Provocações

1200 Palavras
Acordei com um som bem suave vindo da janela do quarto. Quando me aproximei da janela, vi que se tratava de um ninho de passarinhos próximo ao ar-condicionado. Fui para o banheiro, tomei uma ducha e fui até a sala. Não havia ninguém. Fui até o quarto da Júlia e dei algumas batidas na porta, mas não obtive respostas.   − Ela não está aí. −  Disse o Arthur.  −  Bom dia, Arthur! Sabe para onde ela possa ter ido?  − Foi para uma reunião com um dos nossos fornecedores.  − Marquei com ela de irmos ao shopping. Estou sem roupas e preciso de algumas novas.  − Hum... Venha comigo!  −  Oi?   − Venha aqui no meu quarto. – Sentenciou. −  Ou está com medo de mim?  − Medo de você? Eu deveria?   −  Essa pergunta você mesmo deve se fazer. Anda logo!   O segui. Arthur estava muito elegante. Todo em social. Já em seu quarto, Arthur vasculhava seu closet procurando por algo. Em meio a sua procura ele deixou cair um objeto, acho que não percebeu, pois continuou procurando. Fui até o objeto e o peguei. Era um dado s****l daqueles que indicavam as posições. Fiquei imaginando um homem como o Arthur usando aquele dado e em meio aos meus pensamentos acabei deixando transparecer um sorriso, que logo foi notado pelo Arthur.  − Por que está sorrindo?  − Desculpe, lembrei-me de uma coisa que me aconteceu.  Arthur não ligou muito para minha resposta e continuou procurando algo no closet. Depois de tanto procurar, acabou pegando algumas camisas, bermudas e um kit com cuecas e entregou-me.  − Para você. − Disse estendendo as roupas em minha direção.  − Para mim? Não  está  chateado por ter usado suas roupas ontem?  − Não. Relaxe, eu não sou assim. Ontem eu estava meio irritado com algumas coisas do trabalho e acabei descontando em você.  − Tudo bem. Obrigado falei o encarando.  De repente o celular do Arthur tocou.  Arthur atendeu. A pessoa do outro lado falou algo que o deixou apreensivo. Logo em seguida ele desligou o celular.  − Tenho que ir agora.   − Para onde você vai apressado desse jeito? Aconteceu algo?   − Sim. Coisas do trabalho.  − Não vai tomar café, Arthur?  − Não vai dar tempo. Vou indo. – Disse saindo do quarto.  − Seu da...  Quando iria falar do dado, ele bateu a porta da sala. Não quis colocar de volta no lugar porque não tinha permissão para entrar de volta lá, além disso, eu não  queria mexer nas coisas dele. Fui até o quarto e guardei o dado em minha bolsa de mão.  Tomei meu café e logo após tê-lo feito, fiquei admirando a piscina da cobertura do apartamento que, diga-se de passagem, era maravilhosa. Admirando a vista, fiquei pensando no Arthur. Meu celular começou a vibrar em meu bolso. Olhei para a tela, era a Júlia.  − Oi, Ju.  − Amigo, você está bem?  − Estou sim, e você?  − Estou bem. Desculpa ter saído sem avisar. Eu recebi uma ligação do nosso fornecedor e não poderia faltar essa reunião de urgência.  − Tudo bem.  − Estou saindo ás 12h00min. Gostaria de me encontrar no shopping para fazermos aquelas comprinhas? Aproveitamos e almoçamos por aqui mesmo.  − Claro, vamos sim. Estava até pensando que você havia esquecido.   −  Claro que não. Às12h00min no shopping aqui em Osasco. Vou pedir que o motorista pegue você aí no condomínio. Até mais. Beijos.  − Tudo bem. Beijos.  Olhei para o celular, marcava 10h30min. Tinha um tempo livre até sair. Fiquei andando pelo apartamento. Comecei a ajeitar algumas coisas fora do lugar, mas estava tudo tão organizado que nem tive tanto trabalho. Sentei-me no sofá e fiquei escutando música. Me lembrei do cheque que havia recebido da companhia aérea. Na agonia nem olhei o valor dele. Fui até o quarto, abri a minha mala de mão e para minha surpresa, o cheque que eles haviam me dado continha um valor de R$ 30,000. Não contive minha surpresa. O que eu faria com esse dinheiro todo? Porque com esse dinheiro dava para comprar roupas, um notebook novo, e algumas coisas que eu estava precisando. Lembrei que tinha que fazer a inscrição da universidade. Pesquisei o contato da universidade e anotei, ligaria mais tarde.  Me arrumei e fiquei aguardando na sala o motorista vir me pegar. Arthur apareceu no apartamento algumas horas após ter saído. Ele me observou   − Tá cheiroso, viu!  Me surpreendi com o comentário. Mas o que estava me deixando ainda mais surpreso, fora a forma como ele apareceu no apartamento. Como ele estava vestido, ou melhor, como não estava vestido. Estava sem camisa, usava apenas uma bermuda de moletom e tênis esportivo. Ele mostrava todo o peitoral suado e bem torneado. As veias saltavam dos braços musculosos.     − Xiiii, rapaz... Tô vendo que tô gostoso mesmo. Me olhando dessa forma. Quer um lenço para secar a baba?  −  Como é?  − Tô bem de corpo?  − Ah! Tá sim. Quer dizer...um pouco.  Arthur sorriu e se gabou.  − É... eu sei que sou gostoso.   − Nem se acha, né.  − Tenho que me achar, né. Vai que ninguém me olha como você me olhou. – Desdenhou.  Não sei o que estava acontecendo. Não sei se era impressão minha, mas o Arthur estava bem atirado. Seu humor estava ótimo.   − Não estava olhando para você de forma diferente. Só fui pego de surpresa. E não curto homens, Arthur. – Menti.   − Não curte? Tem certeza?  − Não. Não tenho nada contra quem curte. Só não entendo a surpresa. Mas e você, curte homens?  − Tá me estranhando, é? Meu negócio é b****a. Sou macho c*****o!   −  Sei. −  Desdenhei. Eu estava gostando de zoar com o Arthur.  −  É sério. Enfim...aonde você vai todo cheiroso?  − Vou me encontrar com a Julia no shopping. Mas ela ainda não mandou o motorista vir me buscar.  − Qual shopping vocês irão? Eu levo você.  − Alguma coisa em Osasco.  − Sei onde é. Levo você lá.  − Tudo bem. Mas você vai assim, é? − Falei apontando para ele.  − Assim como?  − Sem camisa. Apenas de bermuda moletom. E ainda suado.  − Tá com medo de ir comigo e se apaixonar no caminho, é?   − Eu me apaixonar por você? Nem de homem eu gosto, Arthur.  − Sei...mas não vou assim não. Corro o risco de ser agarrado.  − Não sei por quem.   − Tem certeza de que você não sabe, Vitinho? – Disse aproximando-se de mim.  − Tenho. −  Falei isso dando um passo para trás.  − Veremos. − Disse se vangloriando.  − Vamos, Arthur. Se for para demorar, deixa que eu vou com o motorista.  − Larga de drama. Você vai comigo no meu carro! Vou tomar um banho rápido e volto.  Arthur foi para o quarto. Fiquei ali na sala pensando: O que será que o Arthur estava tentando fazer?    Por um momento imaginei que ele estaria dando em cima de mim. Depois pude perceber que ele me provocava.   Mas ele não é hétero? Como um homem que se dizia hétero poderia dar em cima de outro homem? Ele deve estar de brincadeira comigo. Se for isso, eu descobrirei.   
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