NARRADO POR RENATO — O GOSTO DO INACABADO O QG da Alvorada estava mergulhado naquele silêncio sepulcral e pesado que sucede as grandes tempestades. Eu permanecia sentado atrás da minha imponente mesa de carvalho maciço, observando, com uma frieza clínica, as manchas de suor e o desarranjo das notas de dinheiro que, minutos antes, serviram de palco para a minha "purificação". O efeito da cocaína ainda vibrava sob minha pele, uma eletricidade gélida que transformava minha fúria em um foco absoluto, quase sobrenatural. Viper entrou na sala após o descarte da garota. Ele trazia um copo de água e uma toalha limpa, movendo-se com a cautela extrema de quem entra na jaula de um animal que ainda não terminou de devorar sua presa. O cheiro de pecado e uísque no ar era quase sólido. — Está limpo l

