Maitê Bell O silêncio da sala era quase ensurdecedor. O ar estava pesado, não porque o ambiente fosse fechado ou desconfortável, mas porque minha mente não parava. Eu me perguntava, pela milésima vez, o que exatamente estava fazendo ali. A chave ainda estava na minha mão, como se fosse um lembrete físico de que eu poderia sair a qualquer momento, mas minhas pernas não se moviam. Eu já havia tomado uma decisão. Agora, era só esperar. Ouvi passos no corredor e meu coração disparou, como se fosse sair do meu peito a força. Não precisei olhar para saber que era ele. A porta se abriu suavemente e lá estava Gregório, impecável como sempre, mas com algo diferente no olhar. Determinação, talvez. Ou curiosidade. Ele fechou a porta atrás de si e parou por um instante, me observando. — Você veio —

