Capítulo 6 – Primeira Faísca

1473 Palavras
Os dias seguintes ao jantar de negócios foram repletos de uma tensão silenciosa entre Marc e Ana. Embora ambos tentassem seguir suas rotinas e evitar confrontos diretos, algo havia mudado no ar. Marc, por mais que tentasse, não conseguia parar de pensar nela — no sorriso provocador, no olhar confiante, no comportamento que desafiava tudo o que ele acreditava ser correto e seguro. Ana, por outro lado, parecia estar jogando o jogo dela com maestria. Ela não apenas ignorava os sinais óbvios de que Marc estava começando a se mexer emocionalmente, como também intensificava o jogo, como se estivesse testando até onde ele seria capaz de ir. Na manhã seguinte, Marc se encontrou em uma situação inesperada. Durante uma reunião de negócios, ele notou que Ana estava conversando de maneira íntima e envolvente com um outro empresário, alguém novo no circuito, mas que claramente estava interessado nela. Eles estavam próximos, compartilhando risadas e trocando olhares que pareciam mais pessoais do que profissionais. Marc sentiu algo se apertar em seu peito. Não era ciúmes, não era possível. Ele havia deixado isso para trás, havia decidido não se envolver emocionalmente com ela. Mas, à medida que a conversa deles se estendia, Marc se viu incapaz de desviar o olhar. A maneira como o homem sorria para Ana, como ela respondia com aquele brilho nos olhos, era algo que Marc não gostava de ver. O que estava acontecendo com ele? Ele era o melhor amigo de seu irmão, estava acostumado a ser racional, a manter uma distância saudável das mulheres com quem se relacionava. Mas com Ana, as coisas nunca foram tão simples. Ele não conseguia deixar de sentir uma pontada de possessividade, um desejo inesperado de interromper aquele momento entre eles. Algo dentro de Marc dizia que não era apenas o profissionalismo que o incomodava, mas sim a ideia de vê-la com outro homem, flertando, sorrindo. Como se ela não fosse mais a garotinha de quem ele sempre cuidou, como se ela tivesse se transformado em uma mulher que não precisava da sua proteção, nem de sua atenção. Ana, por sua vez, estava se divertindo. Ela sabia que Marc estava observando, ela sabia o efeito que sua presença causava nele, e não podia evitar se sentir satisfeita com isso. Era como um jogo de xadrez, e ela estava se movendo com cuidado, estratégia, testando suas reações. Mas a realidade era que ela ainda queria Marc, de uma forma que ela não conseguia entender completamente. Desde que tinha 15 anos, ela o desejava. No entanto, sempre havia uma barreira, uma distância que ele colocava entre eles. Agora, adulta, mais experiente, ela estava determinada a quebrar essa distância, mesmo que fosse com métodos ousados e provocativos. A reunião terminou, mas Marc ainda estava perdido em seus próprios pensamentos. Ele sabia que não poderia se permitir continuar alimentando aquilo. Se não fosse mais nada, ele era um profissional, e ela era uma mulher que não precisava ser tratada como uma irmã. Mas a faísca, embora pequena, estava ali, crescendo lentamente. Ana o observava de canto de olho enquanto ele se levantava e se dirigia para fora da sala, tentando manter sua compostura. Ela sabia que tinha provocado uma reação, e isso só a motivava ainda mais a continuar com o jogo. Porém, o que ela não sabia era que, naquele momento, Marc já estava se aproximando da linha tênue entre o desejo e o descontrole. No dia seguinte, a tensão entre Marc e Ana continuava a crescer, embora ambos tentassem manter uma fachada de normalidade. Marc se encontrou em um estado constante de alerta, sempre observando Ana em todos os lugares. A sensação de possessividade que ele sentia ao vê-la com outros homens o incomodava profundamente, como se ele estivesse em guerra consigo mesmo. Ela não era mais a menina que ele costumava proteger, mas ele ainda se via envolvido de uma maneira que não conseguia explicar. Ana, por sua vez, estava mais decidida do que nunca a fazer Marc sentir a dor de sua rejeição, mas também sentia algo mais intenso por ele. Ela queria que ele visse nela algo mais do que a garotinha do passado, algo que despertasse nele um desejo incontrolável. O flerte com o empresário na reunião anterior tinha sido um teste, e ela percebeu que Marc não gostou nem um pouco. Essa percepção a deixou ainda mais empoderada. A chance de aprofundar o jogo surgiu quando Ana foi convidada para um evento social. Ela sabia que Marc também estaria lá, devido à natureza do evento, mas o que ela não esperava era o quanto a presença dele a afetaria. Ao ver Marc entrando no salão com sua postura imponente, os olhos fixos em algum ponto no horizonte, ela sentiu uma onda de excitação atravessar seu corpo. Algo nela reagia sempre que ele estava por perto, algo que ela não conseguia mais controlar. Ana estava determinada a provocar uma reação definitiva dele. Ela sabia que Marc a observava de longe, o que a fazia se sentir poderosa e em controle. Depois de algumas conversas superficiais com os outros convidados, ela decidiu que era hora de começar o show. Com um sorriso de pura provocação, ela se dirigiu ao bar, onde Marc estava sozinho, bebericando seu drinque, aparentemente imerso em seus próprios pensamentos. “Então, Marc”, disse Ana com um tom suave, quase desinteressado, enquanto se aproximava dele, “você ainda está em um canto quieto, como sempre, ou a noite vai ser diferente?” Marc a olhou, os olhos brevemente se encontrando com os dela. A reação imediata foi a de um leve sorriso forçado, como se ele estivesse tentando disfarçar a irritação que começava a surgir em seu peito. “Eu gosto de aproveitar a tranquilidade de uma noite assim. Você, por outro lado, parece bem em sintonia com o resto da festa, como sempre.” Sua voz estava tensa, mas ele tentava manter a calma. Ana sabia exatamente o que estava fazendo. Ela podia sentir o efeito que tinha sobre ele. “Eu só estou tentando me divertir, Marc”, ela respondeu, com uma leve ênfase na palavra "divertir", observando como ele reagiria à provocação. Ela então se aproximou mais, posicionando-se ao lado dele, deixando um espaço mínimo entre seus corpos. A proximidade fazia Marc se sentir desconfortável, e ele fez um esforço para não se mover para longe. Mas a presença dela era opressiva, inebriante. Ela podia sentir sua respiração mais forte quando falou, quase sussurrando: “Você não tem ciúmes, tem?” Marc imediatamente se viu preso entre sua lógica e a necessidade irracional de afastar. Ele queria responder com algo impessoal, algo distante, mas não conseguiu. A simples ideia de que ela estava provocando sua possessividade o fez perder um pouco a compostura. “Não tenho o direito de sentir ciúmes, Ana”, respondeu ele, de forma ríspida, tentando disfarçar o desconforto crescente. Ana sorriu, sem medo, mas com um olhar de pura satisfação. “Claro que tem. E eu posso ver isso nos seus olhos, Marc. Você não precisa admitir, mas eu sei.” Havia algo eletricamente carregado no ar entre eles, uma tensão que os dois estavam começando a sentir, mas que nenhum dos dois estava disposto a admitir ainda. A frustração de Marc estava à flor da pele, e Ana sentia que o momento de quebrar a barreira entre eles estava mais próximo do que nunca. Ela sabia que, se continuasse provocando, algo aconteceria. Marc não era mais aquele homem distante e protetor. Ele estava começando a ver nela a mulher que sempre fora, e isso o fazia questionar tudo o que ele acreditava sobre a relação deles. “Você realmente gosta de brincar com o fogo, não é?” Marc disse, sua voz mais grave agora, enquanto seu olhar se fixava nos olhos dela. Ana, em um impulso, deu um leve toque na mão dele, deixando seus dedos tocarem brevemente. Era um toque simples, mas o impacto foi imediato. Ela sabia que Marc não era insensível, e sentiu que ele estava à beira de ceder. “Eu gosto do perigo, Marc”, disse ela, com um sorriso que transmitia uma confiança impassível. “E você também gosta.” A troca de palavras terminou em um silêncio carregado, enquanto ambos ficavam ali, quase se desafiando, mas sem dar o próximo passo. Marc sabia que o que estava acontecendo era algo que ele não poderia ignorar por muito mais tempo, mas também não sabia como lidar com isso. O desejo que começava a crescer dentro dele era intenso e confuso, e, por mais que tentasse negar, ele sabia que estava cada vez mais perto de ceder. Ana, por sua vez, sabia exatamente o que estava fazendo. O jogo estava mais interessante do que nunca. E, mais importante, ela estava no controle.
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