NARRADO POR YASMIN — “O GOSTO AMARGO DA VERDADE” Eu já tinha perdido a conta de quantas doses de tequila tinham descido, queimando minha garganta como brasa viva. O bar do Naldo, um antro de paredes descascadas e cheiro de cigarro barato, girava em um carrossel psicodélico. Mas, por mais que o álcool nublasse minha visão, a imagem do rosto do Playboy permanecia nítida, estática, como uma fotografia de um acidente que eu não conseguia parar de olhar. O jeito que ele me encarou antes de me escorraçar... não foi ódio. Foi algo pior: indiferença. Como se eu fosse um inseto incômodo zumbindo no ouvido dele. — “Vazia”... — eu murmurei, a palavra saindo pesada, arrastada. Bati o copo vazio na madeira pegajosa da mesa, sentindo a vibração subir pelo meu braço. — Ele teve a audácia de dizer que e

