Talibã narrando Fazia anos que eu não dormia daquele jeito. Anos. Sem pesadelo. Sem acordar no meio da madrugada ouvindo os gritos delas na minha cabeça. Sem levantar suando frio, completamente perdido entre passado e realidade. Eu simplesmente… apaguei. E o pior — ou talvez o melhor — é que nem lembro em que momento peguei no sono. Só lembro de estar deitado ao lado da Fernanda, sentindo ela encaixada nos meus braços, ouvindo o barulho baixo da televisão ligada… e depois disso nada. Escuridão. Paz. Uma paz que eu nem sabia mais que existia. Porque desde que perdi minha mulher e minha filha, dormir virou um inferno pra mim. Toda vez que eu fechava os olhos, eu via as duas. Via sangue. Via fogo. Via aquele dia de novo e de novo como se minha cabeça fizesse questão de nunca me deixar es

