Império Cornier

1536 Palavras
Fiquei impressionado com a beleza do motorista. − Prazer, me chamo Victor.– Falei estendendo a mão para cumprimenta-lo de volta.  − É. Eu sei. − Falou sorrindo. Como sempre pagando mico.  A primeira coisa que reparei ao entrar no carro, foi o sorriso bonito dele. A segunda coisa  foi o seu braço musculoso marcando a camisa, e mesmo sentado, vi como ele era alto. A  essa altura eu já estava praticamente babando o Rodrigo. Após a minha análise minuciosa  sobre o Rodrigo, o silêncio instaurou-se no carro. Ele estava dirigindo concentrado, e eu  mexendo no celular. Confesso que eu não estava fazendo nada, apenas o segurava para  não ter que encará-lo. Apesar do meu esforço em não manter contato, ele resolveu  quebrar qualquer chance disso.  − Você está indo encontrar algum amigo? − Não. –Respondi encarando seus olhos pelo retrovisor. − Estou indo para USP para  fazer a minha matrícula. Ele sorriu. −Entendi. Não quero me ache um intrometido. Só estou querendo puxar um assunto. – Ele disse enquanto estávamos parados em um semáforo.  − Pode perguntar. - O encorajei.  − Não mora aqui, não é? – Perguntou-me. − Não. Sou do Sul. Mas agora vou morar aqui.  − Nossa, que legal. Seja bem vindo.  − Obrigado. –Respondi sorrindo. − Por nada, Victor.  O Rodrigo havia me deixado envergonhado. Mas até então era só isso. Foi quando reparei  que ele dirigia, mas estava sempre me encarando pelo retrovisor do motorista. Aos poucos ele foi diminuindo a velocidade. O sinal havia fechado novamente.  Insistentemente ele estava querendo manter algum diálogo comigo. − E aí, gostando da cidade? − Ainda não tive o privilégio de conhecê-la.  − O que está faltando para que isso aconteça? Eu não contive o sorriso. Ele estava tentando fazer graça com a situação.  −Ainda não tive tempo para sair. −Isso é bom. Significa que você é um garoto ocupado. Mas então, teria algum horário  disponível na sua agenda hoje para sair comigo?  Fiquei sem graça com o convite, mas fique tentando a aceitar. −Mas qual motivo do convite, Rodrigo? −Ué. Quero mostrar a cidade a você.  −Entendi. Tudo bem, eu aceito. Eu sei que não deveria aceitar, mas... − Te pego às 20h00min, pode ser? − Pode sim. A viagem durou uns quarenta minutos. Nesse meio tempo eu e o Rodrigo conversamos  bastante, trocamos contato e ele ficou de me ligar à noite. Ele me deixou em frente ao  prédio da USP. Fiquei admirado com a estrutura. Era ampla e organizada. Algumas  pessoas caminhavam de um lado para o outro, e eu como sempre perdido, tive que pedir  informações ao senhor que se encontrava sentado em um dos diversos bancos que se  localizavam na parte lateral do prédio. −Senhor, Bom dia! Gostaria de saber onde fica o prédio administrativo da USP. Ele me observou por alguns segundos. − Você vai seguir direto, virar à direita e pegar uma escadaria que dará em frente à sala  da administração. –Respondeu-me. − Obrigado. –Respondi.  Segui as instruções do senhorzinho. Cheguei a tal sala. Lá se encontrava uma senhora.  Me dirigi a ela. − Bom dia, Senhora. − Bom dia. –Respondeu logo em seguida. − Em que posso ajuda-lo? − Gostaria de saber se é aqui que faço minha matricula? − É sim. Você passou na prova quando? Essa Pergunta me pegou de surpresa, pois lembro que assim que soube que havia passado,  eu entrei em contato com meus pais, mas não lembrava o dia. − Bom, passei na semana passada. − E você só veio agora se matricular? − Eu não moro aqui. Moro no Sul. Acabei passando no vestibular e tive que vir para cá às pressas.  − Como se chama mesmo?  − Desculpe-me. Me chamo Victor. – Falei estendendo a mão para cumprimentá-la, que  prontamente retribuiu o aperto. −Victor, me chamo Adelaide. Seu caso é um pouco complicado. Geralmente quando um  aluno passa no vestibular, ele tem em média quatro dias para apresentar todos os  documentos aqui. Pelo visto esse prazo foi vencido. Nesse momento, nossos reitores não  se encontram, mas vou pedir que você deixe seu contato comigo. Prometo que te daremos  uma posição o mais rápido possível.  Peguei um papel, anotei meu número e dei a Adelaide. Me despedi e fui andando  apreensivo, afinal, era minha vida em jogo.  Abri o aplicativo para chamar outro Uber, foi inevitável não lembrar do Rodrigo. Não  demorou muito e um carro aproximou-se de mim. Dessa vez o motorista não era novinho,  e muito menos loiro, mas enfim. Só queria chegar em casa, ou melhor na casa da Júlia.  Mandei uma mensagem para ela: − Ju, tá em casa? Depois de alguns segundos ela respondeu:  − Oi, Vitinho. Estou aqui na empresa. Por quê? − Estou aqui na USP. Queria te ver. − Venha aqui na empresa. Mandarei o motorista te pegar. Em questão de alguns minutos o motorista chegou. Estávamos próximos ao local. Paramos em  um prédio espelhado. Possuía uns quinze andares. No alto do prédio, um enorme letreiro  prateado. Nele estava escrito “Cornier Construtora Imobiliária”. Nesse momento eu  entendi o motivo deles morarem naquele condomínio. Entendi o motivo do diretor da  companhia aérea falar com tanto respeito "filha dos Cornier". Eles eram donos de uma  das empresas imobiliárias mais conhecidas do Mundo.  Uau! Foi tudo que eu consegui dizer naquele momento. Minhas pernas tremeram com o impacto das novas informações. Desci do carro e fui  andando até a entrada do edifício, onde se localizava uma recepção com duas lindas  garotas. Elas usavam uniformes padronizados. Uns quatro seguranças andavam pelo espaço amplo. Notei que na recepção possuía dois sofás, uma mesa de centro com algumas revistas, uma máquina de café, e nas paredes, estavam sendo expostas várias  fotos de prédios, que por sinal, eram maravilhosos. Certamente eram os empreendimentos  feitos por eles. Me dirigi até umas das recepcionistas e me apresentei com meu nome. Falei que gostaria de falar com a Júlia, mas a segunda recepcionista me encarou com estranheza.  −Você marcou horário, senhor?  − Não.  Elas se entreolharam. − Vou ver o que eu posso fazer pelo senhor. –Respondeu-me. Logo em seguida a recepcionista pegou o telefone e discou algum número. Segundos depois, eu estava com um webcam apontado para meu rosto. Era o protocolo para poder ter acesso ao cartão que me daria direito a transitar pelo edifício. Assim que recebi um  cartão azul, fui direcionado aos elevadores. Segui até o 15° andar, era onde ficava a sala da Júlia. No momento em que as portas do elevador se abriram, Arthur apareceu em minha frente. − Sentiu minha falta, não foi? – Falou o Arthur sorrindo. − Na verdade, não. Estou aqui pela sua irmã. − Sei. Venha por aqui.  Fomos até uma sala ao final do corredor. Ele apontou para porta e saiu andando. O observei se distanciar. Bati à porta e escutei a voz da Júlia. − Pode entrar. Entrei, e antes que pudesse falar com ela, observei que a sala era toda bem planejada. O que me chamou a atenção em toda a sala, fora o retrato dos pais da Júlia. Admirei por alguns segundos. A Júlia se parecia muito com a mãe. Já o Arthur, tinha traços marcantes do seu pai. − Oi, amigo. Tudo bem com você?− Perguntou-me a Júlia enquanto se levantava para  me dar um abraço. − Mais ou menos. – Falei retribuindo o abraço. − O que houve? Senta aqui. – Falou puxando a cadeira para que eu pudesse me sentar. − Fui fazer a matrícula na USP e talvez eu não possa me matricular por conta de o  prazo ter acabado. − Nossa! Sério isso? − Seríssimo. E o pior, não sei o que fazer. Só estou aqui por conta dessa oportunidade.  − Vou pedir para meu advogado entrar em contato com eles. Vê se conseguimos reverter  isso. Não se preocupe que vamos resolver isso da melhor maneira.  − Obrigado, Ju. Não sei o que eu faria sem a sua ajuda. Ela sorriu. − Agora sem querer ser intrometido. Vocês são donos disso tudo aqui?  − Somos, Vitinho! Meu irmão tem cinquenta por cento de tudo isso aqui, e eu a outra  metade. − Eu estou extremamente surpreso. Vocês tem um império. – Disse sorrindo. − São tão  novos, mas estão dando conta de tudo. Parabéns! − Obrigado. Mas isso tudo se deve ao Arthur. − Ao Arthur?  − Sim. Ele têm feito tantas coisas pela empresa. Esqueceu a vida de curtição, se  preocupa tanto com a empresa, comigo. Acho que sozinha eu não daria conta. − Nossa! Nunca esperaria isso dele.  −Acredite, Victor. Ele não é nada daquilo que você conheceu dele. Às vezes até aparenta ser isso mesmo, mas, no fundo, ele é um bom homem.  Fiquei surpreso com a nossa conversa. Confesso que eu não esperava ouvir isso do Arthur. Ficamos conversando por um tempo. No meio da tarde eu voltei para o apartamento, e a Júlia ficou na empresa com o Arthur para uma reunião. Chegando ao apartamento eu fui procurar a roupa que eu vestiria para ir ao encontro com Rodrigo. Eu estava nervoso. Muita coisa poderia vir a acontecer hoje à noite. Restava apenas eu me preparar...
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