Gustavo Pierone O jantar seguiu daquele jeito raro que a gente reconhece na hora, mesmo sem saber explicar direito. Leve, gostoso, e barulhento como toda mesa cheia costuma ser, mas cheio de uma paz que eu não sentia há muito tempo. As conversas se cruzavam de um lado para o outro, alguém ria alto, alguém pedia mais comida, outro contava uma história pela metade e era interrompido no meio. Caos organizado, família de verdade. E, no meio de tudo aquilo, Melissa sorria, às vezes para alguma piada da Júlia, às vezes para algo que o pai dizia, às vezes para mim. Esses eram os piores momentos, porque toda vez que ela sorria para mim, eu esquecia do resto. Quando a sobremesa acabou e os pratos começaram a esvaziar, dona Helena bateu palmas uma vez. — Muito bem. Agora que todos comeram e est

