Capítulo 3 – Marc, o Intocável

1852 Palavras
A chegada de Ana à casa de seus pais havia agitado as águas de algo que ela preferia manter enterrado. O reencontro com Marc DeLuca, depois de tantos anos, trouxe à tona sentimentos que ela acreditava ter superado. No entanto, enquanto o desejo ardente por ele ainda queimava em seu peito, Marc parecia intocável, distante como sempre. Quando ele entrou na sala durante o jantar, a atmosfera mudou. O sorriso de Marc, que sempre foi capaz de derreter qualquer coração, agora fazia Ana sentir um turbilhão dentro de si. Mas ela se forçou a manter a compostura, a não se deixar vulnerável novamente. Ele era o mesmo. A única diferença era que agora ela não era mais a garotinha tímida e apaixonada. Ela era uma mulher, confiante, segura de si, e com uma missão: deixar Marc perceber o que ele perdera. Mas ele não parecia notar. Ou, pior ainda, parecia se afastar deliberadamente. Quando seus olhares se cruzaram pela primeira vez naquela noite, Ana sentiu uma chama de desejo acender, mas ao mesmo tempo, uma barreira invisível se erguer entre os dois. Marc não a olhou com o mesmo interesse que ela ainda sentia. Ele apenas a cumprimentou com um sorriso educado, sem sinais de algo além de amizade, algo que ela conhecia bem. Durante o jantar, as conversas fluíam ao redor deles, mas Ana notou como Marc mantinha certa distância. Sentado ao lado de seu irmão Luca, ele olhava para todos com uma expressão séria e distante, como se estivesse em um lugar diferente, longe dali. Quando falava, sua voz tinha um tom de cordialidade, mas sem emoção. Ana, por outro lado, não podia desviar os olhos dele. Cada movimento seu a hipnotizava, desde o jeito como ele pegava a taça de vinho até o simples gesto de jogar o cabelo para trás. A tensão entre eles era palpável, mas parecia ser de um tipo que ele não queria admitir. Ela podia sentir que, no fundo, Marc ainda a via como a menina que um dia tentou ser mais do que ele estava disposto a permitir. Mas Ana sabia que ele não tinha ideia de quem ela se tornara. Ela não era mais a jovem insegura que sentia vergonha do próprio desejo. Ela estava diferente. Aquela noite, algo dentro dela se acendeu de novo. Marc, o intocável, talvez estivesse mais ao seu alcance do que ele imaginava. E ela faria questão de provar isso. A manhã seguinte parecia arrastar-se de forma quase insuportável para Ana. Ela ainda podia sentir a energia da noite anterior, a tensão em seus músculos, a necessidade de algo mais que ela não sabia como alcançar. A presença de Marc era uma sombra constante em seus pensamentos, como se ele fosse uma presença imutável que ela não conseguia remover da sua mente. Ela sabia que precisava agir. Marc não ficaria ali por muito tempo, e ela não iria deixar a chance escapar mais uma vez. Após o café da manhã, quando o resto da família estava ocupada com suas atividades, Ana decidiu sair para uma caminhada no jardim. O clima estava ameno, e a brisa suave fazia suas madeixas ondularem suavemente. Enquanto andava, suas mãos se entrelaçavam nervosamente, e seus olhos estavam fixos no horizonte. Ela precisava de um momento sozinha para pensar. E foi quando ouviu passos atrás dela. — Preciso falar com você, Ana. A voz de Marc foi como uma lâmina fria, cortando o ar. Ela se virou, e viu que ele estava ali, com as mãos no bolso, a expressão imutável. — Sobre o quê? — ela perguntou, mantendo a calma, mas o coração acelerado. Marc olhou para ela por um longo momento, os olhos fixos nos seus. A intensidade de seu olhar fez Ana sentir como se a temperatura ao redor deles tivesse subido alguns graus. O desejo ainda estava ali, preso nas palavras não ditas e nos gestos não realizados. — Eu sei o que você está tentando fazer. E eu não acho que seja uma boa ideia. — As palavras dele eram secas, quase frias, como se ele estivesse tentando se distanciar ainda mais. Ana levantou uma sobrancelha, desafiando-o. — O que você acha que estou fazendo, Marc? — perguntou com um sorriso sutil, sua voz mais firme do que o habitual. Ela não estava mais disposta a deixar que ele a empurrasse para o mesmo lugar onde a deixara antes. Marc desviou o olhar, como se estivesse tentando encontrar uma maneira de escapar da conversa. Ele sempre fazia isso. Quando as coisas ficavam intensas demais, ele se esquivava. E ela sabia que isso era o suficiente para ela decidir que não deixaria aquilo acontecer novamente. — Não pense que pode vir aqui e agir como se nada tivesse mudado — ela continuou, o tom de voz mais ousado. — Eu não sou mais a garota que você desprezava, Marc. Eu cresci. E agora, talvez seja você quem precise aprender a lidar com isso. Marc franziu a testa, como se estivesse surpreso com a confiança que ela demonstrava. Mas ele não disse nada. A expressão dele era dura, indecifrável. Aquele momento de silêncio entre os dois se alongou, mas, no fundo, Ana sabia que algo tinha mudado. Marc, o intocável, não estava mais imune à sua presença. Algo estava se quebrando nele, e ela estava disposta a ir até o fim para descobrir o quê. Marc se virou para ir embora, mas antes de dar o primeiro passo, ele olhou de novo para ela, e os olhos se encontraram em um confronto silencioso. — Isso não vai ser fácil para nenhum dos dois — ele disse, antes de sair, deixando Ana sozinha, com o coração disparado e o corpo ardente. A batalha havia começado, e dessa vez, ela não seria a única a sair ilesa. Ana não sabia o que estava acontecendo, mas algo dentro dela despertou. Ela não sabia se era o desejo latente por Marc ou a necessidade de mostrar a si mesma que não era mais a menina insegura de antes, mas, ao confrontá-lo, algo havia mudado. Ele não era mais o homem intocável que ela não podia alcançar. Agora, ele parecia vulnerável de um jeito que ela nunca imaginara possível. O resto da tarde passou em uma espécie de turbilhão, mas Ana não conseguia deixar de pensar em Marc. As palavras dele ecoavam em sua mente, como um desafio velado. *Isso não vai ser fácil para nenhum dos dois.* Era como se ele estivesse admitindo que, de algum modo, havia algo ali entre eles, algo que ele não podia mais ignorar. À noite, durante o jantar, o ambiente estava tenso. A conversa fluía, mas Ana podia sentir os olhares de Marc sobre ela, como se ele tentasse entender o que tinha mudado nela. O sorriso dela estava firme, o olhar confiante, mas por dentro, ela ainda sentia aquele desejo incontrolável por ele, aquele fogo que ela nunca conseguiu apagar. A cada vez que seus olhos se cruzavam, a tensão se intensificava. Marc estava diferente. Não o suficiente para revelar qualquer coisa de fato, mas ele estava se comportando de maneira mais introspectiva, e Ana sabia que ele estava lutando contra algo que não queria admitir. O que ele mais temia talvez fosse justamente o que estava acontecendo: ele estava começando a olhar para ela de uma forma que nunca olhara antes. No final da noite, depois que todos se retiraram para os quartos, Ana decidiu sair para um momento de solitude no jardim. Ela precisava pensar, precisava entender o que estava acontecendo dentro dela. Quando ela chegou ao jardim, o frescor da noite a envolveu, mas o som de passos a interrompeu novamente. — Ana, precisamos conversar. A voz de Marc cortou o silêncio da noite como uma lâmina afiada. Ela se virou para vê-lo, parado à entrada do jardim, com os olhos fixos nela. — Eu não sei o que você quer, Marc — respondeu ela, mantendo a calma, embora seu corpo inteiro estivesse em alerta. — Eu já deixei claro o que quero. E você? Marc deu um passo à frente, aproximando-se dela, mas ainda mantendo uma distância que parecia torturante. A tensão entre eles era palpável, como se algo estivesse prestes a quebrar. — Você está tentando me provocar, Ana. — Ele disse, sua voz baixa, quase sombria. — Eu sei o que você quer de mim. Mas eu não posso dar isso para você. Ana não sabia se deveria rir ou gritar. A dor da rejeição estava ali, mas desta vez ela não iria se deixar intimidar. Ela deu um passo em direção a ele, o coração batendo mais rápido. — Então, por que você está aqui, Marc? — ela perguntou, com a voz rouca de emoção. — Por que ainda me olha desse jeito se sabe que isso me deixa louca? Por que não pode simplesmente admitir que sente algo também? Ele olhou para ela, o olhar mais intenso do que nunca, mas sem responder. Não havia palavras suficientes para explicar a luta interna dele, para justificar o que sentia. E, no fundo, ele sabia que isso o estava destruindo. Mas ele não podia ceder. Não podia se entregar àquela tentação. Ana não conseguia mais suportar. Ela não queria mais a batalha silenciosa. Ela queria uma resposta, uma reação, qualquer coisa que a tirasse daquela incerteza. Sem mais palavras, ela se aproximou de Marc e, em um impulso, tocou seu rosto. A sensação do toque de seus dedos sobre sua pele foi o suficiente para ele perder o controle. O corpo dele reagiu instantaneamente, e, antes que ele pudesse se conter, suas mãos estavam em seus ombros, puxando-a para mais perto. E então, sem mais nada a dizer, eles se beijaram. O beijo começou suave, hesitante, como se ambos estivessem testando os limites do que poderiam e não poderiam fazer. Mas logo a intensidade tomou conta. A língua de Marc explorou a boca de Ana com uma urgência que ela não esperava. E, finalmente, ela entendeu: Marc estava tão perdido quanto ela. Mas o que deveria ser a libertação dos anos de desejo reprimido logo se transformou em um conflito interno ainda mais profundo. Quando ele a afastou, ofegante, os olhos de Marc estavam cheios de algo que Ana não podia decifrar. Ele parecia torturado, como se estivesse se reprimindo a cada segundo. — Não podemos fazer isso, Ana — ele disse, sua voz rouca. — Não agora. Não assim. Ana sentiu uma mistura de frustração e desejo. Ele estava ali, ao alcance das suas mãos, mas ainda se recusava a se entregar. — Então o que você quer, Marc? — ela sussurrou, encarando-o. — Me diz, porque eu não aguento mais essa indecisão. Ele olhou para ela, o olhar sombrio, e sem dizer mais nada, virou-se e se afastou, deixando Ana sozinha, com o corpo queimando e o coração partido. Marc, o intocável, ainda não estava pronto para ceder. Mas Ana estava disposta a esperar, disposta a fazer ele perceber que, desta vez, ela não ia desaparecer nas sombras. Ela iria lutar até o fim para conseguir o que queria.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR