuto o celular tocar no meu bolso, ele tava desligado, tinha certeza disso. Pego o celular e atendo
- desce agora daí, você não vai fazer isso, vou te ajudar a livrar do William - a voz rouca ecoa do outro lado do celular.
- quem é?
- tigre!