NARRADO POR SOMBRA — NO BAR, À NOITE O bar da quebrada tava daquele jeito: luz fraca, cheiro de carne na brasa, cerveja gelada e conversa torta em todas as mesas. A música baixa, o clima pesado… mas eu? Eu tava segurando o riso desde as DUAS da tarde. Caveira e Pingo já tavam na mesa, cada um com sua long neck, me olhando como se eu fosse soltar uma bomba. Porque sim. Tinha acontecido uma bomba. Sentei. A cadeira nem rangiu — graças. Tava todo mundo em silêncio, esperando. Pingo inclinou o corpo pra frente: — E aí… a reunião com o chefe… foi o quê? Eu abri a cerveja devagar. De propósito. Deixei a espuma subir. E falei: — Foi um desastre. Caveira quase cuspiu a bebida. — Como assim DESASTRE? Playboy nunca perde a linha. Eu dei uma risada curta. Baixa. — Pois é. Hoje perdeu

