Pov Lauren Jauregui
Eu me encontrava nesse momento tocando piano mais uma vez quando Ally apareceu saltitando, vindo da cozinha.
– Gente, hoje vai ter tempestade! – Ela cantarolou.
– Isso! – Dinah gritou pulando do sofá toda entusiasmada.
Um mês já havia se passado desde a última vez que conversei com Camila sobre nós. Depois disso achei que haveria uma hipótese dela estar me enganando e planejando fugir, mas qual foi minha surpresa ao deparar com uma amizade surgindo entre nós?
Camila não fugiu, mas também não tocou mais no assunto. Ela estava precisando de tempo eu sabia disso e assim daria o tempo que fosse preciso. Ainda mais agora que a maior parte do tempo ela conversava comigo.
Ela mudou muito nesse último mês, mas não tem se aproximado tanto dos outros como estava próxima de mim e de Sofi. Só que este detalhe não impediu de Allyson ficar quieta no seu lugar. Ela planejou de todas as mulheres da casa fazerem um dia de garotas incluindo a presença de Claire e Laura.
Não faço ideia do que elas fizeram já que novamente, Normani e suas manias em dizer que eu não me encaixava nos seu padrões. Elas nunca revelaram o que aconteceu no dia que passaram juntas. E pela cara da Camila aposto que não foi nada agradável, pois ela chegou com uma cara de poucos amigos.
Vezes ou outras durante esses dias as mulheres davam umas olhadas significativas para mim, mas nada que deixasse suas mentes transparecer seus verdadeiros pensamentos.
Esse pequeno atrevimento da baixinha trouxe um lado bom. Até então Camila evitava todos o máximo possível, começou a se interagir bem com as mulheres. Ally, não podia estar mais radiante com sua melhor amiga conversando e aturando sua boca grande, mas o que importa é que eu e Camila estávamos próximas não como eu queria, mas nada do que eu poderia imaginar.
– E o que tem demais nisso? – Camila perguntou sem tirar os olhos do livro que lia. – Está tal de Joana d’Arc realmente foi uma grande mulher para a vitória dos Franceses.
Sofi começou a rir alto.
– O que foi? – Troy perguntou confuso.
– Ai mamãe, Joana d’Arc foi guiada por você a conduzir o exército Francês!
Parei de tocar no mesmo instante incrédula com o que acabei de ouvir.
– O quê? – Perguntou em espanto Troy e eu.
Camz e Michael arregalaram os olhos encarando Sofia.
– Quem é Joana Dark? – Shawn perguntou confuso.
Sofi revirou os olhos.
– É Joana d’Arc. – Ela praticamente soletrou o nome da mulher.
– Joana liderou o exército Francês contra os Ingleses para libertar a cidade Órleans que havia sido invadido por eles. – Chris explicou.
– E o que eu tenho a ver com isso?
– Não sei ao certo, mas como deve ter lido a guerra durou mais de 100 anos tudo porque após a morte do rei francês Felipe, Eduardo III queria unificar a coroa inglesa e francesa para seu domínio político dando a Inglaterra partes das terras francesas. Assim começou a luta entre esses dois países. – Chris começou a explicar.
– Agora eu que me pergunto o que Mila tem haver com isso? – Troy interferiu. Ele e Michael eram os mais fanáticos pelas histórias que rondavam o mundo inteiro.
– Como eu disse, essa guerra levou mais de um século e a única coisa que parou por um tempo a briga entre eles foi a conhecida doença da Peste n***a e a guerra voltou a continuar. O ponto que eu quero chegar é que muito humanos foram mortos no decorrer desses anos dizimando uma pequena parcela da população humana, ou seja, menos comidinhas para vocês vampiros.
– Você resolveu interferir isso de uma vez mamãe, porque o índice de mortalidade estava se tornando a mais que a natalidade apesar de não dizerem isso especificamente nos livros. Foi então que você conheceu Joana d-Arc. Você viu algo nela, não sei o que! Ela era apena uma camponesa, ingênua e analfabeta. – Sofi completou.
– Mila também fez amizade com essa humana? – Troy questionou intrigado.
Sofi balançou a cabeça.
– Não. Mamãe apenas viu o potencial da garota em lidar com um exército, mamãe só a influenciou para ela ir até o fim com a batalha que teria que lidar. Na história que ela dizia ouvir vozes na sua cabeça era o tempo todo mamãe a conduzindo.
Então ela não era louca? As vozes sempre realmente existiram, mas era Camila quem invadia sua mente? Ela foi injustamente chamada de bruxa. Uma lastima sua morte para uma garota de grande honra que foi.
– E consequente sua morte. – Meu irmão completou.
Christopher revirou os olhos bufando.
– Uma morte que salvou quem sabe outros milhares ou milhões de vida? – Ele deu uma suposição da verdadeira consequência.
Com certeza depois que ela liderou e ajudou Carlos IIV a ser coroado dando o direito as suas terras da França que era nada mais justo, esse seria meu ponto se não fosse os próprios nobres franceses arquitetarem a sua entrega aos britânicos. Claro que a guerra não acabou de imediato levou mais ou menos uns 23 anos após a morte de Joana, mas sem dúvida sua presença foi primordial nessa guerra.
– Tudo bem, não estamos na escola que tal voltar ao lance da chuva que está por vir? – Dinah não deu atenção nenhuma pelo que estávamos falando.
Camila ficou quieta olhando pensativa para o livro.
– Eu também estou curioso sobre essa tempestade o que há de especial nela?. – Nate arregalou os olhos como se estivesse tendo uma ideia. – Um tornado! É isso Sofi, algo que nunca fizemos antes.
– O que? – Sofi perguntou curiosa, mas um brilho surgiu nos seus olhos.
– Nunca ficamos embaixo de um tornado. Como será ficar no centro dele?
– Nate isso é... Gênial! – Sofi explodiu entusiasmada se levantando com tudo do colo de Shawn. – Onde aconteceu aquele furacão Katrina mesmo?
– Alguns estados na região tropical dos Estados Unidos.
– Então é pra lá que vamos já.
– Isso! – Nate levantou animado.
– Não! – Camila e Claire gritaram em juntas.
– Chatas. – Os dois resmungarão ao mesmo tempo, mas logo se calaram quando viram a cara das suas mães.
Todos riram da pequena cena.
– É simples, quando há um tempestade vindo, nós jogamos beisebol. – Dinah disse alegre cortando por completo o assunto anterior.
– Vocês jogam beisebol? – Marcus perguntou erguendo as sobrancelhas.
– Bom, é um ótimo passatempo e uma boa maneira de se divertir. – Explicou meu pai meio tímido.
– Então vamos jogar? – Mani questionou.
– Ah vamos, mamãe? – Sofi se soltou dos braços de Shawn e correu sentando no apoio da poltrona onde Camila se encontrava. – Você vai gostar é muito legal de se jogar. Já joguei algumas vezes com os Jauregui e a melhor parte é quando troveja.
– O que tem demais nas trovoadas?
– Você verá. – Disse sorrindo chamando sua atenção. – Então vamos?
Eu nunca mais participei de nada com a minha família há muitos anos, eu tinha perdido o sentido de viver, mas agora que Camila está ao meu lado eu não perderia nenhum segundo da minha vida. E mostrarei a ela as coisas boas que a vida pode nos dar.
– Eu posso te mostrar pela televisão como é o jogo, tenho certeza que deve estar passando uma hora dessas. – Disse me levantando do piano e caminhando na direção do controle sobre a mesa de centro.
– Não sei se vou jogar. – Ela respondeu por fim.
– Com medo de perder irmãzinha? – Chris debochou dela.
Ow! Isso não parecia uma coisa boa de se fazer, pois Camila o encarou séria com os olhos estreitos em f***a.
– O que disse? – Ela perguntou pausadamente.
– Que está cagando de medo.
Abri a boca perplexa com o que ele disse.
– Pois bem, eu aceito. – Camila respondeu simplesmente. – Mas se eu ganhar eu vou querer algo em troca.
Christopher abriu um sorriso que parecia prestes a rasgar suas bochechas de tão grande que era.
– Com certeza minha irmã, mas se perder eu também tenho direito de ganhar algo.
Camila assentiu.
– O que deseja?
– Hm... – Chris murmurou pensativo. – Eu quero aquele escritório que você reservou do prédio que vai inaugurar no lugar do Word Trade Center.
– Você está falando do Freedom Tower? – Minha mãe perguntou surpresa arregalando os olhos.
– Esse mesmo, então apostado?
Camila conseguiu reservar uma sala naquele edifício? Sério mesmo? Achei que nem mesmo tinham aberto as listas para fazer a reservas.
– Como conseguiu isso? – Mani disse impressionada.
Mila deu de ombros.
– Ela contribuí com uma generosa quantia para a construção em troca de um andar inteirinho só para ela. – Chris explicou.
Agora fazia mais sentido.
– E então irmãzinha, topa?
– Claro, por que não?
Sofi mordeu a boca se controlando para ficar quieta no lugar, mas sua mente denunciava que Camila queria a todo custo um lugar daquele para seus negócios e faria de tudo para conseguir. Ainda assim acho que Camila apostaria com seu irmão mesmo sabendo o valor que aquele lugar tinha para ela, só para ter o prazer de derrota-lo.
– E o que você quer em troca?
– Quero que pare de me provocar, não estou afim de matar meu próprio irmão. – Ela debochou.
– Ah isso não vale, não consigo olhar para sua cara e não te zoar e além do mais você é fraca demais perto de mim.
– Isso é o que você pensa. – Camila o dasafiou.
– Você sabe que não tem seus poderes para te ajudar, certo? – Chris arqueou uma sobrancelha do mesmo jeito que Camila sempre faz.
– Não preciso disso para te humilhar em uma luta.
– Dúvida?
– AHHH, chega vocês dois! – Sofi gritou.
– Deixe de ser estraga prazer e vamos ver quem é melhor nessa briga. – Dinah levantou empolgada do seu lugar.
– Não adiantaria de nada, sempre que os dois lutam a sério sem trapaças nunca há um vencedor. Vamos ficar olhando talvez infinitamente.
– Mas só para deixar claro que quando há trapaça quem ganha sempre é a tia linda. – Nate comentou categoricamente.
– Cala boca, Nate! – Christopher rugiu.
– Ok, ok! – Nate levantou as mãos, mas um pequeno sorriso queria surgir na sua cara de playboy.
Chris bufou, mas sorriu ao encarar Camila.
– Preparada?
Camila o encarou estreitando os olhos.
Isso seria muito interessante.
[...]
Já estávamos todos numa campina cheia com a neve baixa, já não nevava há quase uma semana, então aquela montanha de neve que ficava pelo chão quase não existia mais e a grama quase aparecia.
O mais inacreditável e surpreendente era que Laura e Marcus iriam participar. Quando que alguém um dia imaginária dois dos membros da realeza jogando beisebol? Porque se me contassem isso um dia, pode ter certeza que eu não acreditaria.
Acho que estou presenciando um fato histórico.
– Muito bem. Quem escolherá os times? – Michael se pronunciou.
As únicas que não participariam era minha mãe e Claire.
– Eu. – Dinah levantou a mão pulando no lugar.
– Não. – Chris contrariou. – Será eu e Camila.
– Mas eu levantei a mão primeiro. – Minha irmã cruzou os braços emburrada.
– Mas é um jogo entre Kaki e eu.
– Só que eu falei primeiro.
– Quem decide aqui...
– Ai, calem a boca vocês dois! – Ally disse impaciente. – Começa logo Milinha.
Camila abriu um sorriso largo.
– Você.
Minha irmã sorriu e foi dançando até Camila.
– Isso não é justo. Eu ia escolher ela.
– Pena que demorou muito.
– Nem tínhamos combinado quem começaria.
– Caramba. Se não é minha irmã cabeça de vento é você Milinha! – Ally disse resignada.
Camila rosnou.
– Não enche Allyson, é você Christopher. – Ela se virou para seu irmão. – Escolha outro.
– Você só a escolheu por causa do dom dela.
– Assim como você faria.
– É, mas comigo ela venceria sem nenhum desafio.
– Vai pai, me escolha. Eu aqui sou ótimo. – Nate entrou no meio.
Chris bufou contrariado.
– Venha então.
– Sofi. – Camila chamou.
– Lauren. – Ele disse casualmente.
– Não! – Ela ficou contrariada.
– Está na minha vez de escolher alguém.
– Mas não ela!
– Perdeu a chance. – Chris zombou.
Todos olhavam um ao outro conforme abriam a boca para dizer algo. Nunca imaginei que veria Camila assim, nem ao menos parecia ter sido aquela fria e desinteressada com tudo no começo e agora estava agindo de forma que nunca a vi antes.
Nunca vi Camila fazendo birra com seu irmão e ele visse versa. De certo modo, Camila estava voltando. Talvez não com suas memórias, mas sendo ela mesma de novo.
– Ela é minha! – Camila rugiu chamando completamente minha atenção.
Arregalei os olhos com suas palavras, não só eu, mas como todo mundo ali.
Ao se dar conta do que disse ela se silenciou imediatamente e recompôs sua compostura. Era nítido como ela ficou desconfortável com o que disse.
E eu? Bem, eu estou radiante com suas palavras.
Senti uma euforia dentro de mim, suas palavras fizeram total diferença ao saber que ela estava pensando desse modo.
Desde o dia que nos beijamos. Ela deixou claro que lutaria por nós, mas sabia que até lá seria um desafio. O maior obstáculo seria ela enfrentar a si mesmo, pois o quem ela é agora, não é a mesma de antes. Ela está mudando sim, aos poucos como essa pequena discussão com seu irmão. Eu teria que ter paciência e com certeza eu teria, mas podia tomar algumas atitudes para ver se as coisas não iriam mais rápido.
– Quero dizer. Eu ia escolhê-la para mim, ela é a mais rápida.
Nem percebi que estava sorrindo, então só o ampliei mais ainda. Deu para perceber a completa mentira que Camila disse. Ela podia ser uma ótima mentirosa, mas dessa vez essa mentira não colou para ninguém.
– Perdeu a chance. Agora faça sua escolha.
Ela estreitou os olhos para o irmão.
– Troy.
– Não!
– Minha vez. – Camz disse simplesmente.
Seu irmão bufou olhando em volta e assim começaram a escolher o pessoal do seus times. O engraçado é que na hora que um fazia uma escolha o outro não aceitava, rimos de algumas e nos assustamos em outras, mas a verdade é que eu não tinha prestado atenção em nenhuma, pois não saia da minha mente Camila dizendo que eu era sua e claro eu sabia que ela não estava se referindo por causa do jogo.
O mais hilário é que Dinah foi a última a ser escolhida. Isso porque Chris nem a queria no time.
Rimos muito com a cara contrariada da minha irmã por ter sido a última.
No time de Chris depois de mim. Ele escolheu Mani, Marcus, Nate e Dinah.
Tivemos o direito de um m****o a mais em nossa equipe já que tinha dois lobisomens e um transmorfo contra a velocidade e a força de todos os vampiros.
Eles podiam ser fortes sim, mas não tanto quanto nas suas formas de lobos. Só que não há como eles jogarem como cachorros.
– Isso é fascinante! – Laura disse olhando maravilhada todos nós posicionados em seus devidos lugares para o início do jogo.
Ela estava do outro lado da campina. Na sua posição como Jardineira.
– E isso foi... Tão Simon. – Sofi comentou baixinho ao meu lado.
Olhei-a pelo canto do olho, não podia dizer isso com certeza, pois nunca o conheci pessoalmente. Então resolvi ficar quieta.
A cada jogada trocaríamos de posição, nenhum ficaria permanente em uma e assim se deu inicio ao jogo.
Aqueles que estavam jogando pela primeira vez, entenderam o motivo para se ter uma tempestade durante o jogo. A cada bola rebatida um som do trovão ecoava pelo céu coberto de nuvem.
Esta sem duvida foi um dos jogos mais divertidos que joguei. Tinha momentos que riamos quando algo era engraçado, outros discutíamos um com o outro ou a trapaça que cada um tentava.
Mas como tínhamos minha mãe e Claire como juízes, não dava para a trapaça ser bem sucedida.
Para mim a parte mais emocionante do jogo foi quando eu fui a arremessador e Camila a rebatedora.
Ficamos as duas nos encarando por incontáveis segundos. Uma avaliando a outra até finalmente eu não poder mais adiar e tive de arremessar, nas duas primeiras Camila nem ao menos moveu o bastão deixando que Shawn agachado pegasse todas as bolas atrás dela.
Eu já sentia a vitória da partida em minhas veias. Eu sei que era a Camila ali na minha frente, mas a competividade falava alto, tanto quanto para ela que mostrou um lado muito competitivo durante todo o jogo. Discutindo ou rosnando para alguém.
Tinha me preparado para jogar a bola e estava confiante demais que acertaria e esse foi meu pior erro, pois assim que a bola se aproximou dela. Camila rebateu com uma força tremenda que a bola foi alta e rápida demais e sua velocidade surpreendente seria fácil dela correr em torno das bases antes que alguém alcançasse a bola, então ninguém ousou se mexer olhando para onde ela foi, bom ninguém a não ser Dinah que correu atrás da bola mesmo assim.
Camila já tinha atravessado todas as bases e ganhado a partida quando me olhou e sorriu divertida piscando com um olho, só ai eu percebi que ela fez tudo isso de propósito. Ela tinha inflado meu ego perdendo as duas primeiras bolas só para eu ter confiado muito em mim mesmo e não ter prestado a atenção que devia para a última jogada.
Eu fechei a cara e virei o rosto, podia amá-la, mas também detestava perder.
No fim, o time que ganhou o jogo foi da Camila, por pouca diferença.
Christopher revoltado quebrou o taco na mão e exigiu uma revanche essa que Camila não concedeu. Ele foi embora revoltado lamuriando que o jogo não tinha valido, assim como Dinah também foi ao seu lado revoltada.
Rimos da maneira, os dois eram diferentes em muitas coisas, mas parecidos tantos em outras.
O restante foi se juntar para comemorar a vitória e os outros parabenizar. Camila encarava o céu, melhor os raios que brilhavam por trás das densas nuvens.
Se tinha uma mania sua que não mudou até hoje, foi sempre apreciar o céu, era visível o quanto ela gostava de observá-lo.
– Então, parabéns! – Parabenizei enquanto ela ainda estava de costas para mim.
– Foi um bom jogo. – Ela comentou.
– Foi o melhor de todos. – Comentei encarando o céu também. Senti ela virar na minha direção então voltei a olhá-la.
– Por quê?
– Porque pela primeira vez vi minha família finalmente está realizada e completa. – Ela ia dizer algo, mas a interrompi já sabendo exatamente o que falaria. – Não estou falando só por você, claro que você é o ponto principal dessa felicidade, porém estou dizendo todos aqueles que agora consideramos nossa família: Sofi, sem duvidas nossas vidas não seria mais a mesma sem sua alegria contagiante e juntando com Ally ninguém as seguras. Chris, a primeira existência de um lobisomem. Bravo, super protetor, ciumento demais quando o assunto é você, mas o principal o amigo mais fiel que alguém possa ter. Nate com aquele seu jeito de garoto bad boy, mas que também tem seu lado criança e nos faz rir quando sempre usa seu charme em cima das mulheres da casa. Claire, com seu jeito meigo e tão maternal quanto Clara. Sempre se preocupando conosco como se também fossemos seus próprios filhos. – A cada nome que eu dizia eu dava mais um passo na sua direção. Passos, esses suficientes que me deixaram frente a frente da minha Camz. – E você que trouxe essa nova família para nós e principalmente... – Ergui minha mão tocando seu rosto delicadamente. Seus olhos estavam presos ao meus. O mundo poderia desabar agora, mas nada quebraria o nosso contato. – Você que me mostrou pela primeira vez o sentido de viver e não apenas existir quando se tornou o centro do meu universo.
Camila me encarou por longos segundos. Eu via que seus olhos que ela estava travando uma batalha dentro de si. No entanto, não precisei quebrar a cabeça com essa batalha dela, pois ela foi imediatamente respondida.
Ela ergueu sua mão aveludada hesitante tocando meu rosto tão mais delicadamente que eu e vagarosamente se aproximou de mim depositando em meus lábios um simples, mas poderoso beijo.
Camila finalmente tinha agido por vontade própria e ela mesma me beijou. Não sabia como podia descrever esse momento. O que eu mais desejava desde o começo era ela me querer de volta, me dar a oportunidade de tê-la fazendo parte da minha vida.
O beijo não demorou muito e logo ela se afastou, mas dessa vez não apressada foi simplesmente porque o beijo chegará ao seu fim.
Abri os olhos encantado e emocionada. E vê-la que ela era real e não um sonho era um motivo para esquecer de tudo e de todos os problemas e quere-la para mim pra sempre.
Sorri abertamente fazendo-a abrir um pequeno sorriso.
– Obrigada. – Sussurrei.
– Não precisa agradecer por algo que eu queria.
– Mesmo assim, você não sabe a felicidade que me traz a um simples gesto como esse.
Camila desviou os olhos tímida rapidamente voltando a me olhar logo em seguida.
– Eu estou apenas retribuindo o sentimento.
Arregalei os olhos. Será que ela estava mesmo dizendo o que eu tanto estava ansiando?
– Camz... – Eu nem sabia o que dizer.
– Lauren... Eu... – Mas antes que eu pudesse saber o que ela queria realmente me dizer. Fomos interrompidos pela bola de beisebol jogada um pouco acima de nossas cabeças acertando uma árvore mais a frente.
– Shawn vai pegar a bola! – Sofi gritou brava distante daqui.
De novo não. Sofi mais uma vez conseguiu ser uma empata f**a, como na primeira vez que beijei Camila anos atrás.
Patas pesadas do cachorro foram aumentando conforme se aproximava e acompanhado com passos de vampiros um pouco mais atrás, podia imaginar qualquer vampiro menos Laura correndo atrás da bola tentando alcança-la primeiro que Shawn.
Agora notei que não havia mais ninguém ali, todos já tinham ido embora deixando apenas Camz e eu sozinhas aqui, não tão mais sozinhas assim quando Shawn saiu dentre as árvores com sua enorme língua para fora.
Camila se afastou imediatamente de mim dando um passo para trás.
Não acredito, justamente agora que Camila estava prestes a se abrir comigo, alguém vem e atrapalha tudo.
Rosnei furiosa encarando aquela bola de pelos.
Shawn moveu as orelhas mais esticadas em direção ao som do meu rosnado e virou a cabeça de lado nos encarando.
“Perdi algo?” perguntou confuso.
– Vai perder sua cabeça! – Disse furiosa.
Ele olhou de mim para Camila, finalmente compreendendo que atrapalhou algo.
“Foi m*l, só me devolve a bola que já sumo daqui.” Ele pediu balançando o r**o de um lado para o outro.
Olhei para o chão onde a bola tinha praticamente parado ao lado do meu pé e sorri ao pegá-la.
Me agachei e levantei sorrindo perversamente.
– Você quer a bola, Shawn? – Falei debochada.
Ele arregalou os olhos.
“Não, quero dizer sim, mas não jogue com força.”
Meu sorriso aumentou mais ainda.
Ele engoliu em seco e se encolheu quando arremessei a bola com força na sua direção.
Mas para minha surpresa antes que a bola acertasse-o, Laura apareceu tão rápida a rebatendo para longe dele.
– Isso! – Ela gritou jogando as duas mãos para o alto segurando o taco de beisebol acima da sua cabeça. – Você está fora, Lauren!
Pisquei surpresa e completamente chocada com que acabei de presenciar.
– Não está não! – Sofi apareceu do mesmo lado que a bola tinha sumido.
– SOFIA! – Laura disse contrariada.
Agora eu sei de onde Sofi puxou esse seu jeito maluco. Que Laura nunca saiba.
Camila começou a rir ao meu lado.
Olhei espantada será que só eu estava achando tudo uma loucura com o que aconteceu aqui?
– Minha vez de rebater. – Camila disse.
– Shawn e Lauren se preparem para pegar a bola se mamãe conseguir rebater.
Camz se aproximou de Laura e sua tia estendeu o taco para ela. Assim que Camila se posicionou ficando de costas para Laura a mesma fez gestos indicando para que Sofi mandasse a bola para ela.
Sofi encarou Camila fixamente e após isso arremessou a bola um pouco mais abaixo e com ótima velocidade.
– Strike 1. – Laura gritou entusiasmada.
Camz rosnou.
– Nervosinha, mamãe? – Sofi debochou.
– De novo. – Camila grunhiu enquanto colocava o taco novamente sobre o ombro.
Laura jogou a bola para Sofi novamente e mais uma vez ela se concentrou para jogar a bola. Porém dessa vez ela não teve sorte, assim que ela arremessou Camila conseguiu rebater para longe, mas não com tanta força.
– Correm! – Sofi gritou desesperada para Shawn e eu.
Se não pudesse com os loucos então seria mais uma deles. Assim nós dois saímos em disparados em direção a bola e por muito pouco consegui salva-la.
– AHHHH. Você está fora, mamãe!
Camila rugiu e me olhou furiosa.
– Você me paga, Lauren. – Ela disse e devolveu o taco para Laura se posicionando no lugar que antes era de Shawn que nesse momento corria para ocupar o lugar de Laura anteriormente.
– O que foi Camz? É só um jogo. – Eu a provoquei e pisquei com um olho fazendo-a fechar mais ainda a cara.
Só deu tempo de escutar a bola sendo rebatida para longe do outro lado de onde nos encontrávamos.
– Mexam essas pernas e corram atrás da bola. – Sofi esperneou pulando no lugar.
Saímos correndo juntos.
– Eu amo esse jogo. Preciso mostrar isso aos meus irmãos. – Escutei a voz exaltante de Laura.
Com essa eu tive que rir ao imaginar os reis jogando beisebol. Ainda mais Simon.
– Perdeu sua chance. – Camila disse mostrando a bola na sua mão.
– Como conseguiu?
Ela apenas sorriu de volta e gritou.
– Bola salva.
– Não acredito. – Ouvi a voz de Laura revoltada.
Camz jogou a bola para mim.
– Cadê a vampira mais veloz da família que todos dizem você ser? – Ela provocou.
Abri um sorriso.
– Preparada para engolir poeira?
Ela riu da minha frase, não esperei por ela e sai correndo em direção ao jogo novamente. Agora seria eu a arremessar a bola.
[...]
Voltamos para casa uma hora depois. Finalmente tínhamos parado, era quase final da tarde e em poucas horas o sol se poria.
Sofi estava sentada nas costas de Shawn, mas sentado ao contrario. De frente para nós, enquanto Shawn caminhava mais a frente.
– Nunca ri tanto quando você quase engoliu terra, Lauren.
– Pelo menos não tenho terra em meus cabelos. – Provoquei-a me lembrando do momento em que ela e Camila se chocaram uma com a outra tentando alcançar a bola.
As duas caíram, mas Sofi rolou no chão, fazendo assim um monte de terra grudar em seu cabelo.
Agora ela estava com os cabelos todo arrepiado.
– Você me paga por isso, mamãe. – Ela cruzou os braços.
Rimos ao mesmo tempo, mas parei imediatamente ao ouvir os pensamentos que vinha dentro de casa.
Tínhamos visita, só não sabia se isso era bom ou r**m. Ao se aproximar da casa, vi Camila e Laura franzirem o cenho ao verem um carro diferente em frente de casa.
– Vocês tem visitas?
Sofi virou para trás.
“Mas essa, será que ela veio?” Sofi pensava furiosa. Eu não sabia o que esse encontro daria, mas eu não me meteria.
Não depois do que ela me falou e eu ter parado de falar com ela.
– São meus primos do Alasca.