O sol do meio-dia entrava pelas vidraças do escritório como lâminas de fogo, aquecendo o carvalho da minha escrivaninha até que o cheiro da madeira parecesse sufocante. Eu estava cercado por relatórios de carregamento e notas fiscais de cimento, mas minha mente ainda estava no Palazzo, presa ao modo como Emanuele me olhou pela janela antes de eu sair. Ouvi o som da porta se abrindo. Não precisei olhar para saber quem era. O perfume floral de Sara invadiu o ambiente antes mesmo dela dar o primeiro passo. — Signore Dante? — A voz dela estava embargada, estranha. Ergui os olhos dos papéis, pronto para dispensá-la com um aceno frio, mas parei. Sara estava parada no meio da sala, as mãos trêmulas segurando uma pasta, os olhos vermelhos e inchados de um choro que parecia genuíno. — O que fo

