O convite de Dominic para tomar chá em seu apartamento é inesperado, mas ao mesmo tempo, desperta uma curiosidade em mim. Afinal, por que não aproveitar a oportunidade para conhecer melhor o pai do homem que me causou tanta dor?
Não era esse o plano?
Anny, Anny....
Ele me guia pelo corredor até seu apartamento, e eu não consigo deixar de notar a elegância e sofisticação do lugar. Tudo parece meticulosamente organizado e impecável, refletindo a personalidade refinada de Dominic.
Enquanto ele prepara o chá na cozinha, eu me acomodo em uma das poltronas da sala de estar, observando-o com curiosidade. Há algo magnético em sua presença, algo que me atrai de uma maneira que eu não consigo explicar.
A Vingança é tão empolgante assim?
"Então, Anny", ele começa, trazendo duas xícaras de chá fumegante. "Você vai morar sozinha aqui?"
Assinto, aceitando a xícara que ele me oferece com um agradecimento sincero. O aroma do chá é reconfortante, e eu me sinto um pouco mais à vontade na presença de Dominic.
"Sim, acabei de me mudar. É um apartamento agradável, mas ainda estou me acostumando com a ideia."
Ele me observa por um momento, como se estivesse avaliando minhas palavras antes de responder.
"Está morando sozinha em um dos melhores apartamentos da cidade, Anny."
Dominic tira o terno com um gesto elegante, expondo seu tórax robusto e bem definido. Seu colete destaca ainda mais sua figura imponente, enquanto seus olhos brilham com uma energia intrigante. Eu me pego admirando-o discretamente, sentindo uma onda de fascínio percorrer meu corpo.
Ele se acomoda próximo a mim, mantendo contato visual de forma intensa, e não consigo evitar um leve sorriso ao perceber sua aproximação.
"Acho que preciso viver isso", falo, minha voz suave ressoa em meus ouvidos, provocando uma sensação reconfortante em está falando isso.
Mesmo sabendo o que estava fazendo ali.
"Isso é ótimo. Vai aprender muito sobre si mesma, Anny", responde, eu me sinto atraída pela profundidade de seus olhos e pela maneira como ele parece entender-me sem que eu precise dizer uma palavra.
"Você mora sozinho, não é?", pergunto, buscando prolongar nossa conversa e desvendar mais sobre ele.
"Sim, mas viajo algumas vezes e outras venho apenas para dormir e trocar de roupa", responde.
Olho para o relógio, percebendo que o tempo está passando. Já são quase sete da noite. O encontro com Lucas tinha me desviado dos planos.
"Não quero atrapalhar o senhor", digo, embora parte de mim deseje ficar ainda mais tempo na companhia de Dominic.
Ele se inclina para frente, um sorriso brincando em seus lábios, e sua proximidade faz meu coração acelerar.
"Você não está atrapalhando", ele assegura, e sua voz suave acalma meus nervos, enquanto seus olhos parecem capturar toda a minha atenção. "Não me chame de senhor. Não sou tão velho."
Dominic é cativante, misterioso e irresistível, e eu não consigo evitar a sensação de que ele está pensando em algo.
"Faço pelo respeito."
"Apenas não chame. Não precisa de formalidade. Agora me diga, você disse que vai começar a trabalhar."
"Sim, minha mãe está com uma coleção de verão, temos poucos meses pra finalizar e desfilar as peças."
"Gosta da moda, Anny?"
"Sou apaixonada."
" Você gosta de gerenciar ou criar a moda?"
Dou uma risada.
" Ainda não estou pronta pra lançar nada. Minha mãe sempre me pede, mas eu ainda acho que não achei meu gênio dos desejos pra me ajudar."
" Está esperando a ideia certa."
" Não apenas isso, estou esperando saber mais do que gosto. Não posso apenas fazer, quero ser mais que alguém que a moda leva. Ela tem um amplo mercado. Mercado bom. "
Fico empolgada. Ele parece perceber.
" Não deixe de pensar assim. Quando abri as indústrias, pensei muito em como iria gerenciar tudo aquilo, entendo quando você diz que não basta gostar. Entender o que fazemos e mais importante do que fazer. "
Me encosto na cadeira, observando o ambiente ao meu redor com admiração, enquanto o homem à minha frente captura minha atenção. É surreal estar aqui, neste momento, diante dele. Tudo parece tão real, e meu plano parece ganhar vida própria, como se estivesse se desenrolando diante dos meus olhos, e tudo o que eu precisava fazer era seguir em frente.
"Parece louco eu estar sentada aqui com o senhor", começo, sentindo um misto de nervosismo e excitação percorrer meu corpo. "Veja, sou a ex-namorada do seu filho. Parece que vocês não se dão tão bem, mas o mais engraçado disso é que eu não tinha ideia do motivo. Namorei com ele por quase três anos e nunca tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Ele veio até aqui e o encontro aconteceu, tudo parece uma maluquice. Agora estamos aqui, tomando chá juntos e conversando sobre coisas simples. É surreal."
"Ei, vai com calma, Anny", ele responde com serenidade, mas percebo um brilho curioso em seus olhos.
"Passei por muitas coisas esses dias, Dominic", desabafo, sentindo um peso sair dos meus ombros ao compartilhar um pouco da minha história com ele.
"Pelo menos agora não me chamou de senhor", ele brinca, provocando um sorriso nos meus lábios.
Solto uma risada nervosa, uma que me faz esquecer até mesmo o que acabei de dizer. O nervosismo volta a me dominar quando percebo o quão surreal é estar aqui, com ele, neste momento.
Céus. O que eu faço com ele agora? Não estava preparada para isso ainda.
Sinto-me inundada por uma mistura de emoções contraditórias: a excitação de estar perto dele, a ansiedade sobre o que virá a seguir e o medo de estragar tudo. Mas, ao mesmo tempo, uma sensação de liberdade e empoderamento toma conta de mim, como se eu estivesse no controle do meu destino pela primeira vez em muito tempo.
Eu sei que não posso recuar agora. Este é o momento de agir, de seguir adiante com meu plano, seja qual for o resultado. Respiro fundo, tentando afastar os pensamentos tumultuados, e me permito viver este momento único, ao lado de Dominic.
Fico de pé, coloco a xícara sobre a mesa de centro e me mexo.
"Acho melhor deixar o senhor em paz e ir embora."
"Não precisa sair assim. Termine apenas o chá, Anny."
"Estava uma delícia. Obrigado pelo que fez e pelo chá."
Me mexo e ele me acompanha. Vejo ele dobrando as mangas da camisa enquanto me acompanha.
" Espero que não tenha raiva de mim. Não quero inimizade ou um clima estranho. Sei que Lucas pode ser ruim com algumas atitudes. "
Me viro rápido demais e, de repente, estou batendo contra o peitoral sólido de Dominic. Por um momento, o mundo ao meu redor parece congelar, e meu coração dispara. Antes que eu tenha a chance de me recuperar, minhas pernas se embaralham e eu perco o equilíbrio.
As mãos fortes de Dominic me seguram rapidamente, envolvendo meu quadril e impedindo minha queda iminente. Por um instante, meu corpo está colado ao dele, e sinto um calor se espalhar por toda a minha pele. Minha mão automaticamente se apoia em seu braço, sentindo a força contida em seus músculos.
Quando ergo o olhar para encontrar os dele, sou capturada pelo olhar penetrante de Dominic. O cheiro sedutor dele invade minhas narinas, enquanto meu coração parece martelar em meu peito com uma intensidade desconhecida.
"Não tenho raiva de você. Por que eu teria?" Pergunto, buscando desesperadamente algo a dizer para quebrar o silêncio que se instalou entre nós.
Ninguém se move. Nem ele. Aquela imobilidade repentina indica que algo está mudando, que talvez eu tenha a chance de aproveitar aquele momento para algo mais. Eu não me movo, simplesmente permito que aquele instante se estenda, procurando encontrar uma abertura, uma oportunidade.
"Que bom então", murmura Dominic finalmente, sua voz rouca enviando arrepios por todo o meu corpo. Uma de suas mãos se ergue, afastando uma mexa solta do meu cabelo e fixando seus olhos nos meus. Sinto-me vulnerável sob seu olhar, mas também incrivelmente vista, compreendida.
Em anos, nenhum homem me olhou dessa forma. Com tanto desejo, tanta intensidade. A sensação é avassaladora, assustadora e excitante ao mesmo tempo, deixando-me nervosa e ansiosa por descobrir para onde esse caminho nos levará.
A mão dele volta a tocar no meu rosto, ele parece querer olhar no fundo dos meus olhos.
"O que está procurando?"
" Você tem uma boca linda demais pra roubar apenas um beijo, então quero pedir."
"O que?"
"Eu posso beijar você, Anny?"
Sem dizer mais nada, eu apenas balancei a cabeça em afirmativa pra ele. Meu coração batendo rápido.