Gabriel Ferraz Eu sempre gostei de movimento. Barulho, gente falando ao mesmo tempo, risadas espalhadas, música ao fundo… aquele tipo de caos que pra muita gente é estressante, mas pra mim… fazia sentido. Talvez porque o meu “normal” fosse outro. Hospital, plantão, corredores longos demais, silêncios pesados demais. Eu amava o que fazia — nunca foi uma dúvida — mas… estar ali, no meio daquela bagunça boa, com a minha família, com gente indo e vindo, com vida acontecendo sem pressa… era diferente. Era leve. Soltei um sorriso sozinho, encostado por um segundo na parede da cozinha, observando minha mãe coordenando tudo como se tivesse nascido pra aquilo. — Gabriel! — ela me chamou, sem nem olhar — para de fingir que tá ocupado e vai ajudar! Ri pelo nariz. Claro. Durou pouco. Peguei

