Capítulo 5: A reconciliação

2626 Palavras
O que eu faço agora? Me acalmo dentro do banheiro, respiro um pouco, vamos lá Bianca, ele não sabe o que aconteceu – está tudo bem não precisa ficar nervosa, é só fazer como Carol disse, mantenha uma distância segura e tudo vai ficar bem – dou um longo suspiro e saio do banheiro, mas ao ver a mesa vejo que meu irmao nao esta la, que ficou apenas o Ryan. – Onde está o Breno? – me sento na cadeira e pergunto a ele, mas ainda sem conseguir olhar para o seu rosto. – Ele foi fazer os pedidos, eu disse para ele esperar mas… – eu fico olhando para a janela evitando qualquer contato com ele. Permanecemos em silêncio por alguns minutos até ele falar. – Bianca, tá tudo bem com você? – Eu? Estou ótima, não poderia estar melhor. Por que? – Estou apenas perguntando – acho que me deixei levar um pouco, acho que ele realmente não sabe de nada que aconteceu… O silêncio continua. – Como esteve a faculdade nos últimos dias? – Tudo bem… Ele simplesmente para de falar sobre qualquer outra coisa, eu realmente não queria estar fazendo isso com ele mas… – Por acaso eu fiz alguma coisa? – O que? – eu olho rapidamente para ele, será que ele se lembrou? – Você finalmente me olhou, então eu realmente devo ter feito algo para você – novamente eu distraio meu olhar – você pode me contar qualquer coisa, não continue me evitando… Então foi por isso que eu não te vi nos últimos dias? Quando vi eram apenas suas costas indo embora de onde eu estava – mantenho meu olhar fixo para qualquer outra coisa. – Biana, olhe nos meus olhos – ele se levanta e segura o meu pulso já sem paciência e eu olho assustada para ele – Me desculpe, eu não queria te assustar… Ele volta para o seu assento e a conversa finalmente acaba, me sinto culpada por não poder responder as suas perguntas…Minha cabeça ainda estava confusa sobre tudo isso… Alguns minutos depois meu irmão chega, eles conversam sobre várias coisas enquanto eu fico apenas calada observando, na hora de ir pegar o lanche eu me ofereço para ir pegar, não queria ter que passar mais um minuto sequer com Ryan, não naquele clima estranho. Quando eu voltei com os lanches Ryan já não estava mais lá, eu e o Breno comemos nossos lanches quando ele me perguntou como eu estava indo na faculdade, ele acabou chegando em um assunto sobre o Ryan. – O Ryan é um bom vizinho? Ele te leva e te busca todos os dias? – dou um longo suspiro e ele estranha. – Sim ele é uma ótima pessoa, sempre me leva para a faculdade e depois me leva para casa – eu nunca poderia contar a ele sobre as coisas que estavam acontecendo. – Vocês estão muito estranhos, dizem que está tudo bem mas sempre dão esse suspiro antes de falar sobre. – O que? Ele disse a mesma coisa? – Respondeu da mesma forma, que você era uma pessoa muito boa, não se atrasa com ele e estava tudo bem mas eu sinto que aconteceu alguma coisa, pode ir falando. Eu pensei um pouco antes de responder, eu não poderia lhe contar a verdade, mas tinha algo que eu ainda precisava saber. – Você sabe algo sobre a atual ficante dele? – A Jeannie? Eu odeio ela, nunca concordei com ele desde que ele quis ficar com ela. – Por favor, não conte a ele, ele não sabe mas sem querer eu acabei vendo suas mensagens e eu descobri que a Jeannie bateu nele. – Eu não acredito nisso – ele se encosta na cadeira de surpresa e depois se volta novamente para frente – Você tem certeza? – Eu mesma vi os arranhões de unha em seu rosto e as tratei com uma pomada. Ele passa algum tempo processando a informação. – Não diga nada a ele, ele já sabe que tem que parar de ver ela, eu já falei com ele. – Por isso vocês são assim estranhos? – Claro, depois a gente se resolve, eu acho… – Vocês não podem ficar brigados por causa de algo como isso, ele tá te levando na faculdade ainda? – Antes de ontem eu saí de casa mais cedo e ontem dormi na casa da Carol ontem. – Sabe que não podem se evitar para sempre, vocês são vizinhos. – Talvez não evitar, mas talvez a gente nunca mais se fale… – Claro que não, isso seria um motivo muito bobo para isso… – Eu não tenho tanta certeza… – Tudo bem, por enquanto vamos deixar por isso. Nós terminamos os nossos lanches e fomos embora, quando voltei para casa não vi mais o Ryan, nos dias seguinte eu continuei indo para as aulas sem ele, sempre saindo mais cedo, até que chegou os dias em que eu não precisava mais avisar que iria sair mais cedo, já que isso estava acontecendo todos os dias. Carol e eu decidimos pegar uma sexta para irmos em uma das baladas mais visitadas da cidade, enquanto eu estava no bar acabo me encontrando com o Ryan. – Oi… – eu cumprimentei ele primeiro, eu não sei por que eu fiz isso quando eu que decidi me afastar dele, talvez força do hábito? Eu não aguento esse anseio quando nos falamos… Ele nao me responde, eu sei que eu nao tenho direito nenhum de me sentir assim mas mesmo assim fico super irritada com a sua atitude, como ele pode apenas ter virado para o outro lado e ter ido embora quando eu falei com ele? Isso é ridículo, pelo menos eu respondia ele… – Me dê a bebida mais forte que você tiver nesse bar – falo para o barista, ele me dá uma bebida um pouco assustado mas eu não me importo com a sua reação, eu só queria esquecer por essa noite tudo que estava acontecendo. Quando eu finalmente dei um gole na minha bebida alguém me interrompe. – Ei – quando ele olha o Ryan pega a bebida da minha mão. – Nada de bebidas fortes para você. – Não lhe interessa o que eu bebo, você não é meu responsável – me viro e vou para o outro lado da balada. Me ignora e depois quer tomar conta de mim? Quem ele pensa que ele é afinal de contas? Tudo isso é ridículo. Paro de pensar um pouco e vou para o meio da pista dançar um pouco. Enquanto estou dançando no meio das pessoas eu procuro um pouco ele com os olhos, encontro ele ainda no bar olhando o tempo todo para mim com a minha bebida cheia na mão, não consigo dizer o que ele está pensando e nem quero imaginar, quando olho novamente ele ja nao esta mais lá, volto a me encontrar com Bianca e depois horas dançando decidimos ir para casa, eu pergunto a ela se havia visto o Ryan na balada também e ela responde que viu em algum momento mas ele havia saído muito rápido de la. Nos separamos e eu fui para o caminho da minha casa, quando estou andando escuto alguém chamando meu nome. – Bianca – eu conheço esse carro – Entra, eu te levo para casa – Ryan desce do carro. Mesmo que eu quisesse eu nunca poderia recusar, depois de dançar a madrugada inteira na balada dançando eu nao queria de maneira nenhuma ir para casa andando então aceito entrar no carro dele, ele abre a porta e me ajuda a subir, em seguida fecha a minha porta e vai para o lado do motorista enquanto eu estava lutando para colocar o cinto. – Que droga – ele entra e eu ainda estou na luta do cinto até ele me ajudar a colocar – Você não bebeu aquela bebida que eu pedi nao e? – Eu dei para outra pessoa, alguém tinha que te levar para casa. – Eu posso fazer uma pergunta? – Pode fazer mais uma. – Você… Está fazendo isso só porque eu sou irmão do seu melhor amigo? – ele fica em silêncio – Você faria isso se fosse qualquer outra mulher? – ele termina de colocar o meu sinto e se apoia no meu banco olhando fixamente nos meus olhos. – Eu faço isso por que e você Bianca, não faço isso com todas nem com qualquer uma, e só por que e você, acredite em mim – seu olhar não parecia mentir, não tremia nem por um milésimo de segundo. Eu me contento com a sua resposta ele se volta para o seu banco e começa a dirigir, em algum momento do nosso caminho eu apaguei e acordei só quando chegamos no apartamento. – Bianca, nós chegamos – eu abri os olhos – Quer que eu carregue você? – Não precisa eu estou bem… – ao descer do carro eu quase caio de sono, maldita hora, isso obviamente passou zero credibilidade nas minhas palavras… Ele nao fala nada e simplesmente me segura em seus braços, eu não contesto, não tenho a menor força para fazer isso, seus rosto está perto do meu ao ponto em que eu posso ouvir sua respiração e seu corpo totalmente colado ao meu me fazia ouvir seu coração batendo, parece que cada vez que eu tendo me afastar mais ele se aproxima de mim, tirando quaisquer chances de que eu fosse embora para sempre da sua vida. – Pode digitar a sua senha? – Minha data de aniversário… – E quando seria? – 16 de fevereiro… de 2001… – Você já fez 21 anos então, se eu te contar uma coisa agora você não acreditaria. – O que? Eu faço aniversário no mesmo dia, sou mais velho três anos. – Sério? Isso realmente parece uma coisa que eu não acreditaria, mas não teria por que você mentir. Ele abre a porta do meu apartamento. – Pronto, agora está segura, descansa – ele fecha a porta e vai embora, eu me jogo na cama e apenas apago. Quando acordei na manhã seguinte eu estava totalmente destruída, o sono foi maravilhoso, não havia bebido nada entao nao havia como eu ter nenhuma ressaca mas nao tomar banho depois de dançar horrores e não tirar a maquiagem deixou minha aparência completamente destruída, antes de comer tomei um banho e fiz um skincare pesado, quando finalmente sair pude fazer um café da manhã, o último dia de atestado do meu professor e hoje então eu ainda teria aula apenas durante a tarde, o que me deu tempo para me preparar totalmente e nao ir com uma aparencia horrivel para a faculdade. Fiz um chá desintoxicante e guardei na bolsa para ir para a aula, se tem uma coisa que eu sou bem rígida são com os meus cuidados pessoais, encontrei a Carol como sempre e assistimos às aulas a única coisa que mudou nesse dia foi que eu não estava mais evitando o Ryan, então nós conversamos um pouco em um intervalo entre as aulas. – Dormiu bem ontem? – Sim, obrigada pela carona. – Eu posso conversar com você quando terminar todas as suas aulas? Eu te levo pra casa. – Okay – eu concordo e vou embora com Carol. – Achei que estivesse evitando ele… – Não desde ontem, ele me levou para casa, não é culpa dele completamente o que aconteceu, eu não preciso evitar ele, eu só não posso deixar que eu acabe querendo me envolver com ele, só isso, podemos continuar sendo amigos ainda… – Se você acha que está tudo bem então eu concordo com você. Quando minhas aulas terminam eu saio quase que correndo da sala, encontro o Ryan no lugar que ele sempre costumava me pegar quando estava me levando para casa. – Entra, eu digo no caminho – suas palavras me fazem ficar um pouco nervosa, afinal, sobre o que ele iria querer conversar? Durante alguns minutos o caminho ficou silencioso até ele finalmente falar. – Eu posso perguntar por que você estava me evitando? É ótimo que você tenha voltado a falar comigo, mas eu acho que se eu soubesse o motivo eu poderia mudar isso, eu não quero jamais chatear você. E eu JAMAIS poderia contar a você que na verdade você me BEIJOU. – Olhe, não foi nada com você, foi comigo, eu sei que pode parecer bobo, mas você não precisa se preocupar com isso, você nunca me chateou então vamos só esquecer disso. – Tudo bem – ele não parece feliz com a resposta mas mesmo assim apenas aceite, provavelmente ele entendeu que esse não é um assunto que eu realmente queria falar ou algo do tipo. – Então vai ficar tudo bem? – ele me olhou momentaneamente. – Claro – eu olho sorrindo para ele e ele retribui o sorriso, era disso que ele precisava de uma certeza. Conversamos normalmente durante a nossa volta para casa como se realmente em nenhum momento tivéssemos ficado com aquele clima estranho. Quando chegamos no apartamento e saímos do elevador vemos alguém parado na porta do Ryan, era aquela mesma garota que eu tinha falado, ao ver a gente ela vem correndo em nossa direção. – Então é essa v***a? – ele agarra o meu cabelo – Você não quer me ver por que quer ficar com ela é isso? – ela tenta começar a me bater mas ele impede segurando dois braços dela – Me solte agora seu filho da p**a, eu vou ACABAR COM ELA. – Jeannie não é nada disso que você tá pensando. – Você não é a v***a louca aqui? Até onde você vai se humilhar mais por um pouco de atenção? – eu falo, não vou ficar calada com essa falta de senso dessa mulher, como ela poderia ser assim tão ridícula? – Você está louca? Dorme com ele e acha que pode simplesmente ficar com ele? – Primeiramente eu sou irmã do melhor amigo dele e somos vizinhos, e mesmo que tivéssemos alguma coisa isso não teria nada haver com você, pare de latir e aprenda o seu lugar – eu dou um tapa na cara dela. Tanto a Jeannie quanto o Ryan ficam chocados, ela logo começa a berrar de que vai me matar se pegar como um cachorro fazendo barulho, ele então vai embora com ela para outro lugar. Que mulher louca, esse tapa claro que foi por que ela estava dando uma de louca e querendo me bater mas foi principalmente pelo Ryan, ela deveria saber como dói receber um tapa, principalmente de mim que tenho um braço forte, passei algum tempo assistindo enquanto ele não chegava, quando ele finalmente chegou eu corro para abrir a porta. Quando eu saio eu vejo que ele está bem, sem machucados nem arranhões, mas decidi perguntar mesmo assim. – Você está bem? Ela não te bateu nem nada? – Ela não pôde, levei ela para conversar em um parque próximo que passavam algumas pessoas, ela não poderia me bater ali, como você sabia que ela iria me bater? – Ela queria até mesmo me bater sem nem mesmo saber quem eu sou, ela é claramente louca, dá pra ver porque meu irmão não gostava dela. – Ele falou sobre ela? – Eu perguntei um pouco. Mas eu ainda tenho que me preocupar se ela vir me atacar do nada? – Espero que não mais, eu disse que iria chamar a polícia se ela aparecesse aqui em casa novamente. – Ótimo, se está tudo bem então até amanhã. – Até – nos despedimos e eu fecho a porta. Mas infelizmente no outro dia não foi exatamente como ele disse…
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