Introdução.1

819 Palavras
A setença deste tribunal e de nossa corte é bastante clara. A pena aplicada para aqueles que protegem bruxas e matém relações carnais com elas é a expiação por sangue. Richard Morgan, ex comodoro e capitão do Gaia deverá permanecer sob trabalhos forçados durante o prazo de dois anos.... Richard suspirou deixando a cama tenso. Era uma cena que se repetia toda vez que fechava os olhos. Ele se perguntava mais uma vez como conseguiria suportar aquilo tudo... Ou como sua vida tinha saído tão errada. Quantos meses haviam se passado? Era um pesadelo. Ele nem sabia como ou onde Cassie andava apesar do pouco dinheiro que conseguia para conseguir pagar informantes. O Gaia navegava sob bandeira e ordens de Muir. Era seu inferno. Promessas feitas. Ele havia feito pactos e acordos. Havia cobrado favores e toda sua influência para garantir que Cassie estivesse viva. Mais do que isso ele podia se lembrar do terror daqueles meses... Quando não sabia se podia encontrar a esposa viva após o ataque a fortaleza ou sequestro de seus filhos. Havia a criança morta... Richard balançou a cabeça com pesar de um homem que andava pelos portais do inferno. Sua lealdade forçada pela sentença servia para manter a vida do menino vivo. Filho dele e de Cassie. Isso era algo que ele fazia questão de pensar sempre para suportar o cumprimento da maldita sentença... Ser obrigado a escolher entre sua esposa e o filho deles... Por favor, que ela tenha coragem e suporte... Algumas vezes ele pensava seriamente se havia deuses. Sua mulher nada sabia. O maldito julgamente havia sido mantido em segredo. Ela com certeza imaginaria que ele tivesse apenas partido. Não seria de se surpreender com aquilo. Afinal em geral homens repudiavam mulheres incapazes de ter filhos.. Deixar que ela engravidasse uma outra vez e passar pelo terror que ela pudesse morrer... Não era algo que Richard conseguia imaginar. O filho deles era refém da Corte de Muir. Não havia muito o que ele pudesse fazer apesar de toda sua fúria e vontade de navegar pelos mares de Ravlen a procura do Estrela do Amanhã. Ele pensava ainda seriamente no preço exigido. Deixar que Cassie fosse levada para o Estrela... O gosto de fel amargava sua boca. Havia feito parte da maldita trama... Havia deixado que levassem sua mulher. Um traidor? Ele sacudiu a cabeça imaginando o sacrifício que era permanecer indiferente e fingir que nada acontecia. Ah, se tivesse apenas a oportunidade de colocar as mãos em Philip... Ele nem sequer sabia do que seria capaz. -Dois anos... Não acredito nisso! -Podia ser pior.- Gypsy apareceu como uma sombra tênue e sem força. Ele suspirou vendo o espectro enfraquecido de Gypsy com um calafrio na alma. -Ela está bem? Está bem, não está? Havia certa súplica no tom de voz dele de desespero. Era a magia do medalhão. A magia da Chave dos Caminhos... Maldito fosse Philip. -Preciso que a magia da maldita chave seja quebrada. - ele falou sério e tenso. - Deve haver algum sigilo de proteção que seja capaz... Richard suspirava. Estava cansado e esgotado mentalmente. Ele não sabia o que fazer. Bruxas. Um coven de feiticeiros não era coisa agradável de se enfrentar. Ele se afligia. Seria capaz de conquistar a confiança dela uma outra vez? -Existem magias, encantos e feitiços...- Gypsy falava devagar. - Não há como quebrar o feitiço da chave... Richard praguejou. Precisava de uma descendente de Hécate para usar a magia da chave. -A maldita chave pode ser quebrada? Destruída?- ele quis saber com alguma esperança. Gypsy sacudiu a cabeça. -James de Macgrover pode ser arrogante e prepotente, mas ainda assim...É magia ancestral e antiga. Não pode ser simplesmente destruída, mas pode ser enfraquecida. Ele assentiu com pesar. Os mares de Ravlen... Parecia que os próprios portais do inferno tinham sido abertos. Richard sentia o mundo pesar sobre os ombros mantendo a lucidez apenas pensando na liberdade e no dia que teria como comandar seu navio em direção a Chabone e encontrar o Estrela do Amanhã um dia. Ele mais do que nunca amaldiçoava sua lealdade a coroa. -Jamais deveria ter concordado...- ele se lamentava terrivelmente. Jamais teria imaginado. Nunca teria permitido que sua esposa fosse atacada e seus filhos levados. Na verdade sequer havia imaginado na possiblidade de ter filhos gêmeos. Havia sido enganado. Traído e ultrajado. Mais do que isso olhou com nojo a porta do quarto fechada e a meretriz que dormia na cama. Havia apenas concordado com aquilo... Precisava garantir que Cassie permanecesse viva. De qualquer modo... -Ela está viva?- ele pressionou Gypsy aflito.- Diga-me o que possa fazer para ajudar você...Preciso que ela fique viva. Que sobreviva a tudo isso.. Gypsy permanceu calada. Ultimamente a magia que a aprisionava era mais forte do que nunca. -Vai atravessar o inferno atrás dela?- a pergunta caiu no súbito silêncio opressivo. -Pode apostar que vou buscar minha mulher no inferno.
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