Zóio narrando Eu já tava encerrando as paradas do dia. Nada fora do normal. Movimento controlado, dinheiro contado, comunicação alinhada. Do jeito que tem que ser. Porque aqui, se tu vacila, o morro te engole. Tava sentado na minha sala, organizando as últimas coisas, quando o rádio chiou. — Fala. — Zóio, a patricinha passou aqui na barreira… Na hora, eu já parei. — E? — Subiu cheia de sacola… e tinha até televisão, patrão. Fiquei em silêncio por uns segundos. Televisão? Soltei um riso baixo, desacreditado. — Tu tá me zoando? — Negativo. Nós até estranhou, porque esses dias ela tava dura… Balancei a cabeça devagar. Aquilo não fazia sentido. Nada. A mina tava quebrada, se vendendo por migalha… e do nada brota com TV? — Já é. Fica na atividade. Desliguei. Fiquei encarando a mesa

