Eu caminhei por cerca de 1 hora até chegar na entrada da cidade, em seguida eu sigo para o lado sul por cerca de 30 minutos até encontrar uma barreira enorme. Certamente atrás daquela barreira estavam os remédios que eu precisava para curar Zeddy, é claro que também os humanos que os guardavam.
Mas antes de tentar passar pela barreira eu olho de um lado para o outro e me pergunto “Onde estão os transformados dessa cidade?”. É estranho caminhar em uma cidade grande como aquela durante 30 minutos sem dar de cara com alguma espécie de transformado.
Quando eu resolvo deixar para lá eu escuto motores de carros, além de barulhos de disparos de arma de fogo. Eu me escondo e logo passam por ali duas caminhonetes 4x4 com metralhadoras de calibre Ponto 50 embutidas em suas traseiras. Havia 4 homens em cada uma delas, dois estavam sentados nos bancos da frente e dois em cada carroceria, um deles disparava com a ponto 50 enquanto o outro ajudava com a munição.
Assim eu me perguntava em que eles estavam atirando, mas não demorou muito para que minha pergunta fosse respondida. Atrás dos carros vinha um tipo de transformado que eu nunca havia visto, ele corria muito rápido e seu corpo parecia estar revestido com um tipo de armadura orgânica aparentemente indestrutível, já que o mesmo estava recebendo disparos de 2 metralhadoras ponto 50.
As caminhonetes em alta velocidade usam uma rampa para saltar por cima da barreira, e a criatura salta logo atrás sem demonstrar nenhuma dificuldade. Assim que o barulho de motor e tiros se afastam eu saio do meu esconderijo.
Eu digo para mim mesma: - Espero não ter que me encontrar com essa criatura... Eu não saberia como detê-la!
Eu caminho até a barreira de sucata e a escalo pacientemente, mas assim que eu consigo chegar ao outro lado eu contemplo uma visão de pilhas e mais pilhas de corpos de transformados e não transformados.
Então eu me pergunto: - Mas que diabos está acontecendo nesse lugar?
Eu caminho entre os corpos e acabo vendo também cadáveres crucificados entre os corpos, o que mais me chamou a atenção foi que todos os cadáveres crucificados estavam sem suas cabeças.
Depois de olhar bem eu digo a mim mesma: - Parece que seja lá quem foi que fez isso, sabe bem como matar um Supremo!
Eu caminhei mais um pouco e depois de alguns minutos eu avisto as duas caminhonetes ensanguentadas e quase destruídas por inteiro, elas estavam estacionadas na frente de um prédio de 6 andares.
Eu caminho até a entrada onde eu vejo a porta totalmente destruída. Eu entro no prédio e sigo pelo corredor principal, o corredor se encontrava coberto por sangue além de corpos e vísceras por toda parte. Mesmo não querendo me encontrar com a criatura que fez aquilo, no fundo eu sabia que poderia, então eu fico alerta.
A luta parecia ter sido inevitável, aquelas pessoas mortas certamente morreram lutando e foram assassinadas brutalmente. Havia perfurações de bala por toda parte, mas nem sinal da criatura até então.
Chegando no elevador eu aperto o botão para chamá-lo, mas assim que ele chega no meu andar e suas portas se abrem, uma pilha de corpos e vísceras desaba sobre meus pés.
Depois de me afastar por conta do susto eu digo: - Droga, quantas pessoas estavam nesse prédio?
Então eu evito o elevador e subo para o último andar usando as escadas. Mas agora você deve estar se perguntando, por quê o último andar? A resposta é simples, o último andar é o lugar mais alto do prédio, portanto o mais óbvio para se guardar suprimentos e armas.
Assim que eu chego no último andar eu vejo no final do corredor uma porta totalmente destruída, em pedaços para ser mais exata, além de mais mortes.
Eu sigo pelo corredor até chegar a sala, e assim que me aproximo eu sinto a presença de um Supremo. Então eu entro e vejo uma garota de cabelos brancos pegando todos os remédios que se encontrava em um armário e jogando em uma mochila. Vendo que ela estava pegando todos eu digo: - Com licença, você poderia me ceder alguns desses remédios?
A garota olha para mim surpresa, mas logo diz: - Você esperou eu dizimar toda essa escória sozinha, e agora quer compartilhar os espólios?
Confusa eu digo: - Espera aí, se eu entendi bem, foi você quem matou toda essa gente?
Com um olhar frio a garota responde: - Não passam de animais, isso é o mínimo que eu poderia ter feito!
Eu olho nos olhos da garota e respondo: - Você já foi um deles, não deveria esnobar tanto os humanos!
A garota faz uma expressão nada amigável e diz: - Do que você está falando? Vai ficar do lado deles agora?
Eu sinto uma certa hostilidade vindo da garota, então eu respondo: - Eu apenas disse que você já foi um deles, isso não é verdade?
A garota me ignora e termina de recolher os remédios, assim que ela fecha a mochila, ela olha para a minha cara e seu corpo é envolvido por um amontoado de carne que saía diretamente de sua pele, logo essa carne escurece e fica rígida, a garota aumenta de tamanho e aquela carne endurecida se torna um tipo de carapaça... Senhoras e senhores, a garotinha mostra para mim que ela é a criatura monstruosa que estava perseguindo as duas caminhonetes agora mais cedo.
Eu olho para o monstro e digo: - Mas que p***a!
E para piorar a mochila com os remédios ficou presa dentro daquela coisa junto com a menina. A criatura olha para mim e aponta suas garras em minha direção.
Eu respiro fundo e digo: - Não faço ideia de como vou te enfrentar, mas o meu parceiro precisa desses remédios, então eu vou arrancar de dentro de você se for necessário!
O monstro avança em mim com uma velocidade que eu não acompanhei com os olhos, ele me acerta com tudo e eu acabo sendo arremessada no corredor em meio aos cadáveres. Eu me levanto de pressa, mas quando me dou conta o monstro já estava na minha frente, ele me acerta um soco no rosto e eu atravesso uma das paredes do prédio varando na sala ao lado.
Eu me levanto bem rápido e novamente a criatura já estava na minha frente, mas dessa vez eu consigo me esquivar de seu golpe. Porém infelizmente para mim o monstro usa sua outra mão e agarra o meu rosto, em seguida ele afundou meu rosto no chão e nós acabamos no andar de baixo.
Eu tento me soltar, mas o monstro acaba se mostrando ser muito mais forte do que eu. Então me lembro do que aquele garoto Supremo havia dito sobre os dons de cada Supremo.
Então eu penso comigo mesma: *Vamos lá garota, se você tem um dom, essa é a hora de despertá-lo... Ou tanto eu, quanto o Zeddy, vamos morrer!*