O silêncio que se instalou na Suíte Valguarnera era tão espesso que eu sentia dificuldade em puxar o ar. O jantar, que já tinha sido uma farsa de massa fria e vinho sem gosto, agora parecia uma memória distante de uma vida que eu não reconhecia mais. Eu estava parado perto da janela, observando o pátio agora vazio. O rastro de Sara tinha sido apagado pelo cascalho, mas o rastro que ela deixou na minha mente, e no meu casamento, era uma cicatriz aberta. Eu sentia um nojo visceral que subia pela minha garganta. Não era apenas raiva por ter sido enganado; era a humilhação de saber que eu, o Sottocapo, o homem que orgulhava-se da sua percepção, tinha caído em uma armadilha tão barata. Eu tinha compartilhado o hálito de uma mulher que, minutos depois, estava gemendo sob o corpo do meu irmão.

