4

1226 Palavras
SELENA NARRANDO Eu entro dentro do apartamento, chamando por ele. — Gabriel? Gabriel? – eu ando pelo apartamento, mas não o encontro. Novamente tento ligar para ele só que continua caindo na caixa postal, eu ligo para o restaurante e nada, nem sequer chamava também o telefone do restaurante, começo a ficar preocupada com toda essa situação, em todos os meses junto de Gabriel ele nunca deixou de me atender, sempre me respondia quando precisava e hoje ele acordou muito estranho. Eu pego a minha bolsa e vou até o restaurante, quando eu chego lá não tinha nem sinal de vida, tudo fechado, eu vejo o carro de uma imobiliária estacionando na frente. — Você veio para alugar o local? – O homem pergunta me vendo na frente. — Não, esse Restaurante é do meu noivo, deve abrir em algumas semanas. — Quem tinha alugado esse local, acabou de me ligar desistindo dele. — Como? – Eu pergunto espantada – Não, não deve ser engano, não deve ser esse local. Meu noivo tem um restaurante aqui, todo equipado. — Sim, ele vai vender os equipamentos, tudo que tem dentro para o próximo locatório, só estamos esperando encontrar alguém que queira abrir um restaurante nesse local. — O senhor está tirando onda comigo né? — Como, senhorita? — Esse lugar está alugado, meu noivo é dono dele, ele estava em reunião com fornecedores aqui. — Senhorita, ele passou com a mãe dele na minha imobiliária desistindo do local, não faz nem uma hora, estou com as chaves – ele me mostra as chaves. — Com a mãe dele? A mãe dele está morta. — Dona Tenório, está vivíssima – Quando o sobrenome dele sai da sua boca, chega a me dar tontura. – A senhorita está bem? — Esse é o cara que desistiu do restaurante? – eu pergunto mostrando a minha tela inicial. — Sim, senhor Gabriel – ele assente – Espera, você não sabia? — Eu falei com ele a algumas horas e ele me disse que estava aqui tendo uma reunião com fornecedores, ele me disse que a mãe dele era morta e que foi criado pelos tios – eu começo a falar sem parar e o moço me encara com um olhar de pena. — Ele saiu da imobiliária direto para o aeroporto – eu o encaro novamente sem acreditar no que estava escutan-do. — Você disse para o aeroporto? — Essas horas ele já embarcou. — Ele foi embora? — Sim, o que eu entendi é que ele – ele me encara e eu encaro. — É que ele o que? — Olha, eu sinto muito falar isso. Só que a mãe dele deixou bem claro que estava levando o filho dela embora porque ele caiu no golpe da barriga com uma garota. — Golpe da barriga? Ele foi embora? – eu começo a questionar tudo que aquele homem me disse. – Ele me abandonou sozinha em Paris? — Eu sinto muito por te dar essa notícia – ele fala – A senhorita se chama – ele pega seu celular – Selena Hunner? — Sim, sou eu. — Ele deixou o apartamento em que você mora, com os aluguéis pagos para o próximo dois anos. — Isso é uma pegadinha, não é? Cadê o Gabriel? Quando ele vai aparecer aqui para dizer que vocês estão caçoando de com a minha cara? Ele está dentro desse carro – eu aponto para o carro. — Não, senhorita. Ele foi embora, embarcou não faz muito, cancelou o contrato desse local. Ele começa a falar as coisas e eu saio andando pelas ruas, ele começa a me chamar mas eu não o escuto, eu vou andando e tentando ligar para ele mas ele não me atende, como ele me abandona sozinha em Paris? Como ele é capaz de fazer uma coisa dessa? Eu volto correndo para o nosso apartamento com a esperança que fosse mentira. Eu entro dentro do apartamento que nem uma maluca, correndo até o quarto e entrando no closet e encontro tudo vazio, eu começo a chorar ainda mais, minhas mãos tremiam, eu abro gaveta por gaveta e nada tinha, está tudo vazio, eu olho para cima da cama e vejo uma pequena maleta encima, eu me aproximo lentamente e quando abro ela, eu não acredito no que eu estava vendo. ‘’ Não me procure nunca mais Selena, você tentou me dar o golpe da barriga. Se realmente você tiver grávida, aqui tem o suficiente para você viver tranquila, não me procure, não ouse fazer isso. Se você fizer isso, eu tiro essa criança de você.’’ Eu jogo aquela mala longe, fazendo com que o dinheiro se espalhe por todo aquele quarto. — Seu filho da mãe – eu falo gritando – não pode ser, não não pode ser. Eu nunca quis dar o golpe em nin-guém. O meu nervosismo era tão grande, que eu começo a passar m*l, eu corro para o banheiro e começo a vomitar, eu mando mensagem para o número dele mas nem chega as mensagens que eu envio, ele tinha me abandonado aqui sozinha, em outro país. Como ele pode achar que eu seria capaz de dar o golpe nele? Como eu acreditei que ele me amava e que ele queria ficar comigo? Agora estou aqui no outro lado do mundo, sozinha e grávida e sem saber o que fazer. Depois de um tempo jogada no chão da sala, tentando entender o que tinha acontecido, a porta é aberta e era Mariana. — Meu Deus – ela fala correndo em minha direção. — Ele me abandonou. — Eu não acredito que ele fez isso com você. — Ele fez. Ele disse na mensagem que eu dei o golpe da barriga nele, eu nunca faria isso. — Ele é um i****a, para onde ele foi? — Eu não faço idéia, o cara da imobiliária não quis me dizer nada, ele colocou para alugar o restaurante. — Do nada? Do nada ele fez isso tudo? Em algumas horas? Parece que ele já tinha tudo planejado. — Sabe o que o cara da imobiliária me disse? — O que? — Que ele tinha a mãe dele junto dele, a mãe dele. — A mãe dele não era morta Selena? – ela pergunta espantada. — Ele disse que sim! – eu olho para ela e ela limpa as lagrimas – o que eu vou fazer? Ele me deixou dinheiro para viver uma vida tranquila, como vou voltar para o Brasil e dizer para minha vó que eu fui enganada, vol-tar grávida? — Você não vai voltar – ela fala. — Você está louca? Como vou ficar aqui sozinha? – eu pergunto. — Você tem a mim, não vai desistir da sua bolsa da faculdade, de se formar. — Como vou sobreviver com uma criança? — Você não disse que ele deixou uma mala de dinheiro, então use. — E o apartamento pago durante dois anos. — Então – ela fala – você vai desistir dos seus sonhos por causa daquele filho da p**a? Eu não vou admitir que você volte para o Brasil. — Ele me abandonou. — Quem perdeu foi ele. — Eu estou grávida – eu falo para ela – grávida na França. — Dupla cidadania – ela me encara dando de ombros e eu n**o com a cabeça.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR