NARRADO POR SOMBRA — HORAS DEPOIS NO BAR “QUANDO O CORPO CANSA, MAS A LÍNGUA NÃO” O bar agora já era outro turno de humanidade. Menos curiosos, mais bêbados. Menos fofoca fresca, mais repetida. Aquela hora em que a cerveja já não desce — escorre. Eu, Caveira e Pingo ocupando a mesma mesa de sempre. Três copos. Três olheiras. Um trauma compartilhado que não dá pra explicar pra terapeuta nenhuma. Pingo bateu o copo no balcão. — Que semana, hein. — Que semana, não. — corrigi. — Que capítulos inteiros da Bíblia. Caveira inclinou a cadeira pra trás. — Impedimos um sequestro. — Limpamos um cenário que nunca devia existir. — Evitamos uma guerra feminina no meio do morro. Ele pensou. — Produtivo. — Produtivo é quem trabalha em escritório, Caveira. — resmunguei. — A gente só sobreviveu.

